Entrevista - Orlando Müller - Presidente da Central Sicredi Sul

Mesmo diante de uma crise mundial, a oferta de crédito por parte de cooperativas de crédito manteve-se em constante crescimento, o que explica em parte o fato do país ter sido um dos primeiros a se recuperar e "sair" desse panorama. Ao menos é o que apontam duas pesquisas reveladas pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), onde uma delas revela que, enquanto a média de crescimento dos ativos totais administrados do Sistema Financeiro Nacional (SFN) foi de 2%, no cooperativismo de crédito foi de 8%. O mesmo ocorreu em relação ao patrimônio líquido: 10% frente a 4%. Orlando Müller, presidente da Central Sicredi Sul, fala com exclusividade ao Capital Gaúcha sobre as novidades e o bom momento vivido pelo Sicredi no RS e SC.

Capital Gaúcha - Comparado ao ano anterior, como o sr. avalia o desempenho do Sicredi neste ano até o momento?

Orlando - O Sicredi está em um momento de expansão. Principalmente em centros urbanos, como Porto Alegre e Região Metropolitana. O crescimento do Sistema no Rio Grande do Sul e Santa Catarina deve seguir os números do ano passado, que giraram em torno de 25%. O mesmo deve acontecer no Brasil.

Capital Gaúcha - O Sicredi atingiu recentemente a expressiva marca de um milhão de associados no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A que fatores o senhor atribui essa consolidação no mercado?

Orlando - Temos trabalhado com um planejamento bem definido e o seguido à risca. Esse, com certeza, é um dos fatores que tem contribuído para o nosso crescimento. Outro fator é a natureza do funcionamento de uma cooperativa de crédito, onde o objetivo fim é o desenvolvimento econômico e social da comunidade onde estamos inseridos e não o lucro, como as instituições financeiras tradicionais. O nosso trabalho é em direção a parcerias com nossos associados.

Capital Gaúcha - O Sicredi possui uma rede que abrange 85% dos municípios do RS. Há uma previsão de novos postos de atendimento no curto prazo?

Orlando - Sim, até o final de 2009 devemos inaugurar mais cinco unidades de atendimento no Estado. Hoje o Sicredi, no Brasil, é a sétima instituição financeira com mais pontos de atendimento. No Rio Grande do Sul estamos presentes em 428 municípios, sendo que em muitos deles somos a única instituição financeira.

Capital Gaúcha - Recentemente a empresa ampliou seu portfólio de produtos de investimento com o lançamento do "Sicredi FI Ações Petrobras", fundo que aplica seus recursos predominantemente em ações dessa companhia. Como está a aceitação desse produto, especialmente pelo pequeno investidor, público alvo do fundo? Alguma outra novidade prevista em relação a produtos e serviços ainda para 2009?

Orlando - O Sicredi FI Ações Petrobras, lançado em julho deste ano, está tendo uma excelente aceitação no Sicredi. O produto, nos dez estados do Brasil onde o Sicredi atua, atingiu Patrimônio Líquido de R$ 1,6 milhão em pouco mais de dois meses. Com este produto, o Sicredi está aproximando o pequeno investidor do mercado de renda variável e possibilita a aplicação dos recursos em ações de uma das maiores e mais seguras empresas do mundo. Este ano também tivemos o lançamento de dois produtos que devem alavancar o crescimento do Sistema em 2010, o Consórcio de Imóveis e o Cartão Sicredi Múltiplo.

Capital Gaúcha - Em 2008, o Sicredi ficou entre as dez maiores instituições financeiras em volume de operações de crédito rural, quando alcançou R$ 2,8 bilhões. Dentro do plano de expansão, quais os próximos objetivos traçados?

Orlando - Um dos nossos objetivos é nos mantermos entre as principais instituições financiadoras do agronegócio. A perspectiva é fecharmos a carteira de Crédito Rural em 2009 com um volume de R$ 3,5 bilhões, um crescimento de 25% em relação ao ano passado. Para 2010, o objetivo é continuar trabalhando em parceria com os produtores rurais e assim fomentar seu desenvolvimento. O Sicredi iniciou sua história no cenário rural e, graças a esse setor, hoje está nos principais centros urbanos.

Capital Gaúcha - O Brasil já dá sinais claros de que a crise econômica mundial ficou para trás, retomando aos poucos seus níveis de crescimento. O que esperar, então, de 2010?

Orlando - O cooperativismo de crédito não foi afetado diretamente pela crise. Continuamos crescendo e não foi preciso alterar nosso planejamento. Recentemente, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) divulgou duas pesquisas. A primeira mostra que a concessão de crédito por parte das cooperativas de crédito nos meses pós-crise continuou crescendo, diferente das instituições financeiras tradicionais. A outra se refere ao período de janeiro a junho de 2009. Segundo a OCB, enquanto a média de crescimento dos ativos totais administrados do Sistema Financeiro Nacional – SFN foi de 2%, no cooperativismo de crédito foi de 8%. O mesmo aconteceu em relação ao patrimônio líquido: 10% frente a 4%. Isso nos faz acreditar que estamos no caminho certo.