"Temos
que aproveitar toda essa mobilização
que um megaevento como a Copa do Mundo
oportuniza para garantirmos permanentes
avanços econômicos e sociais
não apenas para a nossa capital
mas para todo o Rio Grande do Sul."
A afirmação é do Secretário Extraordinário
da Copa do Mundo de 2014, Paulo Odone
Ribeiro. Exclusivamente aos leitores
do Capital Gaúcha, o secretário fala
sobre
suas primeiras iniciativas à frente
da pasta e dos projetos deverão sair
do papel para que Porto Alegre esteja
apta e receber
o maior torneio de seleções do mundo. |
Capital
Gaúcha - Quais são as grandes
transformações
que a cidade e o Estado precisarão sofrer
para se adequar aos padrões de uma Copa
do Mundo?
Paulo Odone - Nesta primeira etapa a principal
tarefa é articular as ações
relacionadas à Copa de 2014 junto à ampla
rede de instituições envolvidas,
tanto no setor público como privado
e não-governamental, nas esferas municipal,
estadual, federal e internacional. Em parceria
com outras secretarias de Estado, estamos estruturando
um programa de capacitação de
recursos humanos que tem como objetivo qualificar
o atendimento aos turistas por meio da preparação
de voluntários e profissionais que prestam
serviços na rede hoteleira, em bares
e restaurantes, lojas e pontos de atração
turística, e que precisam estar habilitados à comunicação
em diversos idiomas. Está prevista a
ampliação do número de
leitos na rede hoteleira, a instalação
de um sistema de sinalização
multilíngue padronizada, a adoção
de medidas para garantir a acessibilidade a
portadores de necessidades especiais e a preparação
de sistemas de comunicação em
rede com os centros de atendimento aos turistas,
assim como diversos projetos de valorização
de rotas turísticas.
Capital Gaúcha - Recentemente, a mobilidade
urbana foi apontada pelo Ministro dos Esportes,
Orlando Silva, como o maior dos desafios das
cidades que sediarão jogos da Copa de
2014. Como essa questão será trabalhada?
Paulo Odone - A mobilidade
urbana é um
dos ítens relacionados no Caderno de Encargos
da FIFA para a Copa do Mundo e considerado
de grande impacto. Entre outras obras que devem
ser feitas até 2014, estão a
duplicação da BR-116, a nova
ponte do Guaíba, a Rodovia do Parque,
a Via Leste, o Metrô e uma linha do Aeromóvel
ligando o Aeroporto Salgado Filho à estação
Aeroporto da Trensurb. A lei que institui o
Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre
prevê a construção de 495
quilômetros de novos trechos de ciclovias
na Capital para servir como rede de deslocamento
de ciclistas.
Capital Gaúcha - Outro grande problema
que aflige não apenas Porto Alegre,
mas o Brasil como um todo, é a insegurança.
Como a Secretaria pretende pressionar os órgãos
competentes para que o setor seja qualificado?
Paulo Odone - O Governo do Estado já iniciou
os investimentos relacionados à contratação
de mais servidores para a área de segurança
e está sendo implementado um projeto
de renovação da frota que qualificará os
equipamentos utilizados nas atividades policiais,
periciais e penitenciárias. Encontram-se
em andamento, também, ações
voltadas à racionalização
operacional e à modernização
tecnológica do setor, além de
iniciativas para qualificar o atendimento à população
e atuar na prevenção à violência.
O Governo Federal, por meio do Pronasci, também
vai liberar recursos para capacitação
das polícias e incentivo a projetos
para redução de índices
criminais. A Prefeitura de Porto Alegre também
está investindo na capacitação
da Guarda Municipal e na melhoria da iluminação
pública.
Capital Gaúcha - Nos últimos
jogos Panamericanos, o custo das obras ficou
quase três vezes acima do orçamento
inicial planejado. É possível
realizar um evento desse porte sem que haja
desperdício de dinheiro público?
Paulo
Odone - Planejamento
e boa gestão
são indispensáveis para evitar
desperdício. Nesse sentido, nossa missão é criar
os instrumentos e buscar os recursos necessários
para que haja sinergia no desenvolvimento do
trabalho de preparação do Estado
para a Copa. Cabe à Secretaria coordenar
ações, monitorar resultados e
avaliar avanços e dificuldades para
interferir quando necessário.
Capital Gaúcha - Na sua opinião,
quais os maiores desafios, além da
mobilidade urbana, que serão enfrentados
pelo sr. ao longo do percurso? É possível
transformar a capital em uma cidade moderna
e com condições mínimas
para sediar um evento dessa magnitude?
Paulo Odone - Temos que aproveitar toda essa
mobilização que um megaevento
como a Copa do Mundo oportuniza para garantirmos
permanentes avanços econômicos
e sociais não apenas para a nossa
capital mas para todo o Rio Grande do Sul.
Só assim conseguiremos deixar um legado
de desenvolvimento que não se esgotará em
2014.
Capital Gaúcha - Nós recentemente
lançamos o site www.italiaemportalegre.com,
que busca encabeçar uma campanha para
transformar Porto Alegre em uma das quatro
principais sedes de 2014. Com isso, poderíamos
receber jogos da seleção da
Itália, nosso maior objetivo, ou de
alguma outra grande seleção
européia. O sr. teria alguma sugestão
para que essa campanha possa alçar
voos maiores, ajudando a capital dos gaúchos
a se transformar em um pólo futebolístico
com ainda mais importância no cenário
mundial?
Paulo Odone - O local de
disputa das partidas na cidade sede, já definido
pela Fifa, será o Beira-Rio, mas as
seleções
necessitarão também de espaços
para realizar seus treinamentos e jogos preparatórios.
Na fase pré-Copa, abre-se, assim,
a possibilidade de que municípios
gaúchos
se candidatem a receber delegações
estrangeiras e, para tanto, comecem a trabalhar,
desde já, no sentido de melhorar sua
infraestrutura e valorizar seus principais
pontos de interesse turístico. No
caso da Itália, em função
da forte presença e herança
cultural de seus imigrantes entre os gaúchos,
há um importante argumento a favor
de sua vinda para o Estado. Minha sugestão é investir
pesadamente na capacitação
de recursos humanos, no ensino de idiomas
e na cultura local, em paralelo com a realização
das obras de infraestrutura prioritárias.