Entrevistas - John Holmes

por Marcelo Vianna

John Holmes é Vice Presidente Executivo do grupo mundial J.W.Thompson, além de ser o Presidente da agência para América Latina e Caribe. Nascido na Inglaterra, passou pela Espanha, França, Portugal antes de vir parar em Paraty, onde mora até hoje - e que diz adorar.
Nessa entrevista realizada na sede da subsidiária gaúcha, a DCS, Holmes fala sobre os planos da agência, as perpectivas do mercado públicitário latino-americano e do status da nossa publicidade frente uma agência de porte mundial.

PontoComPress - Fale um pouco da situação do mercado publicitário na América latina

John Holmes - O ano de 2002 pode ser um dos mais complicados desse ciclo. Dos anos 80 p/ cá houveram melhoramentos de níveis culturais. A região é de muita turbulência, e a situação vai mal em vários países. Até certo ponto é um desafio. Os paises daqui estão muito juntos com o mercosul, estão unidos, assim como a economia do México está ligada totalmente a dos Estados Unidos em termos de exportação importação, dependência de economia. Corremos aqui um certo risco com a proximidade da Argentina. O Brasil tem ido impressionantemente bem em evitar o contágio de Argentina. Chile também, com sua abundância de capital, tem conseguido evitar esse contágio. A maior preocupação na América do Sul é com Caracas, que está totalmente parada - nossa gente não podia entrar nos escritórios, e o povo lá povo não se mexe, não toma atitude - isso é bom ou mal? De uma certa forma é uma demonstração de que a democracia existe, mas é um pouco difícil produzir anúncios quando não se pode entrar nos escritórios. Eu pessoalmente tenho muita preocupação com a situação na Colômbia, a economia até esta bem mas o país está sofrendo uma grave situação política-social e é preocupante ainda mais agora com a chegada da época de eleição - mas ainda o maior incógnito da região é a Argentina. Não sei o que vai acontecer. Já nos reunimos com equipes, já consultamos experts mas é uma situação política que vai afetar todos os negócios. Não tenho comigo agora mas numa palestra em Londres eu mostro o problema específico da moeda. Há também cinco outras moedas circulando lá. Entre as 24 outras províncias na Argentina, 19 estão usando sua própria moeda - circulam nas províncias p/ que se possa pagar pelas gastos dentro da província e os clientes estão aceitando. Mas quando se tem outras moedas circulando que não são oficiais isso pode mexer na estrutura de preços, gerar inflação, e alguém precisa ser pago com essas moedas. Pagam os produtos, os fabricantes, e o fabricante tem que utilizar isso e tem que se pagar o imposto. Acho que existe um circulo vicioso ainda, mas é um incógnito.

Eu acho que os próximos seis meses são críticos e o que faz uma empresa numa situação dessas? Obviamente conter os custos. Precisa prender um pouco do capital, e isso é um grande problema. O Brasil para Thompson é sem duvida o mercado mais importante da América latina. O Brasil é o país que está entre os 4 mais importantes do mundo em que Thompson atua - atuamos em mais de 70 paises do mundo. É um dos líderes da Thompson hoje em dia em termos de qualidade, inspiração e mercado. E por quê? A economia vai bem comparada com economias internacionais e os efeitos de 11 de setembro não atingiram os negócios em si. Afetou de outras formas, mas não sentimos um efeito dos negócios no Brasil. E isso foi diferente nos EUA e vários outros países.

PontoComPress - Quais são os três primeiros mercados já que o senhor disse que o Brasil é o quarto?

John Holmes - Bom, EUA é o primeiro, evidente. Inglaterra é o segundo, Japão é o terceiro e Brasil e Índia em termos de tamanho são mais ou menos similares. A índia é um país com 1 bilhão de pessoas e na índia Thompson tem um bom resultado de mercado. Tem uma história longa em toda parte da índia - a índia é um continente. Então por isso o Brasil se equipara a Índia. E o Brasil é um mercado desenvolvido - os ingleses usam a expressão, "developed and underdeveloped" mercado e Brasil é um mercado considerado nesses padrões... Mas até certo ponto é mais desenvolvido em muitos aspectos na área de comunicação do que México e pode ser comparado com qualquer outro país como Inglaterra, Alemanha, Eua - até certo ponto - e Japão. O mercado brasileiro está muito bom em termos de crescimento. A América latina nesses tempos vive uma situação complicada e o Brasil mantêm sua situação muito bem, estamos bastante otimistas com o mercado. Para o México está muito bom o crescimento. Mas são incógnitas Venezuela, Colômbia, Argentina, mesmo o México. E existe uma possibilidade de uma contração nesses mercados.

PontoComPress - O senhor falou que o Brasil que o Brasil é o quarto mercado, quais as possibilidades de crescimento. O senhor tem uma estimativa?

John Holmes - Sim, a razão que estou aqui na DCS., aqui em Porto Alegre, é porque o Brasil para Thompson tem crescido muito. Outras agências como em são Paulo, com grandes cliente, outra no Rio - uma das maiores da Thompson. E decidimos que clientes e anunciantes que são empresas multinacionais poderiam ser clientes a nível global com Thompson. Nosso interesse com DCS. é que os clientes da agência como Tramontana e tem planos de expansão global, Thompson pode lhes servir, e Thompson pode servir para DCS. como ponto para outros mercados. Dessa forma Thompson poderia crescer com mais serviços dentro do país. Thompson tem clientes locais muitos fortes como Ford, Unimed, Banespa, etc, e Álvaro Novaes, presidente da nossa operação no Brasil, quer desenvolver mais o crescimento no Brasil p/ que o país torne-se o segundo maior mercado de Thompson. Isso é possível atualmente. Temos uma participação como chefes-executivos em DCS., temos também agência em Curitiba, a Máster, e estamos em processo de compra em Salvador, Belo Horizonte e Recife, e em final de maio eu espero confirmar como compra. E por quê? Porque sentimos que Thompson por ir para mais vantagem, mais eficiência, Thompson é mais inspiração, estimulação a todos e mais possibilidades de carreira. Desculpe se retorno ao Chile, mas o Chile tem um bom capital humano e Thompson quer melhorar sua operação lá, mas não a área, há saturação. Agora temos argentinos exportados para Porto Rico e dois por aqui, tem mais dois na Inglaterra e uma na Espanha. Existe a possibilidade em Thompson de passar por outros países. Sou inglês, comecei na Inglaterra com 20 e poucos anos, Fui pra Portugal, de Portugal para Espanha, da Espanha para França, da França para Chicago, de Chicago para Chile, de Chile para México, e agora graças a Deus tenho casa em Paraty. Então eu sou um "soldado" de Thompson. Cada país tem um idioma e cada idioma tem uma alma, e a coisa que mais interessa para Thompson é criar essa interdependência para melhorar o mundo. Pois se nos entendemos melhor, entedermos outras posturas, outros pontos de vista, outros povos, outra nacionalidade, poderemos viver num mundo melhor.

PontoComPress - O senhor é responsável pela Thompson na América latina e Caribe. As vezes o senhor me passa uma certa apreensão, fala em turbulência, uma certa insegurança com alguns mercados da América latina, e um pouco de otimismo com relação ao Brasil.

John Holmes - Brasil, México, Chile e Peru estão indo bem.

PontoComPress - Qual é a linha que o senhor estabelece como geral? Qual é a ordem geral "vamos devagar, vamos com cuidado"?

John Holmes - Vamos concluir com muito cuidado, mas ao mesmo tempo estamos estudando possibilidades de compra não só no Brasil mas no Chile, Venezuela. Este ano é um ano turbulento sim, um ano em que cada local tem que cuidar de suas finanças com muito cuidado.

PontoComPress - O senhor falou que a Thompson tomou algumas medidas para evitar contágio, quais as medidas que uma agencia de publcidade pode tomar para evitar esse tipo de contágio?

John Holmes - Acho que o tema principal é limitação de custos. Como e quando um cliente utiliza o dinheiro para cobrança. Cobrança em circunstâncias de interferência. A essa é acircustância na Argentina. É importante para as pessoas da gerência dar mais tempo a coisas peracionais ao invés de tempo para crescimento do negócio do cliente. Como a década de 80 em que qualidade de gerência naqueles anos de muitas inflações mexia muito conforme os momentos de crescimento. Não precisa grande cuidado com o negócio aqui como na Argentina.

PontoComPress - Qual o negócio aqui hoje?

John Holmes - É um negócio em expansão, um negócio onde os clientes da Thompson precisam mais serviços de comunicação, produzir anúncios, mais comunicação por internet, promoção, incentivos para estimular vendas, um serviço empresarial de Thompson que é muito mais "comunicação total".

PontoComPress - O mercado brasileiro tem uma variedade de mercados de comunicação - não é só a TV, é internet, é rádio. Eu já escrevi textos para rádio. Rádio é uma coisa que envolve mais emoção, digo até que é mais vivo que televisão. Eu acho que aqui no Brasil um grande desafio para as agências de publicidade é a produção de idéias que vão trespassar e se executar em todos os meios para que uma marca seja totalmente divulgada ,em todos os aspectos de comunicação. E isso vai ser feito como, como vai se fazer isso? Uma mensagem, muitas vezes produz dentro das agências dois anúncios para um meio e não uma idéia que complemente uma marca e possa ser trespassada e interpretada igual em todos os meios. Por exemplo, Marlboro é uma grande empresa, é o cowboy... Diamantes - diamonds are forever - é contagioso, é o que passa diamantes. Como conseguir isso, como organizar recursos, como conseguir inovar não só na agência mas também junto com os clientes.

PontoComPress - Como a Thompson trabalha com as verbas e com clientes com tantas mídias?

John Holmes - Primeiro é a planificação de utilização de verba. É importante uma verba de comunicação que é multifacetada. Estamos em estudo continuo com relação ao direionamento de verbas e como produzir mais impacto. Na distribuição de verbas muitas vezes ignoram-se certos meios, mas hoje já temos os estudos que obtemos do impacto de verbas de meios, para as verbas. Existe o registro de vendas agora, e o de vendas futuras, e da mescla de meio. A mescla na utilização de verbas garante um maior impacto nesse negócio. Cada meio tem seu fim, seu caráter na construção total do impacto e da continuação da recordação da marca. Acho que novamente as pessoas não estão conscientes de onde devem emitir as mensagens. Uma das coisas que estamos estudando na América latina é definir de onde provém os impactos e a contribuição de cada impacto produzido pelo meio. E então mesclar isso com análises de distribuição de verba.

PontoComPress - A Thompson vê a internet funcionando no Brasil como um bom mercado?

John Holmes - A internet no Brasil é sem dúvida a mais desenvolvida e mais utilizada em toda a América Latina e está ainda crescendo. Acho que ainda não sabemos utilizar e reconhecer todo o poder da internet. A internet é algo fantástico. Para minha neta de 9 anos, assim como para você, é algo impressionante, mas para mim ainda é nova.Então como meio é super poderosa, atinge vários targets, grupos de pessoas. Em primeiros estudos se viu que a internet é mais importante para certos grupos de pessoas do que a televisão, o meio considerado mais importante.

PontoComPress - E o senhor acha que os clientes no Brasil são mais abertos a internet?

John Holmes - Sim, com certeza. Nosso negócio aqui, a Thompson Digital, cresceu números impressionantes, cada dia estamos trabalhando com mais clientes. Eles são muito mais abertos e muitos mais dispostos que qualquer outro anunciante na América Latina e no México.

PontoComPress - Qual a proporção hoje e de anunciantes e faturamento da Thompson hoje no Brasil em diferentes meios?

John Holmes - Houve um crescimento de outros meios mas eles ainda são pequenos. Proporcionalmente precisa-se mais trabalho para outros meios do que para televisão.

PontoComPress - A Thompson ainda está em época de compras, ainda há coisas para comprar?

John Holmes - Há duas características ótimas no mercado brasileiro: existe dinamismo na indústria que faz comunicação. Acho que tem muitas coisas pra comprar e ainda não sabemos onde e estamos muito interessados em saber onde. O que buscamos aqui são jovens, um ótimo target, gente conhecida em oportunidade e setor num nicho de mercado, e queiram fazer um novo negócio. Buscar novas oportunidades que proporcionem um win-win, um benefício mútuo, nesse caso Thompson dá valor agregado à compra. Brasil tem mais possibilidades desse tipo de coisa que outros mercados. Argentina tem uma grande capacidade de fazer novos negócios, montar coisas, Colômbia também, acho que o ciclo de concentração vai seguir.

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