Entrevista - Bernardo Flores - Recrusul

Após passar por um desgastante processo de recuperação judicial, que durou cerca de 4 anos, a Recrusul, empresa gaúcha que produz implementos rodoviários e equipamentos industriais, planeja investir para voltar a ser uma das mais importantes do setor no país. Bernardo Flores, Diretor de Relações com Investidores da empresa, faz uma análise de 2009 e comenta os planos e lançamentos da Recrusul. Tudo isso e muito mais você confere a seguir em mais uma entrevista exclusiva ao Capital Gaúcha.

Capital Gaúcha - Como o sr.avalia a participação da Recrusul na Fenatran 2009?

Bernardo - O retorno da Recrusul à Fenatran foi um momento muito especial para todos. Antigos clientes, fornecedores e mercado em geral sentiram-se bastante gratificados por ver que a empresa está de volta e mais forte do que anteriormente nesta área de implementos rodoviários. Apresentamos nosso lançamento 2009 que foi o bi-trem tanque de combustível e nossa carreta frigorífica de 30 pallets. Tivemos um ótimo fluxo de visitantes o que nos anima para o ano de 2010 buscar o retorno de market-share nas linhas em que a Recrusul sempre foi líder, além de avançar em mercado em novas linhas de produtos que deverão ser lançadas em 2010, aumentando ainda mais a gama de produtos com a mesma qualidade mas com preço competitivo com o mercado.

Capital Gaúcha - A Recrusul conseguiu concluir, no início desse ano, complicado processo de recuperação judicial, iniciada em 2005. Como se deu todo esse processo de reestruturação e o que vem sendo feito para que isso não torne a ocorrer?

Bernardo - O encerramento da Recuperação Judicial da Recrusul foi um sucesso. Uma das primeiras empresas a aderir a esta nova forma de reestruturação corporativa, foi adquirida por um grupo de investidores gaúchos com longa experiência no mercado de capitais brasileiro e internacional que possuem objetivos muito claros: fazer novamente da empresa uma importante produtora brasileira de implementos rodoviários. Para executar tal plano, capitalizamos a empresa durante o ano de 2008 e com estes recursos aumentamos as vendas e produção para fazer frente aos compromissos já pactuados no Plano de Recuperação Judicial. Também estamos comemorando em 2009 os 55 anos da empresa cujo nosso lema é: Recrusul revigorada, com mais qualidade e mais produtos.

Capital Gaúcha - A empresa encerrou o primeiro semestre com receita bruta de R$ 12,5 milhões, em queda de 28,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. A que se deve esse resultado e quais as expectativas para o segundo semestre?

Bernardo - O primeiro semestre de 2009 reflete as incertezas brasileira e mundiais com relação a capacidade de reversão do quadro de crise apresentada naquele momento. No terceiro trimestre de 2009 faturamos R$ 8,8 milhões e em termos de unidades de implementos vendidos até setembro de 2009 atingimos 154 unidades contra 138 unidades acumuladas até setembro de 2008 – crescimento de 11,6%. Em termos de faturamento atingimos R$ 21,25 milhões até setembro de 2009 – queda de 20,8% que foi praticamente influenciada pela mudança no mix de produtos vendidos. Em 2008 a empresa faturou uma obra de equipamentos industriais que representou aproximadamente 30% do faturamento dos nove primeiros meses de 2008 e neste mesmo período de 2009 não ocorreu tal venda. Portanto, em termos de vendas para implementos rodoviários estamos bem mais saudáveis em 2009 do que 2008.

Capital Gaúcha - Neste ano, a Recrusul lançou mais um produto no mercado, o Bi-Trem em aço carbono para o transporte de combustíveis. Que outros produtos ou novidades a empresa está preparando para o consumidor?

Bernardo - Estamos preparando algumas novidades para 2010 que deverão ser lançadas durante o primeiro trimestre do ano que vem. O bi-trem aço carbono lançado pela Recrusul é o mais leve do mercado e já temos alguns concorrentes preocupados com o avanço da empresa neste área. Continuaremos oferecendo atrativas alternativas aos nossos clientes.

Capital Gaúcha - Seguindo uma tendência das grandes empresas mundiais, a Recrusul já adota ou planeja adotar alguma medida no sentido de reduzir suas emissões de gás carbônico na atmosfera?

Bernardo - Este assunto estará entrando em nossa pauta em breve pois estamos elaborando nosso Plano Diretor Industrial e com ele diversas melhorias serão implementadas para contribuir com uma melhor sustentabilidade, principalmente, no setor de pintura.

Capital Gaúcha - Após alguns anos complicados financeiramente para a companhia, o que é posível projetar para o próximo ano?

Bernardo - O que podemos antecipar é de que a empresa está focada em tornar-se uma produtora de implementos rodoviários ativa e com boa participação de mercado nos setores em que atua.