A
Kia do Brasil recém colocou
no mercado o revolucionário
Soul, com
design e estilos voltados
para um público mais
jovem, já soltou a nova versão
do Cerato. Com longa história
no mercado automotivo gaúcho,
o Diretor da
Kia
Sun Motors, Jefferson
Fürstenau,
fala
com exclusividade
ao Capital Gaúcha
sobre os lançamentos
da marca, planos de expansão e conta como
a montadora conseguiu
se desvincular da imagem de "veículo
paraguaio". |
Capital
Gaúcha - Fale
do seu histórico
e de como foi esse caminho até a
Kia e a essa loja que é sucesso
nacional da marca no país
em vendas e qualidade.
Jefferson
- Bom, meu pai era sócio
de uma concessionária DKV, que se
transformou em Volkswagen em 1966. Eu tive
o priviégio
de me criar dentro de uma concessionária
Volkswagen, fiz treinamento para vagas
de sucessão
dentro da empresa e trabalhei em uma concessionária
da marca de 1986 a 1991. Nesse meio do
caminho, tive a sorte e a felicidade de
acabar ficando
em terceiro no plano de sucessões
que a empresa estava realizando. Para a
minha infelicidade
em 1991, nós tentamos comprar a
parte do sócio do meu pai, pois
chegou no momento da sucessão e
apareceram cinco da minha geração
e nós
sabíamos que isso não ia
dar certo. Então ou nós compravamos
a parte do sócio maior ou a gente
saía. Eu fui o primeiro a sair ainda em
91, tendo
o meu pai ficado ainda por mais um período,
vendendo a sua parte posteriormente e também
saindo. Nesse mesmo ano eu montei uma loja
de automóveis usados multimarcas.
Fui de 1992 a 1994, se não me engano,
presidente da Associação
dos Revendedores de Automóveis Usados
do RS. Em 1995, eu me sentia aposentado
dentro de uma loja
de automóveis. Quem nasce com a
cultura da concessionária é difícil
de você se adaptar para trabalhar
com veículos usados. Ai surgiu uma
proposta para trabalhar aqui na Sun Motors,
que já existia,
onde na verdade eu cheguei para encerrar
as atividades da mesma. Ela era uma concessionária
de um grupo paranaense, que estava em um
péríodo
muito ruim, onde a alíquota de importação
tinha saído de 20% para 65%, a concessionária
tinha tido alguns problemas de administração
na gestão anterior. Então
eu fui contratado para arrumar a casa e
fechar
ou arrumar a casa e vender. Levamos um
ano e pouco para arrumarmos a casa, isso
ainda
em 1995, onde a concessionária foi
colocada a venda e acabou não sendo
vendida. Então, a própria
Kia do Brasil administrou a situação
para que eu e o meu pai, como sócio,
comprássemos
a revenda em 1997. Com isso nós
nos tornamos a segunda concessionária
de importados mais antiga do Brasil e pegamos
todo o período de rejeição
da entrada de veículos coreanos,
que eram comparados aos paraguaios. Então
nós tivemos que criar alguns instrumentos
de defesa, muitos deles vieram da cultura
que nós tínhamos dentro da
concessionária
Volkswagen, como por exemplo estoque de
peças.
Nosso estoque sempre foi maior do que o
necessário.
Hoje as concessionárias tem uma
grande preocupação com a
rentabilidade, então tu tens que
ter um estoque muito elevado para tu teres
de três a quatro
giros no ano. Nossa preocupação
não era essa, mas sim ter um estoque
para atender à demanda e não
deixar o carro parado, já que existia
toda a fama de importado. Então
foi um trabalho que foi feito em dez anos,
de 1995
quando eu entrei a 2005, preparando a marca
para o crescimento. Então com a
entrada dessa linha nova, Sorento, Sportage
nova e
outros o paradigma de veículos coreanos
iguais a parauaios terminou. A Kia ficou
altamente modernizada e tecnológica
também,
colocando um carro novo no mercado a cada
cinco meses e a gente simplesmente aproveitou
a onda
para surfar dentro desse trabalho que vinha
sendo feito. E ai nós fizemos uma
proposta um pouco diferente também.
Quando tu é pequeno,
e no nosso caso nós sempre fomos
pequenos, é muito
difícil de tu entrar nos grandes
veículos
de mídia e fazer uma exposição
forte, nós trabalhamos a periferia,
a mídia avulsa, canal 20, jornais
paralelos, feiras, eventos, que são
mais trabalhosos, mais cansativos, e que
te dão um resultado
menor, mas com isso é possível
adequar o teu investimento ao teu volume
de vendas e acho que com isso nós
conseguimos pulverizar uma mídia
toda da Kia, da Sun Motors e com os carros
que sobraram a gente
só aproveitou a onda para crescer
junto.
Capital
Gaúcha - Hoje na nossa
chegada percebemos que a loja estava abarrotada,
com
todos trabalhando muito. Existe uma pretensão
de ampliar os espaços ou mesmo se deslocar
para outro?
Jefferson
- Nós já temos
uma filial que tem toda a área
técnica,
aqui mesmo na Ipiranga. Ela está em
fase final de construção
e acredito que em mais 60 ou 90
dias para terminar
todo o prédio e construir
tudo, inclusive uma recepção,
para que possamos desafogar um pouco
aqui. De
outra parte, nós
estamos negociando com a Kia sobre
a possibilidade de colocarmos mais
uma concessionária
ou alternativas para que a marca
continue o seu crescimento.
Capital
Gaúcha - Mas
vocês não
pretendem abrir mão da praça,
compartilhar a operação Kia, não
é mesmo?
Jefferson
- Essa determinação é da
Kia, nós não podemos interferir.
Mas que nós não queremos
abrir mão da praça, isso é inegável.
Capital
Gaúcha - Mesmo
com a tendência em grandes
cidades como Porto Alegre, de
ter mais
de um ponto de venda?
Jefferson
- Exatamente. Agora
eu vou te falar uma coisa diferente.
Visto a forma
como a gente trabalha, visto a forma
como a Sun Motors já está aqui
há bastante
tempo, nós temos outras marcas
que vendem a nível nacional
mais do que a Kia e que tem das concessionárias
aqui em Porto Alegre, mas vendem
menos do que a Kia
no estado e na capital. Então,
nem sempre quantidade de concessionárias
quer dizer qualidade de vendas ou
volume de vendas. O
que a gente acabou fazendo aqui:
com essa possibilidade de ter uma
praça onde
a Sun Motors atuava, que era Porto
Alegre, acabamos fazendo um trabalho
de marca também. E esse trabalho,
se fosse dividido em duas concessionárias
diferentes, iria ficar um pouco prejudicado.
Capital
Gaúcha - Como
funciona o atendimento do cliente do interior?
Jefferson
- Nós temos técnicos
que se precisar vão ao interior,
se precisar eu busco carro no interior
e além
disso nós fazemos atendimento por
agendamento. E como estamos em uma capital,
tu sempre tens
a possibilidade de vir algo em torno de
uma vez por mês. Então pelo
agendamento nós abrimos a oficina
inclusive aos sábados para atender
principalmente o pessoal do interior.
Capital
Gaúcha - Onde é que
a Kia se insere dentro do novo
pedestal de sonho e desejo do
consumidor brasileiro?
Jefferson
- Bom, eu acho que a
Kia conseguiu solidificar a marca
a ponto dela depespertar
esse desejo, que é a parte
mais importante. O que ela busca
hoje? Aumentar
ou ter a sua
participação de mercado
acima de 1%. Para isso que ela ofereceu
essa
gama, onde hoje nós temos
11 produtos que atuam numa faixa
entre R$ 35mil
A 180mil
Reais. É a segunda linha mais
completa do Brasil, com apenas uma
montadora nacional
que dispõe de uma variedade
maior de veículos do que a
Kia. E dentro de cada um dos nichos
e segmentos a Kia
vem trabalhando
para ampliar a faixa de consumidores.
Se tu olhares a proposta da marca,
ela sempre
a intenção
de atingir um público jovem,
um público
novo, que não seja extremamente
tradicional.
Capital
Gaúcha - É ai que entra
o lançamento do Soul?
Jefferson
- Exatamente.
Uma nova quebra de paradigmas.
Capital
Gaúcha - A ser
lançado na Europa, o Soul chamou
a atenção
pelo novo formato, que é ousado
e já virou
tendência no velho continente,
com outras marcas utilizando esse
formato e também
pela excelente aceitação
do público
jovem, com uma quebra de conceito.
Aqui a visão é a
mesma?
Jefferson
- É uma quebra
de conceito pelo estilo do carro.
Agora, ele se adaptou
ao meracado europeu por ter uma cara
diferente, o europeu gosta de
veículos que
fogem de linhas tradicionais. O Picanto
já era
um veículo que também
obteve um tremendo sucesso por lá e
o Soul agora complemementou, sendo
que o Soul é a
primeira versão desse tipo
de carro, é uma
novidade completa do que está acontecendo
em termos de design de automóveis.
Tanto que tu não consegue
definir ele nem como "crossover",
nem como "sub",
nem como 3
volumes, tu não consegue.
E ele busca exatamente um público
de espírito
jovem, de estilo, que é a
proposta do Soul.
Capital
Gaúcha - Dentro desse perfil
jovem, quais seriam os principais atrativos
do Soul, além desse design mais europeu,
considerando também a sua faixa de preço?
Jefferson
- O estilo e o design com
certeza são o mais imporantante,
o maior diferencial do carro. Depois,
se formos averiguar equipamentos,
ele tem um motor 1.6 com desempenho fantástico,
com 124 cv, quando a maioria dos motores
hoje tira 110, 115 cvs, ou seja, um motor
mais elástico.
Por ser 1.6, ele é um carro econômico
e conta com a opção de câmbio
automático, que a indústria
nacional ainda não explora muito.
Além disso,
ele tem a opção de roda aro
18, o que não comum em um
carro com esse tamanho, uma câmera
no
espelho retrovisor para estacionamento
que também é um
dos grandes diferenciais do veículo.
Capital
Gaúcha - Essa
tendência
de chegar ao Brasil já com
o seu volume maior, por exemplo,
em função
de um espaço maior disponível
aqui do que nas ruas européias,
onde ele concorre diretamente com
o C3 Picasso,
que também é um carro
bastante pequeno, com versões
de rodas em aro 14 e 15. Essa possibilidade
existe no mercado
brasileiro?
Jefferson
- Nós temos uma versão
do Soul com roda aro 16. Quando falamos
em diferenciais, o que chama a atenção é alguma
coisa de estilo e o brasileiro aparentemente é mais
apaixonado por carro do que o europeu,
tanto é que
ele cuida muito mais do seu carro do que
o europeu, que se sintoniza muito mais
com um
grupo de carros do que com o seu carro,
com a identificação visual
dele, seguindo um perfil. Já o brasileiro
tem essa característica de personalizar
o veículo. Por isso, o Soul vem
com a possibilidade de rodas aro 16, um
aro menor,
não tão preocupado com o
espaço,
até por que o que pode mudar um
pouco em relação a um aro
16 ou 18 é a
forma de dirigir ou até as respostas
de suspensão e motorização
pelo tamanho diferenciado da roda.
Capital
Gaúcha - Nessas primeiras semanas,
como foi a aceitação do Soul
por parte do consumidor gaúcho?
Jefferson
- A resposta foi que
em 4 dias nós vendemos
31 carros, o que para um veículo
importado e recém
lançado, eu acho que é um
número
extremamente favorável. Pela
primeira vez desde que eu estou com
a Kia, e aí
já se
vão 15 anos, a marca acertou
no produto, no estilo, na forma de
lançamento,
no treinamento das equipes de venda
e acertou no preço do carro,
que está mais
do que justo e em comparação
com outros da faixa, poderia até estar
mais caro.
Capital
Gaúcha - Qual a previsão
de vendas desse veículo até o
final do ano? Até em função
da manutenção da redução
do IPI, vocês trabalham com algum número
ou ainda é muito cedo para prever algo?
Jefferson
- Quando o carro foi apresentado
para a rede de concessionárias em
junho, prevendo o lançamento para
o final de julho, a Sun Motors fez uma
previsão
de 300 carros, o que seria 50 carros por
mês.
Hoje a gente se pudesse já aumentaria
esse pedido ai em mais 20%. Se houvesse
chance e tempo.
Capital
Gaúcha - E ao mesmo tempo
o Cerato também faz sucesso. Quais
as principais diferenças da versão
2010 em relação ao modelo 2009
do veículo?
Jefferson
- Design. Tudo isso passa
pela caneta de um cara chamado Peter Schreier,
que é o homem que está revolucionando
a marca Kia, que se tu observares hoje
estão
todos com a mesma cara, com a grade e os
faróis
diferentes, que procuram demostrar o "olhar
do tigre", pelo menos essa é a
idéia. Além disso, os vidros
laterais traseiros são menores,
as portas maiores, o que dá um aspecto
de segurança
maior e també o teu impcacto visual.
As vezes quando tu tens um visual muito
forte atrás, o teu campo de visão
a frente fica menor e como esse carro vem
aumentando
o campo de visão, ele te dá um
amplitude lateral e de frente muito grande
e é isso que tem acontecido nos
novos carros e novos designs. No Magentis
novo ele
já está assim, no Soul ele é assim
e no Cerato novo também. Então é um
sedã que tem um impacto visual e
um preço altamente competitivo.
Se tu olhares hoje dentro do meracado de
sedãs e três
volumes, que é o mercado mais concorrido,
a Kia é a única que trouxe
uma novidade efetiva, um carro totalmente
redesenhado,
inclusive mudando a plataforma dele.
Capital
Gaúcha - E o sedã está com
uma aceitação tão boa
quanto o Soul por parte do consumidor?
Jefferson
- Não na mesma proporção,
pois o impacto do lançamento do
Soul foi muito maior. Nós lançamos
o Cerato pois havia um temor de que faltasse
carro, pois a programação
de lançamento era para o mês
seguinte. Então a resposta não
foi tão
rápida, mas ela está sendo
muito boa. Com o Cerato, não foi
possível
fazer toda uma programação
maior, uma compra maior, para dar o mesmo
impacto.
Capital
Gaúcha - Essa autenticidade
do fabricante Coreano em afirmar que se baseia
e copia muitas coisas de outras marcas, como
por exemplo, um modelo de luxo da Kia que é nitidamente
inspirado num modelo tradicional de usuário de
carro sofisticado. Isso dá a
entender que foi mais um acerto da
marca?
Jefferson
- A Kia tinha uma caracerística,
uma visão perante o povo,
de ser uma marca de utilidade. Como é que
tu quebras esse paradigma? Com um
carro diferente, com
um carro conceito. E tu tens duas
formas de fazer isso: ou tu colocas
uma coisa
totalmente
nova, sem histórico e com
um risco maior de errar, ou tu colocas
algo que
já existe,
que é o caso do Opirus, que é o
carro do qual estamos falando, que
puxa características
de três carros de marcas inglesas.
Com isso se trás aquilo que
tem de bom que tem nessas marcas,
coloca num
automóvel
e traz com um preço mais competitivo
e isso ao longo do tempo, depois
do carro ser batizado, lançado
e conhecido, vai dando status para
o mesmo. Então
o Opirus também faz parte
desse divisor de águas
que nós falamos em 2005, junto
com outros veículos da linha
nova, sendo o primeiro carro que
fugiu da linha de
utilitários,
onde a Kia tinha uma tradição
muito forte. E podemos dizer que
ele foi um gol, pois ele impactou
justamente por
ser parecido
com carros de alto status e de alto
valor, custando um terço desses
carros. E essa é uma
relação de custo beneficio,
trazer coisas boas, coisas novas
com um custo melhor
do que tu tens no mercado.
Capital
Gaúcha - Hoje, no seu conceito
e no da Kia do Brasil, vocês já conseguiram
entrar definitivamente no imaginário
do consumidor brasileiro? O que ainda precisa
ser feito e quais as próximas grandes
jogadas que o público pode esperar?
Jefferson
- Eu acho que esse salto que
a marca deu em 2009, atuando muito forte
na linha do marketing, principalmente
do marketing
esportivo, patrocinando a Copa do Brasil
do ano passado, patrocinando competições
de tênis, ela já consegue
entrar no imaginário como desejo
do brasileiro, que deseja mais automóvel
do que casa. O que nós podemos colocar
como próximo
passo: a Kia avançar a marca do
1% do share, que é o que ela almeja
de alguma forma preencher todas as lacunas.
Hoje ela
tem uma rede de mais de 100 concessionárias
no país. Hoje tem algumas áreas
no interior do RS que podem e devem ser
preenchidas. Acredito que esse seja o próximo
projeto da marca para o mercado nacional,
para que
ela consiga solidificar esse aumento da
participação
de mercado, cruzando a marca do 1%, indo
para 1,5%, algo que é atingível,
até por
que o consumidor realmente comprou a marca
com carinho.