A
Braskem, maior indústria petroquímica
da américa latina, iniciou neste
ano a construção de uma
fábrica de polietileno verde, com
sede em Triunfo, RS. Com um investimento
de R$ 500 milhões a unidade, que
localizada ao lado da linha de petroquímicos
básicos da companhia, terá
capacidade anual de 200 mil toneladas
do chamado "plástico verde".
Saiba mais sobre este e outros projetos
da empresa na entrevista com João
Freire, gerente de relações
institucionais da Braskem no estado. |
Capital
Gaúcha - Com um investimento
de meio Bilhão de Reais, a Braskem deixa
bem claro que pretende mudar a matriz de fornecimento
do plástico consumido pelo pólo
petroquímico de Triunfo. Mesmo em se
tratando de uma região importadora do
insumo básico, etanol de cana, vale a
pena?
João
Freire - A Braskem está adicionando
uma nova fonte de matéria-prima, o etanol
e com isso o eteno verde para produzir o PE
Verde. Como temos uma infra-estrutura industrial
adequada na região, vale à pena
mesmo tendo que trazer o etanol na fase inicial
do projeto, de outras regiões do país.
Capital Gaúcha - Em
quanto tempo se matura o fornecimento?
João Freire - O etanol
consumido no RS já vem todo de fora do
estado. Já existe uma logística
instalada para o abastecimento do estado do
RS. A Braskem já é consumidora
de etanol para produção de ETBE,
aditivo para a gasolina no exterior, e também
já tem a logística adequada. O
projeto terá início de sua operação
no último trimestre de 2010 e o fornecimento
do etanol estará implantado para a operação.
Capital Gaúcha - Há
expectativa de crescimento na produção
local a partir desse novo grande comprador?
Em quanto tempo a região poderia tornar-se
a principal fornecedora?
João Freire - Sim, há
expectativa e apoio ao desenvolvimento do setor
sucroalcooleiro no RS. Os custos logísticos
e fiscais seguramente contribuirão para
a atratividade do investimento na região
do RS, agora com áreas definidas para
o cultivo da cana de açúcar. Imagina-se
que sejam necessários de 3 a 5 anos,
após a decisão de investimento
no setor, para que o RS possa ter oferta local
de etanol em volumes significativos em relação
ao consumo.
Capital
Gaúcha - Apesar do plástico
ter uma das poucas cadeias completas, desde
a transformação à queima
final, dependendo apenas da reciclagem, até
agora é mal visto pelos ambientalistas.
O plástico feito a partir do etanol pode
ser a ferramenta necessária para quebrar
esse paradigma?
João Freire - Sem dúvida.
O PE Verde tem um benefício ambiental
medido pela análise do ciclo de vida
do produto que faz com que o mesmo tenha um
resultado de captura de Carbono da atmosfera,
CO2, com isso ele trará maior receptividade
a sua utilização, como temos visto
em nossas divulgações internacionais
do produto.
Capital
Gaúcha - Além deste investimento,
existem outros programados para a operação
em solo gaúcho?
João Freire - A Braskem
está presente no RS há mais de
duas décadas, através de empresas
que lhe deram origem, mas em razão do
seu "low profile" isso não
tinha ficado gravado na mente dos gaúchos.
Mas bastou nos fazermos conhecer junto à
população para que se compreendesse
a extensão do nosso compromisso com o
Estado. A Braskem se comprometeu a investir
no RS R$ 1 bilhão nos próximos
três anos, sendo que a planta de eteno
verde representa metade desse valor.
Capital
Gaúcha - Já se fala na
elaboração de embalagens cuja
reciclagem será feita por ingesta alimentar,
seja de animais, como seres humanos. A Braskem
já pesquisa essas possibilidades ou os
custos ainda não justificam o investimento?
João Freire - A Braskem
estimula a reciclagem das embalagens, desta
forma teremos a solução ambiental
mais favorável.
Capital
Gaúcha - O pólo petroquímico
de Triunfo é uma fonte de empregos de
alta linha, no RS. Antigamente se dizia que
quando um gigante como a Braskem muda uma linha
é para diminuir o número de vagas.
Tudo indica que dessa vez seja o contrário,
afinal todo um setor que possui movimentação
relativamente pequena no estado cria uma importância
fundamental para o sucesso da nova operação.
Os gaúchos podem apostar nessa espectativa?
João Freire - É
a aposta que a Braskem está fazendo.
Estamos abrindo um consumo novo de etanol no
Estado do RS e incentivando o crescimento de
toda a cadeia produtiva. Interessa-nos que se
crie na região um fornecimento local,
com investimentos e geração de
empregos naturais do setor.
Capital
Gaúcha - Por último,
o mundo inteiro se posiciona de forma ambígua
quanto ao uso do plástico: todos falam
mal, mas ninguém vive sem ele. O que
as novas gerações podem começar
a pensar do produto a partir da colocação
no mercado de um plástico que não
depende de combustíveis fósseis,
mas de um insumo sustentável que ainda
pode trazer muitas divisas internacionais para
o Brasil?
João Freire - De fato,
há muita controvérsia em relação
aos plásticos. O que a sociedade terá
neste caso é um plástico que ajuda
a reduzir o efeito estufa, pois captura e fixa
CO2 da atmosfera e tem sua matéria-prima
garantida para o futuro, enquanto conseguirmos
realizar fotossíntese no planeta. Adicionalmente,
este plástico possui todas as qualidades
de um plástico de alto desempenho, contribuindo,
por exemplo, para preservar a qualidade dos
alimentos que ele vai embalar, ou reduzir o
peso e o consumo de combustível de automóveis,
pela substituição de materiais
mais pesados.