A
Ordem dos Advogados do Brasil -
OAB, desempenha
desde sua fundação, em 1933, um
firme propósito de estabelecer
critérios da atuação profissional
do serviço da advocacia, bem como
defender advogados e a sociedade
em geral, das ameaças no campo
institucional. O presidente da
OAB-RS, Claudio
Lamachia, é entrevistado do Capital
Gaúcha . |
Capital
Gaúcha - A
OAB/RS acaba de inaugurar nova sede,
um prédio de 14 andares adquirido por
R$ 3,6 milhões. Qual a importância
desse investimento e em que
medida isso melhora os serviços prestados
pela entidade?
Lamachia
- O principal aspecto positivo da
aquisição da nova sede, que
será totalmente
quitada ainda nesta gestão, é o
fato de a Ordem ter trocado gastos elevadíssimos
em aluguéis por investimento em imóvel
próprio. Para manter sua estrutura de
prestação de serviços,
a OAB/RS alugava diferentes prédios
a custos altíssimos, mais de
R$ 70 mil mensais e, agora, os atendimentos
estão centralizados em uma zona privilegiada
e de fácil acesso na capital, com um
edifício à altura da dignidade
da advocacia gaúcha.
Capital Gaúcha - O
RS vive uma de suas maiores crises políticas
dos últimos
anos, com denúncias e investigações
sendo noticiadas diariamente. Vamos tentar
esclarecer os seguintes
pontos:
a)
Não há uma incompatibilidade
da governadora Yeda Crusius
na escolha de Simone da Rocha como procuradora-geral
de
Justiça
do Estado e que enfrenta maior resistência
da categoria, ao invés de Mauro Renner,
que foi o mais votado e por tanto merecedor
do cargo?
b)
O segredo de justiça no processo
envolvendo o nome da governadora, do vice e
auxiliares ainda se justifica diante de tantas
denúncias
e prováveis indícios de irregularidades
ou os dados referentes ao mesmo deveriam vir à tona
para que se apurasse o que existe de fato e
o que é especulação?
Lamachia
- a) Não cabe à OAB/RS
analisar escolhas pessoais da Governadora produzidas
com base na legislação vigente.
b)
Defendemos que há casos,
realmente excepcionais, em que o interesse
público deve poder se sobrepor ao segredo
de Justiça, mas são, como disse,
casos de exceção e que devem
ser criteriosamente analisados. Existe um caso,
já antigo, de denúncia contra
a cúpula do governo estadual, para o
qual defendemos a quebra do segredo de Justiça
por não haver mais necessidade de mantê-lo,
pois os fatos e os nomes dos suspeitos de envolvimento
já são de conhecimento de todos.
Neste episódio, o interesse público
deve ser superior à força do
sigilo, pois a sociedade, com direito, clama
por explicações que ainda não
apareceram.
Capital
Gaúcha - Na questão
da campanha pela redução de débitos
do estado com precatórios, o governo
afirma que conseguiu solucionar o problema.
Esta afirmação procede ou ainda
se está longe de uma solução
nessa área?
Lamachia
- A OAB/RS saúda os esforços
que o governo do Estado vem empreendendo para
solucionar a lamentável situação
dos precatórios, mas entende que muito
ainda pode e deve ser feito para que se chegue
a uma equação definitiva e que
atenda aos direitos dos credores.
Capital
Gaúcha - Na prestação
de contas da sua gestão, o que o sr.
destaca de mais positivo e o que ainda pode
ser feito antes que o atual mandato se encerre?
Lamachia
- Na nossa gestão destacamos
como altamente positivo e importante o equacionamento
e a redução da dívida
herdada da administração anterior,
mais de R$ 28 milhões. Também é relevante
que, em paralelo a uma gestão moderna
e de redução de custos, mantivemos
em dia os repasses às 104 OABs do Interior
(subseções), inclusive reequipando-as
com material de escritório (computadores,
copiadoras, etc) e dando-lhes a infraestrutura
necessária ao trabalho dos advogados.
Neste momento, por exemplo, 14 novas sedes
de subseções estão sendo
construídas e equipadas, com previsão
de serem inauguradas até o final deste
ano. Na esfera corporativa, festejamos a sanção,
no ano passado, da Lei 11767, que torna invioláveis
os escritórios de advocacia. Também
comemoramos a aprovação, pela
Câmara dos Deputados, da lei que veda
a compensação dos honorários
advocatícios. A matéria, que
tem caráter alimentar, seguirá para
apreciação no Senado Federal.
Outra grande conquista foi a compra da nova
sede da Ordem, no Centro de Porto Alegre, que
será totalmente quitada ainda nesta
gestão, como já disse. No estado, é importante
destacar que reestruturamos as 260 salas mantidas
pela OAB/RS. Em outro campo, foi, e
está sendo, altamente positiva
a implantação dos cursos telepresenciais
via satélite pela Escola Superior de
Advocacia da entidade, que está permitindo
levar conhecimentos atualizados aos advogados
de todo o interior do estado. Além disso,
há os vários projetos e ações
corporativas e institucionais que a Ordem promove
em benefício da classe e da sociedade
como um todo, sempre com grande sucesso.
Capital Gaúcha - Por que a sua gestão
tem se preocupado tanto em trazer novas varas
federais para o estado? Qual a previsão
para que esses esforços possam se concretizar?
Lamachia
- Acreditamos que com a implantação
de novas varas, o que já foi
recentemente autorizado pela Justiça
Federal, torna-se mais ágil e
melhor a prestação jurisdicional
aos operadores do Direito e também às
partes, otimizando o trabalho da Justiça.