Quem
nunca pensou em dar a volta ao
mundo? Rodar por
diversos
países,
observando lindas paisagens e vivenciando
o cotidiano e a cultura de diferentes
povos. Agora imagine realizar tudo
isso a bordo de um veículo 4x4.
Essa foi a aventura do casal formado
pela brasileira
Grace Downey e
o britânico
Robert Ager, que durante três anos
e meio percorreram os quatro cantos
do planeta. Divulgando suas experiências
publicadas no livro "Challenging
Your Dreams – Uma
Aventura Pelo Mundo". Eles
contam os principais momentos dessa
viagem
inesquecível
e as novas aventuras que já estão
sendo planejadas. Com exclusividade
para os leitores do Capital Gaúcha,
uma degustação da experiência do
casal de aventureiros. |
Capital
Gaúcha - Como
surgiu a idéia de realizar a viagem
e como ela foi planejada?
Grace
e Robert - Sempre tivemos esse sonho
e cada vez a vontade de realizá-lo
ia crescendo, até que um dia resolvemos
largar tudo, vender tudo e viajar pelo mundo
de carro. É muito difícil planejar
uma viagem desse porte por completo, mas logicamente
muito importante planejar o máximo possível.
No nosso caso o planejamento era uma coisa
contínua e algumas coisas pré-definidas
tiveram que ser alteradas devido a situações
que enfrentamos, tal como uma guerra civil
na África, que fez com que adaptássemos
nosso roteiro nesta região. De qualquer
forma, do dia em que decidimos que estava na
hora de fazer isso, até o dia que realmente
partimos, foram seis intensos meses de planejamento
e organização geral para que
conseguíssemos partir e realizar esse
sonho.
Capital
Gaúcha - Os patrocínios
obtidos foram suficientes para concretizar
o projeto ou a maior parte dos custos foi pago
com recursos próprios?
Grace
e Robert - Não conseguimos patrocínio
financeiro e os custos foram pagos com recursos
próprios. Porém, conseguimos
alguns apoios que nos ajudaram em termos de
equipamento ou recebemos descontos em serviços/produtos.
Quando partimos tínhamos dinheiro para
o primeiro ano e o nosso plano sempre foi parar
em Londres por um tempo para trabalhar e juntar
dinheiro para continuarmos, e foi o que fizemos.
Viajamos um ano e depois paramos sete meses
em Londres e lá juntamos dinheiro suficiente
para os outros dois anos. Voltando com
algumas dívidas, mas valeu cada investimento.
Capital
Gaúcha - Que lugar
vocês mais se sentiram acolhidos ou fascinados
e onde tiveram mais dificuldades?
Grace
e Robert - Amamos a África
pela sua beleza natural e suas diferenças
culturais, mesmo porque sempre tivemos grandes
expectativas deste continente. Curtimos demais
especialmente o Sul e Leste da África
com todas suas reservas e parques nacionais,
a abundância da vida selvagem passando
pela Namíbia, Botsuana, África
do Sul, Moçambique, Tanzânia e
Quênia. A África combinou bem
com o estilo da nossa viagem de acampar e viver
ao ar livre, no carro e ao redor dele, então
isso fez com que nos sentíssemos muito
confortáveis durante este trecho da
viagem. Houve outros lugares que curtimos bastante
também: Chile, Peru, Canadá,
Alasca, Índia e Austrália, por
exemplo. O
trecho onde tivemos maiores dificuldades,
por incrível que pareça foi também
a África, mas a região Oeste.
Além da travessia do Deserto do Saara
que foi incrível, mas tensa, pois seguimos
através de dunas sendo guiados apenas
por pontos através do GPS. Nesta situação
estávamos mais tranqüilos, pois
montamos um comboio de três carros e
caso tivesse acontecido alguma coisa, estávamos
em um grupo e sabíamos que sairíamos
de alguma enrascada. A parte mais difícil
e tensa foi o trecho da travessia do Sahel
(uma região muito seca, escassa de vegetação
e considerado um semi-deserto), onde passamos
por trechos sem estrada, novamente sendo guiados
pelo GPS, quatro dias sem ver ninguém
passando apenas por vilarejos, e desta vez
estávamos sozinhos. Se tivesse acontecido
alguma coisa conosco ou com o carro estaríamos
em sérios apuros.
Capital
Gaúcha - Viajar tanto tempo
de carro deve ter proporcionado algumas experiências.
Qual merece aquele destaque especial?
Grace
e Robert - Sem dúvida passamos
por diversas situações inesquecíveis,
algumas ótimas memórias e outras
não tão tranqüilas, mas
de grande aprendizado. Um “quase assalto” no
México, seguir ursos no Alaska, um confronto
sério com um policial em Mali, um café da
manhã com a visita de um inusitado elefante,
a vida selvagem Africana, descobrir que nosso
carro não havia chegado a Índia
conforme previsto, ser acolhido por uma família
Indiana são algumas que me vem a cabeça
agora, mas sem dúvida existem muitos
momentos marcantes. Mas todos os detalhes
estão no nosso livro.
Capital Gaúcha - Mesmo após todo
esse período viajando, vocês já estão
com outro projeto chamado "Expedição
Brasil por Terra". Como será feita
essa viagem e quais serão os destinos
percorridos?
Grace
e Robert - Não vemos a hora
de pegar a estrada novamente. Faremos essa
viagem
da mesma forma, de carro e acampando. Queremos
explorar o país todo visto de um ângulo
diferente, fora da rota comum e bem apartado
das principais atrações turísticas.
A idéia é demonstrar que existe
uma vida inteiramente nova para ser vista e
vivida na estrada. Uma que pode ser levada
com simplicidade, sem gastar uma fortuna, mas
que oferece riquezas únicas e que aproxima
mais o viajante da verdadeira natureza
local, compreendendo sua cultura e interagindo
com as pessoas do lugar. A idéia é de
lançar um livro, seguindo o modelo parecido
com o que lançamos sobre nossa volta
ao mundo, com a intenção de inspirar
as pessoas a viajarem também e a verem
que o Brasil também tem coisas maravilhosas.
Capital
Gaúcha - Nem seria preciso
perguntar se tomaram gosto pela aventura. Mas
o que vocês recomendam às pessoas
que nutrem sonhos de realizar aventuras, mas
ficam sempre no quase?
Grace
e Robert - Sem dúvida o mais
importante é acreditar no sonho, seja
ele qual for. Logicamente ele não vai
se realizar sozinho então tem que ter
determinação e trabalhar duro
para que ele aconteça. Com certeza não
vai se arrepender, pois realizar um sonho é a
melhor coisa que pode existir. No caso de viagens,
acho que a coisa mais difícil é tomar
a decisão. Uma vez tendo feito isso,
o restante é “conseqüência”.
Resumindo, diríamos: Vivemos apenas
uma vez, então aproveite a vida ao máximo!
Não tenha medo de tentar coisas novas.
Você vai superar seus limites. Não
importa qual é o seu sonho, o importante é acreditar
nele. Boas aventuras e sigam sempre os seus
sonhos.