Ano 1 - N° V

 

(Ma Jolie) Petite Fleur....

A primeira vez que ouvi, num daqueles filmes franceses meio safados de fim de noite, foi um choque; depois, descobri que a música do Rei Leão havia sido gravada há muitos e muitos anos, em francês, pelo Mestre. Henri Salvador destrói com “Petite Fleur” e não deixa dúvidas com “J´habité Saint Germain de Prés”. Em novembro último passei por ele no calçadão de Copacabana, tirando fotos como qualquer turista; nesse domingo de Páscoa deixou suas mãos na Toca do Vinícius, em Ipanema, com direito a uma canja de Luiz Bonfá (!!). Fui embora do reservado do antigo Veloso, covil carioca do Poli, onde o mais bobo dá nó em pingo-d´água, um pouco antes da chuva, e perdi esse evento. Aos 80 e lá vai pedrada de idade, esse é outro que explica para quem não está entendendo qual a diferença entre o charme e o funk.

A Nossa Varig

Quem nunca ouviu a primeira voz amiga quando estava no Timbuktu e essa era a Varig? Quem nunca viu nos aviões que tinham a cor do Grêmio (argh) a primeira sensação de acalanto, de estar em casa, conversar sobre uma planície gélida qualquer do mundo com tripulantes lá da serra do Caverá? Quem não entende de onde vêm os pilotos, o padrão de segurança e manutenção e a espinha dorsal da aviação comercial brasileira aqui e no Exterior, está por fora e acredita que todas as empresas são a mesma coisa e podem virar pó, merece ter uma visão mais completa do mundo. Torço muito para que a NOSSA VARIG tenha força e sobreviva. Com a Varig está um pouco de cada um de nós que acredita ainda em um mundo menos vulgar, insensível e superficial. A Varig é cidadã do mundo sem ser deslumbrada. Quem viu e vê sabe do que estou falando e onde está a diferença entre o charme e o funk. Imaginem o quanto estão famintos pelas suas rotas internacionais. Sem a Varig...quem tomaria conta? O que fica? Alguna idea, cucarachas? A sobrevivência e a solução cabem até pelo bom gosto: a música-tema da Varig (Estrela Brasileira, em algumas gravações Estrela das Américas) é simplesmente o maior jingle publicitário já composto no Brasil.


O Escritor do Rio

Que acadêmicos balbuciantes com meia-dúzia de exemplares distribuídos, que nada; que intelectuais pedantes e entediados, coisa nenhuma; o escritor residente do Rio hoje, solícito, discreto, devorador de panquecas no Villarino e tomador compulsivo de Coca Diet, é Luiz Alfredo Garcia-Roza, uma versão carioca do escritor verdadeiramente civilizado e sem frescuras que é o nosso Moacyr Scliar. Suas crônicas policiais são um retrato vivo do Rio de Janeiro, contradições e convívio entre o que é imbativelmente belo e o que é quase que irremediavelmente escroto. Leitura obrigatória. Dentro do Frescão (é um ônibus....) entre o centro e o Leblon, três passageiros liam seus livros. Há esperança no mundo.

Undererê

Querida cantora Eliana de Lima (aquela do Undererê, lembram?), venho me solidarizar contigo e reforçar que são extremamente injustas as comparações que têm sido feitas entre a tua impoluta figura e a deputada dançarina do Mensalão. Eliana, não se abale- em ritmo, sinceridade, silhueta, graça e bom gosto, você dá de dez a zero.