MEIO AMBIENTE

Nádia Aun, Coordenadora do Projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante”, explica como o projeto vem buscando conscientizar a população sobre a necessidade do desenvolvimento sustentável e da preservação. Confira essa entrevista exclusiva.

PROJETO APRESENTADO HÁ TRÊS ANOS PARA A CRIAÇÃODE CICLOVIAS NA CAPITAL AINDA NÃO FOI IMPLEMENTADO

O Plano Diretor Cicloviário Integrado da Capital ainda não atendeu promessas feitas há três anos. Ao ser apresentado pela prefeitura, em maio de 2008, veio acompanhado do compromisso de que 18 quilômetros de ciclovias seriam entregues até o ano seguinte, mas até agora Porto Alegre soma menos da metade dessa extensão em faixas exclusivas, e menos de 2% de todos os trechos considerados adequados para receber bicicletas na cidade.

A implantação de vias para ciclistas é considerada um recurso eficiente para reduzir a disputa por espaço e o risco de acidentes entre automóveis, rápidos e pesados, e bicicletas, mais lentas e frágeis. Curitiba, por exemplo, conta com 120 quilômetros de ciclovias, e o Rio de janeiro, 160 quilômetros. Importantes cidades europeias ostentam malhas ainda mais abrangentes, como os 400 quilômetros espalhados por Amsterdã, na Holanda.

Em Porto Alegre, há apenas oito quilômetros onde os ciclistas podem pedalar sem a ameaça constante da passagem de veículos (a prefeitura chegou a divulgar no começo da semana que eram nove quilômetros, mas o dado foi revisado ontem). São 4,8 quilômetros na Restinga, dois quilômetros na Diário de Notícias e 1,2 quilômetro em Ipanema. Isso não chega nem à metade do que foi prometido pela prefeitura em 2008.

O estudo, aprovado um ano depois pela Câmara de Vereadores, identificou 495 quilômetros de ruas e avenidas porto-alegrenses onde podem ser construídas ciclovias. Como o cumprimento desse objetivo deve levar vários anos, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) estabeleceu como meta implantar até o ano seguinte os primeiros 18 quilômetros.

INTERDITADOS DOIS CURTUMES EM ESTÂNCIA VELHA

Dois curtumes foram interditados e os responsáveis foram presos em flagrante, em Estância Velha, nesta quinta-feira. Os estabelecimentos depositavam resíduos perigosos a céu aberto e foram encaminhados ao Departamento Estadual de Investigações Criminais, em Porto Alegre. Durante esta operação, foi firmado também um termo circunstanciado por transporte irregular de resíduos perigosos.

As prisões são resultado do trabalho de fiscalização e vistorias em curtumes e indústrias do Vale dos Sinos para averiguar irregularidades ou desrespeito às normas ambientais.

Na Promotoria de Estância Velha já estão em andamento dois inquéritos civis para apurar as irregularidades nos curtumes.

ONU AFIRMA QUE 2010 FOI O ANO MAIS QUENTE DESDE QUE SE TEM REGISTRO

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU, informou em Genebra que 2010 foi o ano mais quente desde que há registros, o que confirma uma tendência "significativa" de aquecimento do planeta a longo prazo.

A tendência também contribuiu para um derretimento ainda maior do gelo no Oceano Ártico, cujas geleiras caíram a níveis recorde em dezembro.

"Ano passado foi o mais quente registrado, junto com 2005 e 1998", afirma um comunicado da OMM, o que confirma as avaliações preliminares baseadas em um período de 10 meses e que foram apresentadas na reunião mundial sobre o clima de dezembro.

"Os dados de 2010 confirmam uma tendência significativa de aquecimento da Terra a longo prazo", afirmou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

O QUE ESTÁ SENDO FEITO PARA REDUZIR O IMPACTO DO GADO NO PLANETA

Embora parte da culpa seja empregada aos bois e ao metano que emitem por meio de seu processo digestivo, o impacto da pecuária no ambienteé algo complexo. Um dos grandes nós, senão o primeiro a ser resolvido,é o desmatamento.

Á reas de floresta, como a Amazônica, transformadas em campo para o gado ou em lavoura são responsáveis por cerca de 75% do CO2 emitido em terras brasileiras, sem contar as inúmeras perdas quando o tema é a biodiversidade. Além disso, 90% do N2O e do metano, dois gases de efeito estufa, liberados pelo país na atmosfera vêm da mesma atividade.

Por isso, o controle rigoroso sobre a origem da carne está no foco da discussão do Instituto para o Agronegócio Responsável (Ares) e da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Para o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Cerri, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) o manejo é outra questão que preocupa. Falta de dinheiro ou de informação fazem com que técnicas como usar o fogo para "limpar"á reas de pastagem ainda sejam utilizadas por alguns produtores.

O excesso de cabeças por hectare e o uso de herbicidas, que pode
contaminar nascentes e lençóis freáticos, afligem a professora do
Departamento de Botânica da UFRGS, Ilsi Iob Boldrini.

— A diversidade de gramíneas e uma carga animal adequada para a área conservam o solo e garantem maior produtividade — lembra Ilsi. Para tentar minizar questões como essa o governo federal lançou em 2010 o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que deve oferecer financiamento para possibilitar o aprimoramento das técnicas usadas no campo. Uma grande frente está focada justamente nas áreas com pastagens degradadas.

Para Cerri, entre os destaques do projeto também está o plantio direto na palha, que preserva os nutrientes do solo, e a integração lavoura pecuária, uma técnica com mais eficiência e que promete redução nas emissões. Ao mesmo tempo, a Embrapa inicia o Programa Biomas Brasil, que deve estabelecer práticas ideais para uma emissão menor em diferentes regiões brasileiras.

A força da pressão econômica
Para o professor do Departamento de Economia da PUC-RJ, Sergio
Besserman, nos próximos anos, a emissão dos gases deve entrar nos preços da economia de mercado, o que pode inviabilizar o atual modelo de pecuária. Por isso, pensar em novas tecnologias e alternativas competitivas é fundamental. A criação de gado com florestas comerciais, como as de eucalipto, é uma possibilidade que caminha ao lado do confinamento dos animais.

Quando o assunto é o uso da pecuária confinada, técnica criticada nos Estados Unidos por, entre outros fatores, usar rações com excesso de proteínas, Cerri diz que ainda há poucos dados científicos disponíveis para estabelecer grandes interpretações sobre o impacto.

— Em um balanço preliminar, o confinamento pode emitir de três a
quatro vezes menos gases se comparado com uma área de pastagem de baixa qualidade. Já em uma situação em que o pasto é bem manejado, os números se equivalem — afirma o engenheiro agrônomo da USP.

Responsáveis por aproximar compradores e produtores, o setor varejistaé , também, um dos grandes impulsionadores da conscientização dos pecuaristas. Após relatórios produzidos em 2009 por ONGs como o Greenpeace e a WWF revelarem que grandes redes adquiriam carne produzida em área de desmatamento, por exemplo, o varejo assumiu um novo posicionamento.

No caso do Walmart, compromissos foram assinados para que a carne exposta nas prateleiras não venha de áreas de desmatamento, produção legal ou trabalho escravo. Para isso, um sistema de rastreamento foi elaborado para garantir a procedência da carne ao consumidor.

— O produto rastreado cumpre o papel que desejamos, pois é
transparente com nossos clientes — afirma Felipe Zacari Antunes,
gerente de Sustentabilidade do Walmart.

AS OPÇÕES PARA COMPENSAR AS EMISSÕES DE GÁS CARBÔNICO

Transformar as emissões de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera em um benefício para o planeta. A ideia do método que compensa é suprir, de alguma forma, o impacto gerado pelas empresas.
Do plantio de árvores até o investimento em energia limpa, o esforço é para dar um destino mais nobre às toneladas de carbono diagnosticadas no inventário. A escolha pelo método de compensação, porém, é uma decisão da empresa.
O critério que une as três principais formas de compensação é a adição de uma ação.
- Para compensar é preciso investir em algo realmente novo que beneficie o planeta - diz Eduardo Baltar da Enerbio.
Indo além da compensação, muitas empresas estão se mobilizando para aumentar a eficiência do processo produtivo, produzindo mais com menos gases liberados na atmosfera.
É o caso da Natura que, além de compensar suas emissões, aderiu ao programa Defensores do Clima do WWF-Brasil. Agora, o compromisso da empresa é reduzir em 33% as emissões relativas até o final de 2011 e em 10% as emissões absolutas até 2012.

Plantio de árvores
Embora seja uma das opções mais conhecidas e difundidas para a compensação de emissões de carbono, o plantio de mudas, quando realizado da forma correta, exige muito cuidado por parte da empresa. Na Enerbio, são exigidos de cinco a 10 anos de monitoramento das árvores após o plantio. Além disso, solo, clima, tamanho e espécie das árvores também são considerados no calcular da compensação.
Ainda assim, a ação não é imediata nem linear. Se as plantas forem monitoradas por menos tempo, um ano, por exemplo, terão de ser plantadas mais mudas. Muitas empresas optam por essa possibilidade, mesmo com as dificuldades impostas pelo monitoramento constante e pela necessidade área adequada próxima à sede da organização. Uma das justificativas é que o benefício do plantio de mudas para a imagem de empresa é imediata.
A empresa de segurança patrimonial Protecães optou por uma compensação diferente para o inventário de 2009. Além do plantio de árvores em parques e praças públicos de Cachoeirinha e Gravataí, também adquiriu créditos em um projeto de energia renovável. Somadas, as duas ações devem alcançar 375 toneladas de carbono.

Compra de créditos de carbono
Para adquirir créditos, as empresas têm duas possibilidades. O mercado regulado, formado pelos mecanismos do Protocolo de Kyoto, e o voluntário.
No primeiro caso, o protocolo permite a participação do Brasil por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Nele, as empresas com projetos que reduzam as emissões e tenham as suas metodologias de redução aprovadas pelo ONU podem vender crédito para outras empresas.
Mesmo com preço mais alto, essa opção pode agregar valor, pois tem mais credibilidade. Hoje, a cotação de um crédito de carbono via MDL está em torno de 12 euros. Cada crédito equivale à redução de uma tonelada de CO2.
Já no mercado voluntário, em que as empresas operam transações de redução de emissões sem a supervisão da ONU, o preço é um pouco menor e mais variável. Um crédito pode ser vendido por R$ 5 ou R$ 20, dependendo do projeto.
A unidade da ThyssenKrupp Elevadores em Guaíba (RS), por exemplo, começou a compensar seu inventário em dezembro de 2010. Por meio do Voluntary Carbon Standard, adquiriu 2.130 créditos em um projeto de energia renovável na cidade de Pinhal da Serra.

Um novo investimento
Para compensar os gases que libera na atmosfera, uma empresa pode investir em um projeto que compense suas emissões. O novo investimento pode ser relacionado ou não com a área de atuação da empresa. O importante é que seja algo novo e que reduza, de alguma forma, as emissões.
Investimentos em energia limpa como parques eólicos ou placas de energia solar são boas opções. Ações de cunho social como educação ambiental ou preservação de animais não são compensadores, no entanto, podem ser desenvolvidas de forma complementar a outro projeto. Muitas empresas optam por mantê-las em paralelo para reforçar a imagem positiva com o público.
A instalação de um centro de coleta e reciclagem para resíduos também é um exemplo de investimento que compensa as emissões de uma empresa. Para que o empreendimento valha como compensador, é preciso seguir critérios rigorosos e passar por uma auditoria. Todo esse processo costuma custar mais caro do que plantar árvores ou comprar créditos de carbono.

ÃO LEOPOLDO CONTINUARÁ MULTANDO QUEM DESPERDIÇA ÁGUA TRATADA

Medições do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) de São Leopoldo, no Vale do Sinos, demonstram que o nível de água no Rio dos Sinos baixa a cada semana. No início de dezembro, o medidor indicava 2m na bacia de captação. Nesta quarta-feira, a régua marca 1,30m. Abaixo de 1m, o Semae começa a enfrentar problemas para retirar água do rio.

Para conter o desperdício, está valendo o decreto municipal de uso racional da água, assinado em dezembro de 2010, que prevê multa aos consumidores flagrados lavando carros, calçadas ou regando flores com água tratada. Em menos de um mês foram 70 denúncias e uma pessoa foi notificada. A multa é aplicada em caso de reincidência.

O engenheiro Roberto Mansur, coordenador de operações do Semae, ressalta que o abastecimento em São Leopoldo é normal por enquanto, mas alerta que a partir da próxima semana, os cuidados devem ser redobrados. Mansur ressalta que o nível crítico é 70cm, quando as bombas não conseguem captar água de forma adequada.

Outras cidades registram redução no volume de água
Em Novo Hamburgo, o volume de água também está abaixo do normal: 2,36m, quando o normal seria 3,85m. A Companhia Municipal de Água (Comusa) descarta racionamento e desenvolve campanha entre os consumidores para evitar o desperdício.

Em Gravataí e Cachoerinha, a Corsan afirma que a medição de 1,29m no Rio Gravataí é normal. Em Porto Alegre, a estiagem já é percebida no Guaíba. Entre a Usina do Gasômetro e o Anfiteatro Pôr do Sol, e em Ipanema a água recuou deixando à mostra pedras, areia e o lixo jogado na margem. O Departamento de Água e Esgoto assegura que na área de captação o nível de água não apresenta risco de desabastecimento.

No interior gaúcho, falta água para consumo humano em Bagé, Herval, Pedras Altas e Candiota. Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade nesta quarta-feira, o secretário estadual da Agricultura recém empossado, Luiz Fernando Mainardi, defendeu um projeto ousado para evitar a seca.

O secretário voltou a criticar a demora nos trâmites para a construção de barragem em Bagé, na Campanha. Além disso, Mainardi afirmou que precisariam centenas de barragens e outras formas de acumular água para amenizar as consequências da estiagem. Reunião esta tarde no Palácio Piratini irá tratar do tema.