A
Marcopolo completa 60 anos de existência.
A empresa
de Caxias do Sul conta
com fábricas espalhadas
pelo
mundo e planeja realizar em 2009
investimentos na casa dos R$ 100
milhões.
O Capital Gaúcha conversou com
o Diretor de Relações Internacionais
da montadora, Ruben Bisi, sobre
as políticas que a adotadas
para diminuir
os efeitos
da crise econômica e a busca de
novo mercados. Saiba como e onde
os ônibus da fabricante caxiense
passam a rodar a partir de agora. |
Capital
Gaúcha - Em 2009, a Marcopolo
comemora 60 anos de existência.
Que iniciativas estão sendo preparadas
pela empresa para celebrar tal façanha?
Ruben Bisi - A Marcopolo deu
início
em janeiro às comemorações
dos 60 anos de atividades com a instalação
de novos pórticos e de painéis
luminosos (front light e Busdoor) em Caxias
do Sul. As comemorações envolverão
colaboradores, clientes, fornecedores, usuários
e a comunidade de Caxias e dos demais locais
onde a empresa possui operações. As
festividades do 60º aniversário
tiveram pré-lançamento em dezembro
passado, com a criação e o lançamento
de selo e bóton comemorativos e distribuição
do calendário de 2009 alusivo à data.
As ações mais fortes serão
realizadas entre junho e agosto e envolverão
os colaboradores e a comunidade.
Capital
Gaúcha - Com uma crise
que atinge boa parte do ramo automotivo,
quais as medidas que estão
sendo tomadas ou que ainda serão tomadas
visando adaptar-se a esta nova realidade?
Ruben Bisi - A Marcopolo
adotou como medidas um programa para redução
sensível
nos custos em todas as suas unidades no mundo,
com foco na gestão de caixa. A empresa
está adequando a produção
ao nível de demanda do mercado e,
para isso, concedeu férias coletivas
e redução de jornada em nove
dias (em fevereiro e março) que foram
acumulados no banco de horas. Também
alguns dos investimentos previstos foram
postergados, sobretudo os ligados ao
aumento de capacidade produtiva, uma vez
que a demanda caiu e não há,
no momento, necessidade para tais investimentos.
Mas aqueles já em andamento seguem
normalmente, tanto no Brasil quanto no exterior.
Capital
Gaúcha - O balanço da
Marcopolo mostrou resultado positivo em 2008,
com superação de metas. Foram
fabricados 21.811 unidades no período,
22,5% a mais que em 2007, com uma receita líquida
que ultrapassou os R$ 2,5 bilhões. Quais
as perspectivas de crescimento e lucros da
empresa para 2009, ano em que tantos falam
em crescimento negativo?
Ruben Bisi - A Marcopolo prevê receita
liquida de R$ 2,6 bilhões e a produção
de 23 mil unidades em 2009, o que representa
crescimento de cerca de 5%.
Capital Gaúcha - A produção
de ônibus da Marcopolo na Rússia,
em associação com o fabricante
local Ruspromauto, está paralisada
desde dezembro por conta dos efeitos da crise
mundial sobre a economia do país.
Há uma previsão de retorno
para este ano ou apenas para 2010?
Ruben Bisi - Não
há definição
sobre a retomada da produção.
Em abril, o mercado deu os primeiros sinais
de recuperação e os empresários
voltaram a adquirir veículos e diminuindo
os estoques. A perspectiva é que,
assim que os estoques sejam consumidos, a
fábrica de Pavlovo possa voltar às
atividades.
Capítal Gaucha - A Marcopolo concluiu
em 2008 um programa de investimentos de cerca
de R$ 50 milhões em suas três
plantas no Brasil - Ana Rech e Planalto,
ambas em Caxias do Sul (RS), e na Ciferal,
em Xerém (RJ). Para este ano, existe
a previsão de investimentos em novos
projetos ou mesmo para a ampliação
de outros já existentes?
Ruben Bisi - Os investimentos totais previstos
para este ano são da ordem de R$ 100
milhões. Com a redução
da demanda e o foco na gestão do caixa
não há motivo para ampliação
de capacidade produtiva nas plantas do Brasil
ou do exterior.
Capital Gaucha - Com a Copa do Mundo de 2010,
o aumento da demanda na área dos transportes é iminente.
Além da África
do Sul, quais os mercados que hoje apresentam
uma boa perspectiva de crescimento na demanda
por produtos da Marcopolo?
Ruben Bisi - A África do Sul é realmente
um mercado com grande potencial de crescimento.
Acabamos de fechar a venda de 143 ônibus
para a prefeitura de Johanesburgo para o
sistema de transporte local, já visando
a Copa do Mundo. Além da África,
a Índia e o Egito representam dois
mercados com potencial de crescimento para
a empresa neste ano. A Índia esta
com a demanda aquecida porque o governo local,
como forma de incentivar a economia, colocou
um programa de aquisição de ônibus
para ser colocada em várias cidades
daquele país.