A
mobilidade urbana
é um
dos principais pontos onde Porto
Alegre e região metropolitana
devem avançar para poder
receber de maneira organizada o
grande volume de turistas durante
a Copa do Mundo de 2014. Para isso,
se faz necessário um investimento
pesado na rede pública de transportes,
ampliando e melhorando o que já
existe e criando alternativas,
como a tão sonhada linha de metrô.
Em entrevista exclusiva ao Capital
Gaúcha, o Diretor–Presidente
da Empresa de Trens Urbanos de
Porto Alegre S.A (Trensurb), Marco
Arildo Prates da Cunha, fala
sobre as obras que já estão em
andamento, as que devem sair do
papel e a perspectiva da
criação da Ferrosul.
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Capital
Gaúcha - Como está o
andamento das obras de extensão da
linha 1? Qual a previsão de término
da mesma?
Marco
- Grande parte da obra está dentro
do cronograma previsto. O trecho um, que
representa a fase inicial da obra entre
o final da Estação São
Leopoldo e as margens do Rio dos Sinos, é o
perímetro mais avançado da
obra. Nesta fase, as estacas, blocos e
pilares estão concluídos
e as vigas travessas estão com 96%
do total já pronto. As pontes rodoviária
e metroferroviária, trecho dois
da obra, tiveram seu andamento prejudicado
em razão da grande quantidade de
chuvas do mês de setembro. A ponte
metroferroviária está com
100% das estacas concluídas, 80%
dos blocos e 50% dos pilares. Já a
ponte rodoviária possui 100% das
estacas e 83% dos blocos prontos. No trecho
três, que corresponde ao
espaço entre as pontes e as futuras
instalações da Estação
São Leopoldo, depende do reassentamento
das famílias que vivem na Vila dos
Tocos. Um acordo entre a Prefeitura de
São Leopoldo e a Secretaria de Habitação
da cidade, juntamente com a Trensurb, vai
proporcionar a construção
das 50 primeiras casas emergenciais no
Loteamento Brás 3. A ação
irá permitir que as obras ganhem
ritmo e avancem dentro do cronograma. Entre
as futuras instalações
das estações Rio dos Sinos
e Liberdade fica localizado o trecho quatro.
Esta etapa está com 65% dos estaqueamentos
concluídos, bem como 61% dos blocos,
51% dos pilares e 39% das vigas travessas.
As obras da Estação Liberdade
estão com 100% dos estaqueamentos,
blocos e pilares concluídos e 18%
das vigas travessas. E o trecho cinco,
que corresponde à haste de manobra
desta primeira etapa da extensão
também já foi iniciado e
conta agora com 64% dos estaqueamentos
construídos, 20% dos blocos e 7%
dos pilares. No canteiro central, toda
a estrutura está finalizada. Além
da fábrica de vigas pré-moldadas,
que está em operação
desde 28 de agosto, a fábrica de
lajes pré-moldadas iniciou o funcionamento
no dia 14 de setembro. A conclusão
desta primeira fase e início das
operações
do metrô até a Estação
Liberdade deve acontecer em setembro do
ano que vem. O restante da obra será concluído
até dezembro de 2011.
Capital
Gaúcha - Com a vinda da
Copa do Mundo para Porto Alegre, alguns projetos,
especialmente na área de mobilidade
urbana, devem, obrigatoriamente, sair do
papel. Como estão as negociações
para a construção do Aeromóvel?
Marco
- As licenças necessárias
para a construção já foram
todas aprovadas pela Infraero (esfera federal),
Daer (esfera estadual) e Prefeitura de
Porto Açegre (esfera municipal).
A Trensurb aguarda a liberação
da verba para dar início à construção.
Após a liberação da
verba, as obras iniciam em 12 meses, porém,
não há data prevista.
Capital
Gaúcha - Temos acompanhado
nos últimos meses a tentativa da prefeitura
de Porto Alegre para obter recursos junto
ao governo federal visando a construção
da linha de Metrô da capital. Qual
a previsão de início da obra?
Existe algum temor da sua parte que o projeto
tenha seu andamento prejudicado por questões
políticas?
Marco
- A Trensurb sempre esteve empenhada
em ampliar sua rede, não só para
a conclusão da Linha 1, como está acontecendo
agora com as obras em São Leopoldo
e Novo Hamburgo, mas também para
a expansão para Porto Alegre. Defendemos
uma PPP para viabilizar esse projeto e,
se tudo correr bem, atender a demanda da
Copa do Mundo à realizar-se no Brasil,
em 2014.
Capital
Gaúcha - Recentemente
representantes da Trensurb, Ferroeste e
UFSC estiveram reunidos para discutir o
projeto de criação da Ferrosul.
Que resultados práticos foram obtidos
a partir desse encontro e qual a sua expectativa
com a implantação da mesma?
Marco
- Creio que a criação
da Ferrosul é o resultado mais contundente
de nossa contribuição nesse
processo. Continuaremos a colaborar tecnicamente
naquilo que for preciso e, entendemos que
a volta da ferrovia, com esse novo conceito,
deverá ampliar a rede ferroviária,
melhorar os serviços de transporte
e mobilidade.
Capital Gaúcha - Com
relação a conservação
e melhoria das estações já existentes,
gostaria que o sr. comentasse como vem
sendo desenvolvido o Programa de Revitalização
e Acessibilidade do Espaço Público
nas Estações e Terminais
de Integração. Algum destaque
em especial?
Marco
- O principal objetivo do programa é adequar
todas as estações à legislação
de Acessibilidade Universal para pessoas
com deficiência física. Os
trabalhos são acompanhados pela
Trensurb, através das gerências
de Projetos e Obras e de Mobilidade Urbana,
e executados na medida das liberações
orçamentárias anuais, por
empresas contratadas mediante processos
públicos de licitação. É a
maior intervenção nas estações
existentes, depois de 23 anos de funcionamento.
Os trabalhos já foram concluídos
na Estação Canoas/La Salle
e em fase de conclusão, agora em
dezembro da Estação Mercado.
Na estação Mercado, as obras
vão ampliar significativamente os
espaços comerciais, além
da construção de um novo
corredor que permitirá separar e
organizar os fluxos de embarque e desembarque.
Serão instaladas novas escadas rolantes
e elevadores. Já está concluído
e entregue à população
o arco de cobertura dos novos acessos construídos
na Praça Revolução
Farroupilha (escadaria na entrada de frente
para o prédio do INSS e rampa no
acesso de frente para o prédio da
Federasul). A nova rampa e a nova escadaria
de acesso à estação
receberam basalto e piso tátil,
além de corrimão adaptado
para orientar pessoas com deficiência
visual. Estas adequações
garantem mais segurança e conforto,
na entrada e na saída do sistema,
para todos os usuários. Também
já estão à disposição
dos usuários os novos sanitários
para as pessoas com deficiência e
fraldários. Os sanitários,
além de adaptados para o uso por
portadores de deficiência física
e visual, estão equipados com amplos
espelhos e materiais mais resistentes ao
uso público, com válvulas
de descarga com dispositivos anti-vandalismo
e com torneiras automáticas que
favorecem à economia de água.
Os novos sanitários foram projetados
para receber iluminação natural
durante todo o dia. Têm suporte para
apoio das mãos e espaços
maiores destinados à movimentação
de cadeiras de rodas. Também foram
construídos banheiros exclusivos
para os permissionários do comércio
da Estação. Os operadores
dos trens do metrô gaúcho
também ganharam novas e amplas instalações,
com salas de treinamento, de estar, banheiros
e vestiários exclusivos e cozinha,
o que melhora significativamente suas condições
de trabalho. Além disto, em breve,
deverão ser entregues novas áreas
comerciais, reformuladas e ampliadas significativamente,
incluindo a implantação de
um restaurante com vista panorâmica
para o Lago Guaíba. Uma área
de 70 metros da plataforma de embarque
teve as paredes substituídas por
vidro, abrindo uma ampla vista para o Lago
Guaíba. O salão principal
da estação também
receberá reformulação
dos espaços operacionais e comerciais.
Já na Estação Canoas/La
Salle, que foi a primeira das 17 estações
da Trensurb a ter as obras de modernização
e adaptação às normas
de Acessibilidade Universal concluídas,
a liberação aconteceu no
dia 12 de junho de 2008. As reformas incluíram,
também, a cobertura e iluminação
da passarela do lado Leste (junto ao Calçadão
da Rua Tiradentes). As obras foram realizadas
em oito meses, custeadas pela Trensurb,
através do Ministério das
Cidades. As ações realizadas
foram a implantação de piso
podotátil (para orientação
das pessoas com deficiência visual,
desde o acesso na passarela até a
plataforma); reforma dos sanitários
públicos da estação;
construção de novos sanitários
para pessoas com deficiência física;
instalação de corrimão
de aço inox no centro da passarela.
Também será trocado o painel
de sinalização do elevador
por um especial, em linguagem Braille,
para deficientes visuais. A cobertura da
Passarela do Calçadão
foi construída em arco metálico,
com revestimento em policarbonato. Nos
sanitários públicos, foram
construídas rampas de acesso e adaptações
para deficientes físicos que utilizam
cadeiras de rodas e, na parte interna da
estação, foi montada uma
cozinha para os funcionários. Ao
todo, as obras custaram R$ 561.642,92.
Em parceria com a Prefeitura de Canoas,
a Trensurb construiu, e também já entregou,
uma nova área comercial, no Calçadão,
sob a passarela da Estação
Canoas/La Salle. São 19 espaços
comerciais, que passaram a ser ocupados
pelos vendedores ambulantes que antes atuavam
espalhados no entorno da estação.