Entrevista - José Carlos Pinheiro Neto - Vice-Presidente GM do Brasil
O Brasil vem se destacando por apresentar uma forte aceleração do seu mercado automotivo, especialmente pela manutenção da redução do IPI. Recentemente, a General Motors (GM) do Brasil anunciou investimentos de R$ 2 bilhões no país, sendo que a maior parte do montante será investida na fábrica da montadora em Gravataí. Em entrevista exclusiva para o Capital Gaúcha, o vice-presidente da GM do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto, conta como a empresa conseguiu se manter lucrativa no país e quais os planos e expectativas da mesma para este e os próximos anos.

Capital Gaúcha - No último dia 22, a GM divulgou um balanço onde apresenta queda de 22% nas vendas globais no primeiro semestre do ano. No outro extremo, a GM do Brasil anunciou quebra no seu recorde de vendas em junho no país. A que fatores o sr. atribuí a crise mundial da montadora e, em contrapartida, a sua consolidação no Brasil?

José Carlos - A crise financeira internacional afetou drasticamente a indústria automobilística norte-americana, que há 20 meses seguidos vem registrando quedas nas vendas de veículos no mercado norte-americano. Entre os maiores mercados do mundo somente três países apresentam resultados positivos em 2009, que são China – hoje o maior mercado do mundo – Alemanha, que implantou este ano um bem sucedido programa de renovação da frota e Brasil, que cresceu cerca de 2,35% nas vendas acumuladas dos primeiros sete meses de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado. No caso específico da GM do Brasil nosso recorde de vendas em junho, com perto de 59 mil veículos vendidos, quase foi repetido em julho, com mais de 56 mil veículos vendidos. Temos na linha Chevrolet a mais completa do mercado, competimos em todos os segmentos do mercado de veículos para passageiros e comerciais leves e, por esta razão, temos a confiança do consumidor Chevrolet.

Capital Gaúcha - A GM anunciou investimentos de R$ 2 bilhões no país, sendo que R$ 1,4 bilhão será destinado para a ampliação da planta de Gravataí. Quais as expectativas em relação a essa remodelação da fábrica gaúcha? O que se pode esperar em termos de inovação, empregos e resultados?

José Carlos - A nossa fábrica de Gravataí, inaugurada em 2000, começou com uma capacidade instalada de 120 mil veículos por ano e um só produto o Celta Chevrolet. Em 2006, por conta da chegada ao mercado do sedã Prisma, a capacidade de produção subiu para 230 mil veículos por ano. E agora estamos preparando-a para crescer mais 150 mil unidades, chegando em 2012 com uma capacidade instalada de 380 mil veículos, tornando-se a maior operação fabril da GM na região do Mercosul. A fábrica já é considerada o “estado da arte” como montadora de veículo e continuará recebendo melhorias contínuas em termos da mais avançada tecnologia de engenharia de manufatura. A expansão do Complexo Industrial Automotivo de Gravataí, incluindo nossos sistemistas, gerará mil novos empregos diretos.

Capital Gaúcha - Há uma previsão de investimento em novas fábricas no país ou a intenção da empresa é mesmo a de ampliar e melhorar as plantas já existentes?

José Carlos - Com a expansão da fábrica de Gravataí em 2012 a GM terá uma capacidade instalada de 1 milhão de veículos por ano na região do Mercosul, que consideramos um volume suficiente para atender a demanda projetada para os próximos anos. A modernização de nossas fábricas é política permanente da GM do Brasil para mantê-las competitivas no mercado brasileiro.

Capital Gaúcha - Os consumidores, apesar dos bons números locais da GM, ficaram um pouco assustados com a crise mundial da montadora. Que medidas tem sido tomadas visando reconstruir essa confiança do cliente nos serviços prestados pela marca?

José Carlos – A maior prova da confiança dos consumidores na marca Chevrolet foi o recorde de vendas registrado em junho passado, com 58.647 veículos vendidos. Nós desenvolvemos uma estratégia de comunicação institucional para explicar à opinião pública a independência jurídica e financeira da GM do Brasil em relação à GM norte-americana, bem como assegurar e honrar a garantia dos veículos Chevrolet e a continuidade da prestação de assistência técnica e serviços por parte da rede de Concessionárias Chevrolet. E felizmente o nosso consumidor, fiel a nossa marca, entendeu muito bem a nossa mensagem.

Capital Gaúcha - Existe a previsão de algum lançamento já para o fim desse ano ou início do próximo?

José Carlos – Sim. Devemos lançar o Agile no último trimestre do ano.

Capital Gaúcha - A fábrica de Gravataí é um case de sucesso mundial. Por que a GM não conseguiu repetir o mesmo sucesso em novas plantas fora do Brasil?

José Carlos – Todas as novas fábricas que a GM construiu no México, na Tailândia e na China seguem o mesmo “layout” de Gravataí e todas apresentam ótimos resultados em termos de eficiência, produtividade e custos competitivos.

Capital Gaúcha - Extra-oficialmente se diz que a ampliação atenderá a implantação da nova linha do Viva. A intenção é criar uma nova plataforma internacional, como foi o caso do Blue Macau?

José Carlos – A expansão da fábrica de Gravataí visa a produção de dois novos veículos de uma nova plataforma, que denominamos projeto Onix, que chegarão ao mercado a partir de 2012. O projeto Viva, que engloba uma família de novos veículos, já revelou o nome do primeiro veículo, que é o Agile. Este primeiro modelo será fabricado na nossa fábrica de Rosário, na Argentina, e depois, em 2010, chegará ao mercado um segundo modelo, a ser produzido na nossa fábrica de São Caetano do Sul. Em Gravataí nós continuaremos a produzir o Celta e o Prisma, dois dos mais vendidos veículos da marca Chevrolet no país e daqui a três anos os dois novos veículos do projeto Onix.