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Uma
pesquisa da Brazil Quarterly PC Tracker, realizada
pela empresa
IDC, mostrou que o Brasil é o
4º maior mercado mundial para computadores. Só em
2010, foram mais de 13 milhões de unidades vendidas
no país, um crescimento de 23,5% em relação
ao ano anterior. Mas a notícia não agrada
a todos: junto com as vendas, cresce o número
de casais que se queixam de brigas recorrentes envolvendo
os videogames ou outros tipos de jogos.
Alguns
analistas começam a definir o comportamento:
o tecnoestresse, ou o estresse oriundo do abuso das
novas tecnologias, deixa as pessoas mais irritadas,
menos atentas e com mais dificuldades de manter os
laços afetivos. Para a psicóloga Heloisa
Caldas, do Departamento de Psicologia Clínica
da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, os games
funcionam como um "esconderijo".
"
As relações amorosas, de corpo presente,
são mais profundas que as cibernéticas,
mas são mais difíceis também",
observa. "Por isso, acabam prejudicadas por esse
mundo virtual, já que quando o casal se depara
com os conflitos, o parceiro usa a tecnologia como
mecanismo de fuga".
A
estudante Liana Correia, 22 anos, diz que já perdeu
a conta das vezes em que o namorado a deixou esperando
por causa dos jogos eletrônicos. "Teve um
fim de semana que a gente só brigou por causa
dos jogos. Na segunda-feira, para compensar, ele me
ligou marcando um jantar. Só que, no mesmo dia,
apareceu um amigo na casa dele para jogar videogame
e logo ele me dispensou", diz a estudante.
O
psiquiatra da Universidade Federal Fluminense Jairo
Werner afirma que o apetite sexual desses
homens
ainda está lá, o que muda é o objeto
de desejo. "Essas pessoas substituem a vida sexual
pela virtual. O parceiro, em vez de ir pra cama e deitar
com a mulher, fica no computador jogando ou vendo pornografia.
Ele não compartilha as fantasias com a parceira,
se compromete com certas redes e vai procurando prazer
em relações cibernéticas",
diz o especialista.
Para
o psiquiatra, a solução é buscar
o diálogo e evitar confrontos. "As pessoas
têm medo de falar o que sentem, receosas de se
tornarem chatas. Mas elas acabam revelando o descontentamento
de outra forma, com irritabilidade ou piadinhas que
só agravam o problema. O ideal é sempre
conversar".
O analista de sistemas Marcel Barbosa, 31
anos, que tem três videogames e mais de 200 jogos, conta
que os equipamentos já foram foco de várias
brigas com a namorada, mas hoje o casal se
entende.
Chegamos
a terminar por causa disso. Hoje eu reconheço
quando exagero e ela também é mais flexível",
diz. "Tem coisas que ela gosta de fazer que eu
não gosto, é aí que aproveito
para ficar jogando". |