MINISTRO
DO STJ NO BANCO DOS RÉUS
Pela
primeira vez, um magistrado do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) sentará no banco dos réus.
O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncia do
Ministério Público Federal e vai julgar o ministro
afastado Paulo Medina em uma ação
criminal para apurar suposto envolvimento dele na venda de decisões
judiciais favoráveis a empresários do ramo de
jogos de azar. O esquema foi revelado em 2007 pela Operação
Furacão da Polícia Federal. Medina responderá
por supostos crimes de corrupção passiva e prevaricação.
Não foi aceita, entretanto, a denúncia por formação
de quadrilha.
O ministro Cezar Peluso, relator do inquérito,
transformado agora em ação penal, sustentou que
há indícios suficientes da participação
de Medina no esquema. 'Para eu não admitir (a denúncia),
ignorando os fatos descritos e os elementos que suportam a denúncia,
teria de imaginar que houve uma conspiração contra
os denunciados para urdir contra eles a imputação
de fatos absurdos', disse Peluso.
Os outros réus da ação são o desembargador
José Eduardo Carreira Alvim, do Tribunal
Regional Federal (TRF) da 2ª Região, o juiz federal
Ernesto Dória, do Tribunal Regional
do Trabalho (TRT) em Campinas, o procurador regional da República
João Sérgio Leal Pereira e o
advogado Virgílio Medina, irmão
do ministro afastado.
Se Medina for condenado pelo STF, ele poderá ser punido
pelo crime de corrupção passiva com pena de dois
a 12 anos de reclusão e pagamento de multa. Por prevaricação,
que é um delito cometido por funcionário público
que retarda ou deixa de praticar ou pratica de forma ilegal
ato para satisfazer interesses particulares, com três
meses a um ano de reclusão e pagamento de multa. O julgamento
da denúncia, iniciado na semana passada, foi um dos mais
longos ocorridos no STF.