Roubo
de cargas, péssimas condições
de conservação das
rodovias, falta de tempo para cuidar
da saúde. Esses são apenas
alguns dos muitos problemas
enfrentados pelos
trabalhadores do transporte
e
transportadores autônomos.
O Presidente do sistema Sest/Senat
no RS, Paulo Caleffi, explica como
a entidade vem atuando para solucionar
e prevenir estes
e outros problemas. Confira nesta
entrevista exclusiva ao Capital
Gaúcha. |
Capital
Gaúcha - As
perdas com roubo de cargas já se aproximam
de R$ 1 bilhão ao ano. As iniciativas
que demonstraram alguma eficácia foram
aplicadas pelas próprias empresas, monitornado
suas cargas através de rádio
e seguranças. Como o CNT/Sest/Senat
tentam usar seu papel de canal entre o setor
e o governo para cobrar soluções?
Caleffi
- Embora entenda que se trata de uma questão policial, a CNT está atenta à defesa
dos interesses e da segurança dos transportadores
e dos trabalhadores em transportes. A Confederação
atuou em duas frentes para reprimir o roubo
de cargas. Na
primeira, a CNT e a Polícia Federal
realizaram, durante 2004 e 2005, por todo o
país, uma série de seminários
regionais para debater a prevenção
e a repressão ao furto e ao roubo de
cargas e veículos no país, com
as Polícias Militares, órgãos
estaduais de segurança e sociedade organizada
com interesse no assunto.
Como
resultado desses encontros, o setor transportador
e os órgãos públicos envolvidos
com o tema resolveram perseguir prioritariamente
duas metas: a necessidade urgente da atuação
da Polícia Federal na investigação
desse tipo de crime e trabalhar de forma coordenada
em favor da aprovação de um marco
legal que contemplasse a repressão a
esse tipo de crime. Assim, a CNT se empenhou
pela aprovação da lei de autoria
do deputado Mário Negromonte, que cria
o "Sistema Nacional de Prevenção,
Fiscalização e Repressão
ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas”.
A lei foi sancionada, com vetos, em 2006. De
lá pra cá, pode-se dizer que
estamos mais preparados para o enfrentamento
do problema.
Capital
Gaúcha - Os processos "on
line" evoluíram muito nos últimos
anos, aumentando a diversidade e a qualidade
dos serviços prestados. Qual o tamanho
da procura por cursos "on line" oferecidos
pela entidade e quais as expectativas para
este e o próximo ano?
Caleffi
- O SEST/SENAT oferece mais de 200
cursos, presenciais ou a distância,
voltados para a qualificação
profissional. Desta forma, a demanda dos
transportadores
por mão-de-obra especializada é atendida
ao mesmo tempo em que um importante papel social é cumprido,
com a qualificação de trabalhadores
para atividades diferenciadas e especializadas. Os
benefícios são evidentes,
assim, o trabalhador ganha conhecimento e a
possibilidade de obter ascensão profissional
e melhores condições de vida.
Um dos fatores determinantes para esse sucesso é a
internet.O SEST/SENAT mantém variados
cursos através de seu site, todos com
alto padrão de qualidade para atender
a qualificação
de mão-de-obra, de maneira a responder
com competência aos desafios das empresas
de transporte. Dentre os cursos on line posso
destacar o "Transporte para Todos", "Marketing
para
Empresas de Transporte", "Atendimento Eficaz"
e o de "Português"
Capital
Gaúcha - O projeto "Comandos
de Saúde nas Rodovias", campanha
educativa que tem por finalidade reforçar
junto aos caminhoneiros e outros trabalhadores
do transporte a necessidade de se manter a
saúde em dia para evitar acidentes de
trânsito nas rodovias, já tem
resultados contabilizáveis?
Caleffi
- Desde 2006, quando recebeu convite para
parceria com a Polícia Rodoviária
Federal, o Sest/Senat promove e participa dos
Comandos de Saúde nas Rodovias. Esta
campanha acontece, em quatro eventos anuais,
nas principais rodovias de todos os estados
brasileiros. Para
atingir um público mais variado,
a cada evento são definidas novas rodovias,
podendo também ser reincidente, dependendo
do tráfego e importância de um
determinado local. Além do calendário
nacional, algumas Unidades Sest/Senat e PRF
realizam ações similares durante
o ano, de forma regionalizada. Os Comandos
são campanhas educativas e preventivas,
que tem como objetivo reforçar, junto
aos motoristas profissionais, a necessidade
de cuidados com a saúde, evitando o
desenvolvimento de doenças e minimizando
causas de acidentes nas estradas.
Vale
ressaltar que o evento não tem
como objetivo qualquer tipo de fiscalização,
seja do caminhão, carga ou do motorista.
A campanha é realizada em formato de
blitz, cujas estruturas de atendimento são
montadas em postos policiais ou acostamentos
das rodovias, onde os motoristas são
convidados a participar de diversos tipos de
exames, divididos por estação.
Atualmente, a ficha de saúde contempla
a avaliação de 24 fatores de
saúde. Além dos exames padrões, as
campanhas também promovem ações
sociais e atividades de recreação,
para entretenimento e educação
do motorista durante o tempo de parada. Os
resultados estatísticos das avaliações
estão sendo consolidados desde o início
da campanha, para que possam, no futuro, subsidiar
possíveis discussões políticas
acerca das condições de trabalho
destes motoristas.
A
parceria entre as duas instituições
simboliza a preocupação pela
busca de um trânsito mais seguro. E foi
com grande satisfação que a Campanha
recebeu o Prêmio Volvo de Segurança
no Trânsito 2008 na categoria Empresa/Região
Centro-Oeste. A grande conquista desta ação é a
satisfação de o motorista brasileiro
se sentir valorizado e poder acompanhar de
perto a preocupação com o seu
bem estar, através da realização
de exames e de orientações importantes. Os
próprios motoristas fazem questão
de admitir que não possuem tempo para
cuidados preventivos e usam os Comandos como
uma forma de avaliação do estado
de saúde. Dentre os principais fatores
de risco à saúde detectados nos
Comandos, destacam-se a pressão alta,
obesidade, estresse, sonolência, colesterol
e diabetes. Os motoristas que apresentam algum
desses fatores são orientados a procurar
atendimento mais completo em uma das Unidades
do Sest/Senat, que hoje conta com 131 estabelecimentos
distribuídos pelo Brasil.
Dentre
os principais comandos já realizados
destaco a avaliação de aproximadamente
30 mil motoristas até hoje, sendo que cerca
de 9 mil apenas em 2008, onde 63,44% desse
número
estava acima do peso, 29,82% com triglicerídios
alto e 11,73% com glicose alta. Para este ano
temos a expectativa de avaliar 10 mil motoristas.
Capital
Gaúcha - O programa "Despoluir",
que foca na conscientização ecológica
dos motoristas e profissionais do setor, tem
tido boa repercussão entre os operários
e trabalhadores do área?
Caleffi
- Sim, desde 2007, quando foi lançado,
o programa tem conseguido engajamento dos empresários
transportadores e dos trabalhadores em transporte.
Com suas ações, o Despoluir procura
reduzir a emissão de poluentes, medindo
a quantidade desses resíduos que os
veículos das empresas transportadoras
emitem, apontando desequilíbrios em
relação aos padrões legalmente
aceitos, orientando para que as correções
sejam feitas. O
Despoluir, Programa Ambiental do Transporte, é a
ação concreta dos transportadores
contra o aquecimento global e pela adoção
de modelos de desenvolvimento econômico
sustentável. Desde sua implantação,
em julho do ano passado, o Despoluir vem ganhando
dimensões que o tornaram o maior projeto
setorial do meio ambiente no Brasil.
A
CNT realizou no último dia 28 de
maio, no âmbito do Despoluir, a Oficina
Nacional de Transporte e Mudanças Climáticas
para promover e aprofundar os debates sobre
o tema ambiental. O evento foi promovido em
parceria com o Centro de Transportes Sustentável
(CTS Brasil) e apoio da embaixada britânica
no Brasil.
Capital
Gaúcha - Além das iniciativas
institucionais, o que a gestão do
sistema, no RS, pretende deixar como legado?
Caleffi
- No Rio Grande do Sul o Conselho
do SEST/SENAT é formado por quatro
federações
que representam os diversos modais do transporte
e pela federação dos trabalhadores
em transporte. Dois tipos de estabelecimentos
atendem os trabalhadores em transporte e seus
familiares: CAPIT, localizados em centros urbanos
(Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Passo
Fundo, Uruguaiana, Bento Gonçalves e
Santa Maria) e PATE, localizado ao longo das
rodovias (Carazinho, Lajeado e Rio Grande).
Neste momento está em construção
um CAPIT em Santa Rosa e a instalação
de um PATE em Vacaria. Estas unidades oferecem
cursos de profissionalização
para todas atividades inerentes ao transporte
e a assistência social gratuita
para os trabalhadores em transporte.