Entrevista - Claudio Teitelbaum
O mundo está vivendo um momento de repensar as soluções produtivas em função da sustentabilidade do planeta em que vivemos, já que o mais próximo em condições de uso fica a 20 anos luz daqui. Na Capital Gaúcha, uma empresa de construção civil lançou um empreendimento que atende ao conceito de menor agressão possível ao meio ambiente, bem como no máximo aproveitamento da energia e dos recursos hídricos. Em entrevista com diretor de qualidade e relacionamento com o cliente, Claudio Teitelbaum do Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum, conhecemos melhor o conceito de "greenbuilding" e de como é fundamental mudar a cultura de quem constrói.

Capital Gaúcha: É comum ouvir de profissionais da construção civil que para construir prédios e condomínios dentro de um conceito de sustentabilidade, é preciso mudar a cultura das pessoas e isso levaria gerações. Por que então que o Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum se propôs a construir um greenbuilding?

Claudio Teitelbaum: A Joal Teitelbaum foi a pioneira na implantação de projetos ambientais na construção civil, com a instituição da Técnica do Processo Conserve, em 1995, buscando compatibilizar seus empreendimentos com o ambiente em que são construídos, utilizando da melhor forma os insumos em suas edificações. Com os processos implantados conseguimos demonstrar que atitudes ambientalmente responsáveis levam, além da preservação do ecossistema em que vivemos, a ganhos em saúde ocupacional e segurança do trabalhador e redução de custos, promovendo, também, vantagens econômicas para a empresa. A construção de um Green Building é um reflexo de todas as ações que já priorizamos, tendo como foco principal a construção sustentável. Temos que ter em mente que os recursos naturais são finitos e os ganhos sócio-ambientais com um empreendimento podem ser de grande valia para a sociedade. Ainda que leve gerações para que esta cultura seja absorvida pelas empresas, é preciso começar. E mais do que isso: é preciso gerar resultados concretos de forma a permear em toda a nossa cadeia. Sem dúvida, este já é um ótimo começo e esperamos que seja um estímulo para o nosso segmento.

Capital Gaúcha: Reaproveitamento de água da chuva, dos drenos de ar-condicionado e tratamento da água servida através dos ralos de chuveiro e pia, utilizando os recursos hídricos economizados para descarga de banheiro e regar plantas, é uma cultura tão difícil de implantar?

Claudio Teitelbaum: É uma mudança nos projetos que estamos acostumados a ver e requer planejamento e conscientização de todos os envolvidos. A cultura de boas práticas está inserida em um ótimo ambiente de trabalho. Nós dizemos que não podemos motivar um colaborador. Nós devemos, sim, garantir que ele esteja inserido em um ambiente que lhe traga motivação. Assim, preparando líderes para a mudança e implementando a cultura da excelência, inclusive em nossos parceiros estratégicos, conseguimos transformar idéias e sonhos em realizações concretas. As ações que evitam o desperdício, reaproveitamento de água e energia são uma conseqüência disso. Em alguns casos, estas iniciativas podem gerar um ônus maior inicialmente, mas que em um curto espaço de tempo é compensado, tanto em recursos financeiros quanto na conscientização ambiental.

Capital Gaúcha: O bem mais importante para o ser humano, daqui a 30 anos, deve ser água para beber. Dizem que os brasileiros não raciocinam em tão longo prazo, mas quem compra um imóvel de boa qualidade, tem boas chances de ainda estar morando nele, neste mesmo espaço de tempo. Então não é contraditório dizer que o brasileiro não pensa a longo prazo?

Claudio Teitelbaum: Para comprar um imóvel é fundamental pensar a longo prazo. Acreditamos que o que falta é uma maior conscientização ambiental. No dia-a-dia todos contribuem para o aquecimento global e, sem dúvida, vamos sofrer sérias conseqüências no futuro se nada for feito. Esta questão, talvez, o brasileiro não consiga visualizar na sua real dimensão.

Capital Gaúcha: Prédios inteligentes tendem a apresentar um custo inicial mais alto, mas com o tempo a economia em energia, entre outras, tende a compensar o investimento. Quais são hoje as tendências que já podem ser aplicadas, visando uma relação custo/benefício aceitável e que projete um consumo sustentável de energia?

Claudio Teitelbaum: A preocupação com os recursos utilizados em todo o ciclo produtivo é o principal diferencial de empreendimentos com o conceito Green Building que estamos implementando. Neste empreendimento, por exemplo, visando reduzir o consumo de energia elétrica, será implantado integração do sistema de aquecimento; sistema de automação com sensores para chuva, iluminação e dimerização; isolamento termo-acústico; racionalização da logística e utilização de madeira certificada e de materiais locais de um raio inferior a 1.000 km, preferencialmente. Para o morador do empreendimento, se comparados aos gastos com energia elétrica, estas ações geram uma redução de custos de aproximadamente 20%. As construções desenvolvidas de forma sustentável podem exigir um investimento inicial em torno de 5% a mais que a média, mas este valor acaba gerando economia final nos custos de manutenção e operacionais superior a 25%. O mais importante é que este investimento não será refletido no custo dos apartamentos, que encontram-se em patamares altamente competitivos no mercado.

Capital Gaúcha: Os conceitos de qualidade do Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum já levaram a empresa a conquistar o troféu Diamante no PGQP. O United States Green Building Council faz uma série de exigências quanto à sustentabilidade ambiental do projeto, desde sua construção, para garantir o certificado de greenbuilding. O sr. acredita que no momento em que o condomínio passar para a mão dos condôminos, a excelência em gestão sustentável terá seqüência?

Claudio Teitelbaum: Sem dúvida, inclusive porque fazemos todo um acompanhamento e estamos sempre à disposição dos clientes. Também está prevista a realização de um manual de gerenciamento ambiental que servirá de base para os moradores. Além disso, a maioria das ações que serão implementadas independem dos condôminos e estarão inseridas automaticamente no empreendimento após a sua conclusão. Também é importante destacar que muitas delas são adotadas durante o processo construtivo, como a utilização de tecnologias limpas para a execução das estruturas de concreto armado; incorporados projetos modulares de pisos, azulejos e pastilhas; realizada coleta seletiva durante a obra; implementado o manual e o plano de gerenciamento de resíduos. Também toda a pintura será feita com tinta a base de água, sem utilização de solventes. Durante a construção e após a conclusão da obra haverá o aproveitamento de água da chuva. O condomínio contará com reuso da água de chuveiros, lavatórios e dos drenos de ar condicionados. Também serão adotados redutores e economizadores de vazão em chuveiros e torneiras (estas com desligamento automático); medição individual de água com telemetria; e irrigação e controles de bombas automatizados. Segundo estudos da construtora, estas iniciativas possibilitam uma economia de água da ordem de 70%.