O
Centro de Excelência em Pesquisa
sobre Armazenamento de Carbono
(Cepac) e o Programa de Pós-Graduação
em Ciência da Computação
da PUCRS, em parceria com a Petrobras
por meio do Programa de Fronteiras
Exploratórias (Profex),
desenvolvem o Projeto Paleoprospec,
que visa aumentar a precisão
e diminuir os custos envolvidos
na prospecção
de Petróleo. O coordenador
do projeto, professor e Doutor
Paulo Fernandes,
explica aos leitores do Capital
Gaúcha como a iniciativa
vem sendo desenvolvida e os principais
desafios na busca pela qualificação
do setor. |
Capital
Gaúcha - Por
que, na sua opinião, a PUC foi escolhida
para desenvolver o projeto paleoprospec? Quantas
pessoas estão
trabalhando atualmente no mesmo?
Paulo
- A PUCRS, através do CEPAC,
possui projetos de pesquisa com a Petrobras
a bastante
tempo.
Porém, a Faculdade de Informática
(FACIN) tem neste projeto a primeira colaboração
com a Petrobras. Neste sentido, acredito que
dois fatores contaram muito para a escolha
da PUCRS para executar o projeto Paleoprospec.
A experiência anterior de projetos
de sucesso com o CEPAC atestando a seriedade
com
que encaramos este tipo de desafio e a qualidade
científica dos pesquisadores do CEPAC
e da FACIN nas áreas envolvidas no projeto
que não é facilmente encontrada,
pois envolvem áreas bastante distintas
como a Geociência e a Ciência da
Computação. A equipe da PUCRS
no projeto conta atualmente com 9 professores
doutores entre membros plenos e colaboradores,
3 funcionários (sendo 2 deles doutores),
3 doutorandos, 6 mestrandos e 8 alunos de graduação,
num total de 29 pessoas, mas este número
deverá aumentar ao longo do projeto.
Capital
Gaúcha - Um dos grandes obstáculos
da iniciativa é unir todos os dados
que vem sendo obtidos e transformá-los
em material de alta qualidade através
dos recursos da computação. Como
está se desenvolvendo a parceria entre
o Cepac e o programa de Pós-Graduação
em Ciência da Computação,
ambos da PUC?
Paulo
- De fato, um dos desafios do projeto é homogeneizar
as visões das áreas consideravelmente
distintas envolvidas, porém esforços
vem sendo feitos para que esta equipe possa
interagir com sucesso. Tivemos desde o início
do projeto a preocupação de nivelar
os conhecimentos das áreas envolvidas
através de seminários onde tanto
os geocientistas, quanto os informatas puderam
aprender bastante sobre ambas as áreas.
Capital
Gaúcha - Quais são as
principais inovações da pesquisa
em relação aos métodos
pré-existentes para a prospecção
de petróleo?
Paulo
- Uma das principais diferenças
da nossa abordagem para este tipo de problema
reside na diferença básica que
identificamos entre a forma como geocientistas
e informatas desenvolvem seu trabalho. Se por
um lado os geocientistas tem o hábito
de estudar os problemas com uma análise
qualitativa das informações tentando
juntar pequenos detalhes que podem trazer informações
sobre o passado remoto do planeta, na ciência
da computação temos a tendência
de fazer uma abordagem quantitativa sistêmica
tentando determinar valores e probabilidades
para todas as informações possíveis.
Neste sentido, nossa abordagem é inovadora
por tratar assuntos habitualmente tratados
como conjuntos dispersos de informação,
como uma base de dados única e extramente
grande onde todos valores são preenchidos
com as melhores hipóteses possíveis
e sua respectiva confiabilidade.
Capital
Gaúcha - Qual a expectativa
em relação a redução
de custos e aumento da precisão na perfuração
de poços?
Paulo
- O processo de determinação
de depósitos de petróleo é extremamente
caro e está longe de ser uma tarefa
livre de imprevistos. Neste sentido, os objetivos
deste projeto vão no sentido de aumentar
a confiabilidade dos atuais métodos
através de uma nova abordagem. Nossa
pretensão não é determinar
com certeza as informações, mas
contribuir com mais uma ferramenta de previsão
a ser considerada no processo já existente.
Logo, não podemos afirmar qual será a
redução efetiva dos custos, pois
não sabemos ainda qual vai ser o grau
de similaridade entre nosso método e
os atuais métodos existentes.
Capital
Gaúcha - Para quando estão
previstos os primeiros resultados do trabalho
e a sua consequente implementação
definitiva?
Paulo
- O nosso projeto é claramente
um projeto de pesquisa, neste sentido, nosso
objetivo é aumentar o conhecimento sobre
o tema trazendo novas abordagens e informações
que podem efetivamente trazer benfícios
diretos para a exploração do
petróleo ou até mesmo outras
aplicações que se beneficiem
do conjunto de informações que
pretendemos extrair. Desta forma, não é possível
afirmar quando estes métodos serão
efetivamente empregados pela Petrobras para
a descoberta de novos reservatórios.
Porém, os primeiros resultados da pesquisa
já estão tomando forma através
das informações que temos levantado
e algumas hipóteses em que temos resultados
preliminares. Nas palavras do nosso contato
com a Petrobras, Adriano Vianna, trata-se de
um projeto de vida, onde buscamos reunir informações
sobre um período de tempo muito extenso
(140 milhões de anos), uma área
gigantesta (todo Atlântico Sul do topo
da América do Sul à Antardida
e da costa brasileira à costa africana).
Evidentemente, sempre será possível
refinar as informações e com
isto aumentar a confiabilidade de nossas previsões.
Resumindo: temos resultados desde já,
porém com a evolução do
projeto sempre poderemos aumentar cada vez
mais a qualidade dos nossos resultados.