Tuitando
Cerca
de 30 anos atrás fiquei impressionado
ao ver Mario Lago na televisão dizendo que em
seu ofício de escritor e letrista, o mais difícil
não era escrever textos, mas cortar excessos.
Mais tarde descobri que o mérito dos bons escritores
estava em saber cortar o que era realmente “sobra” e
manter a essência do conteúdo.
E isso muito, mas muito antes de aparecer o Twitter.
Twitter.
O nome vem do inglês "tweet",
que quer dizer “pio”. Tweeter, quer dizer “piador”:
o sistema onde você solta seus pios.
O
Twitter é uma das redes sociais da internet,
que conecta você a milhares de pessoas que – supostamente – tem
algo a dizer. E quem já aprendeu a usá-lo
sabe que vicia.
Abra
uma conta gratuita em www.twitter.com e avise alguns
conhecidos. Logo você terá seguidores. Comece
a postar suas mensagens: algo que você viu, uma
dica de leitura, um comentário político,
um desabafo, qualquer coisa. Cada seguidor que gostar
de uma postagem sua vai retransmiti-la para outros e
aos poucos novos seguidores chegarão. E você vai
escolhendo quem você vai seguir (de quem você receberá mensagens)
e quem vai seguir você (quem você deixará receber
suas mensagens). Entrei como @lucianopires no início
de 2009 e em um ano cheguei a quase 2.000 seguidores
que recebem meus pios diários. Um monte de gente.
O
Twitter é uma inestimável fonte de informações.
Graças a ele descobri artistas excelentes, sites
maravilhosos e textos inspiradores. Mas também
pode ser uma perda de tempo se você seguir despejadores
de lixo, sacou? Você decide se o nível é alto
ou baixo.
Embora
seja um processo inovador, o Twitter obedece os mesmos
padrões da mídia convencional:
a maioria dos principais “tuiteiros” que
tem dezenas ou centenas de milhares de seguidores é composta
de celebridades de cinema e televisão. Postam
mensagens irrelevantes que atraem a atenção
por virem de celebridades. Um dia alguém criará uma
forma de medir a relação relevância
do seguido x relevância dos seguidores e então
saberemos quem tem realmente conteúdo.
Mas
voltando à entrevista de Mario Lago, um dos
grandes lances do Twitter é que qualquer mensagem
tem que ter no máximo 140 caracteres. Por exemplo,se
eu tentar “tuitar”: “Itaboraí:
em 2006, Lula inaugurou a pedra fundamental. Em 2008
as obras de terraplenagem. E em 2010 o início
das obras da primeira unidade. Depois vem a pia do banheiro
e o uniforme do porteiro.”, não vou conseguir.
A mensagem tem 192 caracteres, incluindo os espaços.
Para limitar aos 140 caracteres que o twitter exige,
terei que mudar para:
“Itaboraí: Lula inaugurou pedra fundamental,
terraplenagem e início das obras da 1a. unidade.
Depois vem a pia do WC e o uniforme do porteiro”
Não tem a mesma força, é verdade,
mas a essência do texto está lá.
E o mais interessante é que no exercício
diário de resumir tudo a 140 caracteres, você acaba
desenvolvendo a tal preciosa capacidade de síntese.
Que aos poucos carrega para seu dia-a-dia, indo direto
ao ponto. Eliminando as firulas. Cortando as gorduras.
Experimente.
Quem comanda o conteúdo é você,
Mario Lago curtiria o Twitter.
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Luciano Pires é
profissional de comunicação, jornalista,
escritor, conferencista, apresentador de podcast e cartunista.
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