entrevista
concedida em janeiro de 2002 a Marco Poli
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No
fatídico dia 11 de janeiro de 1999 o Brasil
acordou com o fim do sonho da moeda forte. Gustavo
Franco fora demitido da Presidência do Banco
Central e Francisco Lopes assume no seu
lugar. O Dólar saiu do patamar dos R$ 1,21 até
a estratosfera com a criação da chamada "banda
diagonal endógena", que criou uma flexibilização
fictícia da moeda, situando a cotação do dinheiro
americano em até, no máximo, R$1,32. Naquele
dia, o banco Marka estava "vendido"
em mais de 50 Milhões de Dólares de clientes,
rombo que não poderia ser recomposto nem com
a venda do passivo da entidade, ou mesmo dos
bens pessoais do seu dono, Salvatore Alberto
Cacciola. Pois o dono do Marka correu na
frente, foi à Brasília e conseguiu no BC a liberação
de um montante de Dólares a R$ 1,27, para pagar
seus clientes, mas a instituição que criou estava
destruída. Depois disso veio a demissão do Presidente
do BC, a CPI dos Bancos no Senado e o linchamento
em praça pública de Cacciola, que acabou na
prisão e terminou por fugir do país, para poder
responder em liberdade o resto dos processos
que correm contra sua pessoa. Agora Cacciola
lança um livro, Eu Confesso, que já vendeu
mais de 50 mil exemplares, para contar sua versão.
O portal CapitalGaúcha conseguiu contatar o
ex-banqueiro, na Itália e passa com exclusividade
para seus leitores as opiniões de quem viveu
momentos bem tensos e duros, como vivem hoje,
por exemplo, os "hermanos do prata".
Capital
Gaúcha
- O Sr. nasceu na Itália, mas veio pequeno,
logo após o final da Segunda Guerra para o Brasil.
Aqui ajudou a família a construir um negócio
de móveis e depois entrou para o mercado financeiro,
aonde chegou a ser um banqueiro muito bem sucedido,
através das operações do banco Marka. Quando
da "flexibilização" do Dólar, em 1999,
tudo ruiu. O Sr. foi acusado de privilegiar-se
com informações do Banco Central, foi parar
na cadeia e terminou por fugir do país. Como
o Sr. acha que pode dar a volta por cima?
Cacciola
- Acreditando que no Brasil temos Justiça e
com muita fé em Deus e na Santa Rita.
Capital
Gaúcha - Em seu livro, Eu Confesso,
o Sr. propõe que um dos maiores erros da flexibilização
Dólar/Real foi à falta de um feriado bancário
para evitar uma corrida aos bancos. Foi exatamente
o que ocorreu na Argentina, onde a crise não
saiu do político para o financeiro. Isso prova
sua tese?
Cacciola - O caso Brasileiro não tem
nenhuma semelhança com o Argentino. No livro
eu digo que o Governo deveria fazer a desvalorização
no segundo dia 11/01/99 ou feriado bancário,
não para evitar uma corrida aos bancos, mas
para evitar o vazamento da demissão do Gustavo
Franco ou da desvalorização cambial. O que
ocorreu é que o BC sabendo que ia desvalorizar
a moeda, vendeu na segunda e terça (11 e 12
de janeiro) uma enorme quantidade de dólares,
causando um grande prejuízo aos cofres públicos
e claros ganhos aos bem informados.
Capital
Gaúcha - A população Argentina derrubou
3 presidentes em questão de dias, por motivos
muito semelhantes ao que ocorreu no Brasil no
começo do segundo mandato de Fernando Henrique
Cardoso, onde o Sr. terminou como único vilão.
Não fica aí um parâmetro claro entre o que cada
povo pode eleger como prioridade, ou como inimigo
verdadeiro?
Cacciola - Volto a dizer
que o caso Argentino não é igual ao Brasileiro.
Se tivessem investigado o que o dep. Aloísio
Mercadante denunciou (o deputado do PT de
São Paulo fez graves denúncias durante a CPI
que investigou os acontecimentos do sistema
financeiro no Senado entre a saída de Gustavo
Franco e a entrada de Chico Lopes), o presidente
F.H.C. e alguns ministros perderiam,
sem dúvida, o seu mandato.
Capital
Gaúcha - o Sr. cita nominalmente membros
da Justiça Federal envolvidos nos processos
que culminaram com sua prisão e fuga do país.
Isso cria uma animosidade garantida dentro da
"corporação". Tanto que um membro
do Ministério Público já entrou com um pedido
para bloquear os direitos que tiver a receber
com as vendas do seu livro. Isso renova no o
sentimento de que não poderá mais voltar ao
Brasil e recomeçar a vida?
Cacciola
- Não tenho duvidas que criei uma animosidade
dentro da corporação. Mas tenho a certeza que
esta animosidade se resume aos membros envolvidos
no meu caso da Justiça Federal do Rio de Janeiro
e aos três procuradores do Ministério Público.
Tenho a certeza que quando o processo for para
os tribunais de Brasília, serei julgado sem
animosidade e com justiça.
Capital
Gaúcha - quais os planos daqui
pra frente? O livro está vendendo bem?
Pretende escrever mais algum? Ou volta para
o mundo dos negócios?
Cacciola - O livro ja superou as 50.000
cópias* vendidas. Não pretendo
escrever outro livro porque não sou escritor.
Apenas narrei o meu caso detalhadamente e o
Eric Nepomuceno escreveu. Na Itália
já iniciei uma atividade de negócios
que ocupa todo o meu dia.
*Os direitos do autor sao doados, conforme
contrato firmado com a Editora para as seguintes
instituiçoes:
* CCEV – Comunidade Casa Esperança
e Vida - www.ccev.com.br
* Cruzada do Menor - www.cruzadadomenor.org.br