Coluna do Sardinha

 

Espectros

Está circulando pela net uma teoria conspirativa (mais uma) odiosa. Segundo os que não tem muito a fazer, o futuro presidente dos EUA Barack Obama não seria americano de nascença e como tal não poderia concorrer à Casa Branca e muito menos ser eleito e tomar posse.
Pela absurda hipótese, que tem muito de intolerância racial, Obama teria nascido no Quênia tendo-se mudado para o Havaí quando ainda bebê e lá sido registrado.

Vamos dizer, que tal tenha algo de verossímil e crível. Porém o que não bate é que nos seis meses que mediaram entre o início da campanha presidencial e as eleições, Obama enganou mais de duzentos e cinqüenta milhões de americanos, os democratas que disputaram com ele a indicação do partido, os republicanos que terão de entregar o poder e os serviços de inteligência mais sofisticados do mundo.

Em razão de tudo isso, o primeiro presidente negro da nação americana, se correta tal tese, merece o poder, pois é na verdade o Capitão América, que povoou a imaginação criativa de muitos de nós.
Mas, ficção ou realidade, a mera lembrança da questão racial traz à tona algo que pensou-se definitivamente banido da realidade americana.

Cerca de cem anos se passaram, quando a cruz chamejante da Ku, Klux, Klan promovia chacinas cirúrgicas de negros, cujo maior crime cometido era ter nascido.

De lá a esta parte muitos se sacrificaram na luta pelos direitos de todos os cidadãos sem discriminação.

Se Martin Luther King tivera um sonho, este materializou com a eleição de Obama que representa para o mundo uma vitória das minorias e uma derrota da intolerância.

De Obama espera-se muito mais do que ele pode fazer, haja vista a cobrança descabida e até demagógica do presidente brasileiro, para quem o futuro presidente deveria reunir-se com sua equipe de transição e apresentar uma solução para a crise.

Esquece o brasileiro que os Estados Unidos não são o Brasil e que medidas tipo “financiar a exportação, a indústria automobilística” e quetais, tomadas de afogadilho e que nitidamente privilegiam grupos que especularam adoidado na época do câmbio manipulado, lá não funcionam porquê o atento eleitorado cobra e esperneia pelos direitos da maioria.

Não acreditamos que o novo presidente americano tenha algum coelho mágico para tirar da cartola, pois a maior dificuldade que irá encontrar, será administrar e solucionar o desastroso efeito Bush, que vai exigir um longo período de governo para ser extirpado.

Os primeiros noventa dias de governo democrata serão cruciais. Quando Barack no final deles dirigir-se ao Congresso para falar sobre “O estado da União”, apresentando seu provável plano de governo, o mundo irá saber a que ele veio e para onde vão os Estados Unidos.

Resta saber se o presidente negro terá autoridade bastante para segurar os arautos da violência que sempre rondaram os presidentes americanos. Respaldo popular talvez sobre, mas é nas minorias radicais que mora o perigo.

Os espectros de John F. Kennedy, de Abraam Lincoln, qual fantasmas ainda pairam pela Casa Branca.

Só por isso já dá para antever a quantidade de obstáculos e o grau de dificuldades que Barack Obama terá de enfrentar em sua passagem pelo governo. A crise econômica que afeta a nação americana será apenas uma delas, mas seguramente não a pior, nem a mais complexa.

 
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Luiz Bosco Sardinha Machado

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