ALIMENTAÇÃO SADIA NO VERÃO

Máquina do Fim do Mundo pode gerar energia e controle de temperaturas

Por Marco Poli - publicado em 2006

O Centro Europeu de Pesquisas Nucleares - CERN está prestes a fazer a primeira experiência em seu Grande Colisor de Hádrons - LHC. As obras, que custaram R$ 10 Bilhões, já estão concluídas, apesar de seu gigantismo faraônico. Em função disso, dois pesquisadores dos EUA entraram na justiça para impedir seu funcionamento, alegando que os experimentos podem criar buracos negros, que resultariam na exinção de nosso planeta e boa parte do sistema solar, com ele. A partir daí, o LHC passou a ser chamado de Máquina do Fim do Mundo.

A tese, não é uma completa loucura, já que a principal razão de construção do colisor é a de proporcionar aos físicos estudiosos das partículas, a capacidade de observar algumas das qüestões mais controversas da ciência, incluindo aí a origem do universo.

O túnel sai da Suíça, invade a França e retorna ao laboratório do CERN

Uma Torre de Babel ao contrário

Só para ilustrar o leitor, estamos falando de um complexo instalado na Suíça, abaixo do qual foi cavado um túnel circular, a 80m de profundidade, com 27km de percurso, num círculo que invade o território francês, retornando a sua origem. Essa Torre de Babel construída no subsolo, sob a vigilância de cientistas de todo o mundo, possui uma capacidade 10 vezes superior ao mais rápido acelerador de prótons existente na Terra, não por coincidência, em solo dos EUA.

Acontece que além do conhecimento científico adquirido sobre a origem do universo, a fusão nuclear sob controle torna real o sonho de dominar uma forma de energia interminável e de baixa agressão ao meio ambiente. A fusão termonuclear poderá tornar-se uma nova e considerável fonte de energia com vantagens intrínsecas:

* os combustíveis de base-deutério, trítio(isótopos de hidrogênio) e lítio- não são radioativos, são abundantes e distribuídos de uma forma bastante uniforme na crosta terrestre
* a combustão não se pode prolongar de uma forma descontrolada, pois se parar a injeção de combustível fresco, a quantidade de matéria para a fusão presente no reator só permite o seu funcionamento durante algumas dezenas de segundos
* os problemas dos resíduos são limitados: não existem cinzas radioativas, e o tratamento dos gases não queimados é feito no local. Com uma seleção rigorosa dos materiais constituintes do reator, o armazenamento dos componentes da estrutura macânica, a serem ativados pelos neutrons, poderá estar limitado em menos de 100 anos

Transformando a tese de Einstein em energia

Para entender seu funcionamento, melhor se valer da definição do cientista Ignácio Bendiaga, coordenador do Laboratório de Física Experimental de Altas Energias do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas: "você extrai prótons de átomos de hidrogênio e dá energia a eles. Dá energia, cada vez eles vão ficando mais energéticos, com mais velocidade, até quase o limite da velocidade da luz. Aí você pega o acelerador, joga um bando de prótons numa direção e outro bando na direção contrária, fazendo com que eles colidam em algumas regiões desse acelerador. Essas colisões transformam a energia que elas adquiriram num processo de criação de partículas. É mais ou menos aquela história do Einstein de que E = mc². Transforma-se energia em massa, em partícula. É o processo contrário ao da bomba nuclear, onde pela fissão se transforma massa em energia."

Do ponto de vista econômico, é demasiado cedo para avaliar com precisão o impacto da fusão nuclear. Os custos de investimento serão certamente mais elevados do que para as centrais de carvão ou de fissão, mas o custo do combustível será muito reduzido.

Expectativa de uma fonte interminável de energia

Embora ainda se esteja muito longe de saber em que proporções os resultados da fusão atômica dentro do colisor podem começar a gerar novos produtos, em tese não se deve deixar de sonhar com a produção de "pilhas de plasma". Afinal, um dos efeitos que se espera resultar dessa colisão que só tem exemplo no "Big Bang" que originou o universo, é a geração de um gás neutro de núcleos e elétrons livres. O nome desse tipo de gás é plasma e só pode ser mantido confinado por campos elétricos e magnéticos, como nas estrelas, onde esses campos restringem a ação do gás. Se isto for possível, em breve poderemos contar com uma fonte geradora de energia elétrica e térmica, praticamente inesgotável. Aliás, vender o produto de suas invenções é o principal negócio do CERN, que além de outras coisas já criou a internet. Consulte o shopping da mais alta tecnologia conhecida e consuma um pouquinho. Afinal, se o mundo pode mesmo acabar com a inauguração da máquina de LHC, não adianta guardar dinheiro na poupança.