SAIBA
O QUE FAZER QUANDO SE DEPARAR COM UM ACIDENTE
Acidentes acontecem. São imprevisíveis,
certo? Não necessariamente. Há muitos
acidentes que só acontecem por imperícia
ou desatenção das partes envolvidas,
ou porque regras como as de trânsito não
foram estritamente seguidas, por exemplo. Há outros
de proporções maiores, causados por problemas
estruturais de um país como, por exemplo, a
ocupação de encostas e leitos de rios
nas grandes cidades, consideradas áreas de risco.
Há ainda tragédias naturais, como tsunamis
ou vulcões em erupção. Em todos
os casos, a tecnologia existente e/ou campanhas educativas
possibilitam prever e evitar as perdas humanas.
Mas, se o evitável aconteceu, é preciso
tomar algumas decisões e agir. Uma dúvida
muito comum é o que fazer caso você se
depare com um acidente. Quais as atitudes que devem
ou não ser tomadas para não prejudicar
a vítima e como assegurar que o acidentado chegue
ao atendimento especializado com vida?
De acordo com a Dra. Jeanne
D'arc Correa, especialista em trauma do Hospital
9 de Julho, em São Paulo,
a chave para o sucesso do primeiro socorro prestado à vítima é manter
a calma para controlar a situação prevenindo
perigos mortais. "A manutenção da
calma é essencial para um socorro adequado.
O desespero só vai gerar ainda mais nervosismo
da vítima e pode provocar novos acidentes. O
socorrista deve agir com tranquilidade, mantendo a
vítima segura e controlar as pessoas ao redor.
Para isso, deve-se agir como um líder da situação
e delegar funções. Tudo deve ser feito
para evitar atraso na solicitação de
resgate", comenta.
O ferido deve ser movido
do local somente quando estritamente necessário: se estiver em uma estrada ou próximo
ao fogo etc. Quando em via de trânsito, deve-se
colocar o triângulo de sinalização
em local bem visível. "É muito importante
nunca deixar a vítima sozinha e, imediatamente,
chamar o resgate ou pedir para que um terceiro faça
isso", comenta a médica. No Brasil o serviço
de resgate (ou pré-hospitalar) é prestado
pelo Corpo de Bombeiros (193) e pelo SAMU - Serviço
de Atendimento Móvel de Urgência (192).
No caso de parada respiratória, é preciso
desobstruir a via aérea e praticar manobras
de ressucitação. Além disso, quando
necessário, deve-se estancar hemorragias comprimindo
os ferimentos, proteger a vítima do frio e mantê-la
em repouso e aliviar a dor. "Na maioria das vezes,
exceto em casos de trauma com suspeita de fraturas
de coluna, deve-se colocar o paciente em posição
lateral de segurança, virando o corpo da vítima
de lado e manter o pescoço estendido",
explica a Dra. Jeanne.
Ao ligar para o resgate,
algumas informações
podem ser solicitadas
- como foi o acidente?
- a vítima está consciente e respirando?
- quantas vítimas são?
- qual o local? Etc.
Com base nas respostas
a essas perguntas, a unidade correta é acionada (ambulância simples
ou UTI, helicóptero, moto etc.). Ao mesmo tempo,
a central de atendimento deixa os hospitais avisados
sobre a chegada da vítima.
No momento do atendimento
pelo resgate no local, são
passadas novas informações sobre o estado
da vítima para a central. Esses dados levarão
o médico do controle a ordenar ao resgate o
melhor local para atender a vítima. O hospital
de destino é então avisado da chegada
do paciente e a equipe de emergência do Pronto-Socorro é acionada.
No Hospital 9 de Julho há um Centro de Referência
em Trauma com equipe multidisciplinar formada por médicos
emergencistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem,
fisioterapeutas, cirurgiões etc.