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‘Homenagem a Eduardo Galeano, escritor uruguaio autor de ‘O paradoxo ambulante’, texto extraído de seu livro “Espejos”,ainda inédito.’ Meio que errante vou perambulando, deambulando e sonambulando por letras, palavras, frases e parágrafos que demonstram a ortodoxia, onde o ser nem sempre é e o parecer, algo relativo. Acima de tudo e de todos, como um falcão talvez peregrino, vejo impérios e reinados, repúblicas orientais e ocidentais, o velho e o novo mundo. Vejo guerrilheiros na floresta, tomando pepsi ou coca talvez, sonhando alto com a igualdade entre homens e mulheres, usando o mesmo banheiro nos shoppings do mundo. Religiosos
orando para os mesmos deuses, suplicando por uma nova Inquisição,
com “i” maiúsculo, que fará a glória
de uma igreja universal. Israelenses trucidando palestinos, dando razão à obstinada errática que os persegue desde antes dos tempos em que a Mesopotâmia era o berço do mundo e talvez Satã nem existisse. Vejo a Torre de Babel separando os homens pela língua e as Torres Gêmeas os unindo pela morte. Vejo ainda, Satã invadindo a Babilônia e fazendo de seus jardins um campo de destruição e de suas veias jorrando petróleo. E o pobre povo com seus parcos sonhos, acordando e acreditando que ainda viver é possível e da mão espalmada no Memorial, jorra sangue verdadeiro deste paradoxo povo latino-americano, para quem acima de tudo, viver é preciso. |
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