Entrevista - José Roberto da Silveira - Diretor Superintendente da DHB

O setor automobilístico brasileiro, graças a incentivos fiscais, passa por um bom momento. Contudo, apenas esse fator não é suficiente para manter uma empresa estável nesse mercado. Investimentos, serviços diferenciados e constante aperfeiçoamento são indispensáveis para manter-se competitiva e para que os efeitos de uma crise sejam sentidos de maneira mais branda. José Roberto da Silveira, Diretor Superintendente da DHB, componentes automotivos, fala dos últimos investimentos e lançamentos da empresa e de suas expectativas para este e o próximo ano. Confira isso e muito mais nessa entrevista exclusiva ao Capital Gaúcha.

Capital Gaúcha - Em relação aos efeitos da crise mundial. como eles foram sentidos, ou vencidos pela empresa?

José Roberto - O setor de autopeças está inserido em um mercado globalizado com a competição acirrada de empresas multinacionais. Mesmo neste cenário, a DHB consegue competir e se destacar. Por ser de menor porte que seus concorrentes e dedicada somente a sistemas de direção, a empresa consegue desenvolver soluções de forma customizada às necessidades de seus clientes com maior velocidade, o que lhe dá diferencial competitivo. Outro fator positivo é a agilidade na tomada de decisões, proporcionando maior rapidez em projetos de investimento. Em 2008, o faturamento apresentou leve crescimento no mercado interno, mas no total chegou a R$ 344 milhões, abaixo dos patamares de R$ 351 milhões de 2007. A queda se deve à redução expressiva das vendas registrada no último trimestre do ano. A produção ficou aproximadamente 9% inferior ao volume de 2007, considerando mecanismos de direção e bombas hidráulicas, chegando a 2,146 milhões de peças.

Capital Gaúcha - A DHB concluiu em tempo recorde de 7 meses a implantação da primeira fase do sistema de gestão empresarial ERP da SAP, com um investimento inicial de R$ 3 milhões. Quais os próximos passos e que benefícios serão gerados a partir da implementação total desse novo sistema?

José Roberto - Os benefícios obtidos com a implementação do SAP foi melhorar a competitividade, aumento da eficiência operacional no processo de produção, redução no ciclo de venda, redução do nível do estoque e dos custos de logística, ampliação da rastreabilidade dos produtos, unificação de processos comerciais com a área de reposição e de atendimento a montadoras, além do maior controle e agilidade das informações. A próxima etapa prevê a implantação de outros módulos avançados do sistema a fim de proporcionar uma interação total com fornecedores, CAD, engenharia e projetos. A integração desses sistemas poderá ampliar as possibilidades de negócios da DHB frente às montadoras, tanto no Brasil como exterior.

Capital Gaúcha - Recentemente a DHB anunciou ter desenvolvido um conceito inédito de sistema de direção com assistência elétrica voltado a veículos 1.0, 1.4 e 1.6. Quais as principais diferenças e benefícios dessa nova tecnologia?

José Roberto - O sistema é dotado de dispositivo de direção elétrica acionado de forma adaptativa com a velocidade do veículo. É econômico e fácil, e auxilia o motorista em situações de manobra. Na prática, o motorista terá a mesma comodidade oferecida pelo sistema hidráulico ao estacionar. Além disso, testes veiculares comparativos e em condições técnicas controladas, mostram que veículos da mesma marca e modelo com motorização 1.6 ofereceram economia de 7%, quando abastecidos com álcool hidratado em comparação a um veículo com direção hidráulica convencional. Outra vantagem é que, por ser equipado com quantidade menor de componentes do que a direção hidráulica, a montagem torna-se mais simples e rápida, inclusive para realizar a troca da peça ou instalação em um veículo sem assistência na direção.

Capital Gaúcha - No início deste ano, a DHB realizou um acordo de intenções com a alemã Ixetic, um dos líderes mundiais fabricantes de bombas hidráulicas e de vácuo para indústria automotiva, buscando expandir seus negócios na América Latina. Como esse plano de expansão vem sendo desenvolvido pela empresa? Existe alguma nova parceria já concretizada ou sendo trabalhada focando essa expansão?

José Roberto - A DHB está sempre atenta aos movimentos do mercado global e procura desenvolver parcerias que tenham sinergia com seus negócios. O acordo com a Ixetic tem o intuito de expandir o portfolio de produtos da América Latina e também de desenvolver mercado em outros continentes, visando reduzir esforços comerciais e minimizar investimentos.

Capital Gaúcha - Esse ano, a DHB recebeu o prêmio GM Supplier Merit Awards na categoria Chassis e o Prêmio Exportação da ADVB. A que se deve creditar esse reconhecimento por parte do mercado e da mídia?

José Roberto - Essas premiações são um reconhecimento à consolidação de um trabalho permanente em busca da qualidade, inovação e das melhores parcerias e soluções para os clientes. É uma conquista de todos os profissionais e fornecedores da DHB, demonstrando a capacidade da empresa de se adaptar às demandas do mercado.

Capital Gaúcha - Após um período turbulento da economia, qual a sua expectativa para o restante desse ano e para 2010 em relação ao setor automotivo?

José Roberto - O ano de 2009 será semelhante ao de 2008 para a DHB. A empresa manteve sua produção destinada ao mercado nacional, superando as expectativas iniciais. Contudo, as exportações tiveram uma queda acentuada. Para 2010, é previsto um aumento de mais de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o que sinaliza um cenário positivo para o setor automotivo que, historicamente, cresce acima do PIB. Nossa expectativa é que de 2010 seja um ano melhor para o mercado brasileiro e também para o mercado internacional, com a retomada dos pedidos. Ao mesmo tempo, a DHB consolidará novos negócios desenvolvidos neste ano para clientes como Volkswagen e Renault.