Entrevista - Gilberto Sibemberg
Escolher a melhor localização, pavimento, acertar numa fachada que seduza o perfil certo de consumidor, usar recursos de cor, ângulos de visão e iluminação, quando se monta uma nova loja, exige experiência de mercado e o acompanhamento de um profissional especializado. Atuando há mais de 30 anos neste segmento, Gilberto Sibemberg, aponta as melhores oportunidades e soluções baseado em sua expertise em arquitetura comercial. Em seu portfólio lojas como Renê, Aduana, Coliseu, New Bijoux, Gang (RS, SC), Colombo (RS, SC, PR, SP, MG), Mormaii (RS, SC, PR, DF) entre outras. Nessa entrevista exclusiva, Gilberto apresenta algumas de suas soluções sobre este período onde se acredita que loja nova pode dar certo em shopping center.

Capital Gaúcha : O varejo mudou na mesma toada dos tempos modernos e quem não se adaptou desapareceu. Por que uma das formas de manter boas vendas está na solução de apelo visual ou de simplicidade de ambiente?

Gilberto Sibemberg: Em outros tempos, cada loja, cada comerciante, tinha produtos próprios, de diferentes procedências. Alguns detinham exclusividade de certos artigos. Isto desapareceu: todos vendem a mesma coisa (salvo raras e caras exceções), portanto há que se criar um diferencial, os famosos Plus, para que determinada loja venda mais e sobreviva na selva da concorrência. Estes diferenciais podem acontecer de várias maneiras - apelo pela mídia, preços e condições e, na parte da arquitetura de lojas, a moldagem do espaço de modo que a experiência de compra seja agradável, prazerosa e, muito importante, que o consumidor tenha um bom recall da loja. Isto se consegue projetando luz, som, cores e entornos agradáveis e que funcionem para promover a venda e trazer conforto ao comprador, quer seja através de ambiente chamativo, quer seja através de minimalismos, tudo depende do público-alvo que se quer atingir

Capital Gaúcha: O varejo fora dos shoppings ficou num beco sem saída? Como adequar soluções de alta visibilidade com a falta de segurança das ruas?

New Bijoux antes

Gilberto Sibemberg: Hoje a porta fechada não é um impedimento como era há pouco tempo atrás, pela sua banalização, perdeu-se a característica de que loja fechada é mais cara. Todos nos adaptamos à insegurança. A loja de rua tem seu lugar, sempre mais reduzido, é verdade, mas permanece como loja de centro da cidade - que na realidade é um open mall - e pequenas lojas de centros de bairro, para pequenas compras rápidas. Mais do que nunca há que se ter foco no cliente local.


Capital Gaúcha: Estoques estão cada vez mais baixos e, em muitos lugares, aparentes. Qual a melhor forma de administrar o visual na disposição e orientação de equipe de vendas?

Gilberto Sibemberg: Se o espaço do salão de vendas é pequeno, o que deve ser mostrado em exposição é o tipo de mercadoria, se é roupa esporte ou social, dizer com poucas peças qual a linha trilhada pelo lojista e criar com estas poucas peças, alguns elementos de ambientação e uso inteligente de luz. É preciso criar um clima que "diga" ao cliente que tipo de loja e de mercadoria ali se trabalha. Já se temos espaço suficiente, vamos organizar a loja de acordo com as conveniências do comprador, agregar produtos por temas, afinidades, cores e nunca, por exemplo, por ordem alfabética.

New Bijoux depois

Capital Gaúcha: As pessoas andam cada vez mais apressadas, especialmente nas ruas. Como construir atrativos para vitrines em tempos tão nervosos?

Gilberto Sibemberg: Alguma coisa que fisgue o olhar, o inusitado, o manequin de ponta-cabeça, a vitrina vazia só com uma peça dramaticamente iluminada, uma velha geladeira com roupas cuidadosamente dispostas no interior, etc. Só temos cinco segundos para captar a atenção do consumidor para que este pare e dê atenção à loja e aos produtos. Não adianta encher a vitrina com produtos se não for interessante e chamativa.