Felicidade
é...
Estamos nós de novo no fim do ano, com a publicidade nos bombardeando com aquela ilusão de felicidade comprada nos shoppings, configurada em pacotes e pacotes de presentes coloridos, com muitas fitas, luzes, ceias fartas, família reunida, como se ter tudo isso fosse condição para que continuemos vivendo. Já faz um tempo que essa armadilha não me pega mais. É claro que estar junto é bom, ainda mais com as pessoas mais próximas da gente. É claro que comer bem é bom, ainda mais quando a gente compartilha. Presentear é bom, receber presentes também. Mas, será que se a gente não tiver um peru ou uma árvore enfeitada ou uma reunião familiar a gente não é nada? Será que felicidade é isso? Em
primeiro lugar, o importante não é ter, é ser.
A quantidade de bens que uma pessoa possui não influi na
capacidade dela ser feliz. Se você guiar a sua vida pelo desejo
de possuir, é claro que num determinado momento você
vai se frustrar. Porque você não pode ter sempre tudo
que você quer, como já dizia a canção
dos Rolling Stones. Um antigo psiquiatra costumava me dizer que,
se alguém tiver uma ilha, vai sentir inveja de quem tem duas
ilhas. E À
medida em que a gente vai crescendo e vivendo em sociedade, são
muitos os obstáculos que arranjamos para justificar nossa
incapacidade de sermos felizes. Há as meninas anoréxicas,
escravizadas pela obsessão de ter um Sobre
felicidade, eu gosto de contar um episódio que testemunhei,
numa viagem ao Canadá, nos anos 90. Eu estava caminhando
pela Saint Catherine, uma das ruas principais de Montreal, quando
ouvi uma gargalhada É claro que a dor da gente dói mais. É claro que os problemas não vão acabar se a gente mudar de atitude em relação a eles. Mas, exercendo essa capacidade de ser feliz e celebrar que vem junto com a nossa alma, a gente pode levar a vida muito mais fácil. Pode acreditar, pode começar agora.
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