Polícia
e Bandido, Dimensão Épica
O espetacular sambão “Polícia
e Ladrão”, interpretado por Leandro Sapucahy e MarceloD2
trata da promiscuidade, da dificuldade de conviver na mesma exclusão
e estar em “lados opostos”da mesma desorganização.
Grande parte da população foi historicamente tratada como
cachorro sarnento por aqui, jogada embaixo do tapete, até o momento
em que o tapete ficou pequeno demais para tanta gente. Morando longe
ou empoleirado, sem orientação, trabalho, saúde
ou educação, é de se esperar que os poderes paralelos
se criem, onde essa mesma população é a maior vítima,
instaurando o medo e o preconceito terrível de associação
entre pobres e bandidos. Não há muitos bandidos, e sim
bandidos que agem livremente muitas vezes. Do outro lado, um sistema
judiciário e policial arcaico e mal administrado – no Rio,
há muito menos policiamento na rua do que em Porto Alegre ou
Brasília, além de sofrermos com uma boa dose de distorção
da mídia. Nos dias anteriores ao réveillon, enquanto os
restaurantes, bares e ruas da Zona Sul estavam lotados de gente, um
telejornal mostrava uma rua vazia e dizia “o Rio está deserto
hoje à noite”. Devem ter filmado às quatro da manhã.
É um quadro complexo. Muitas vezes exagerado, outras tantas negligenciado.
Por isso é saudável ouvir ao sambão “Polícia
e Ladrão”. Obra-prima. Desagradável ao extremo.
Acertaram na mosca.
A
Era dos Sofrenildos ...
Com atraso
em aeroportos virando coisa comum, criminalidade urbana, estradas ruins,
aumentos de deputados caras-de-pau, manutenção dos privilégios
aos “marajás” do setor público...hoje somos
todos um pouco Sofrenildos, e não perdemos o bom humor.
Saravá, Sampaulo, aonde você estiver, a saudade é
grande.
e
a Falta que Ela nos Faz.
O caos
aéreo, o voar feito sardinhas em lata torna a falta que ela faz
a todos os brasileiros uma dor pungente. A torcida pela volta por cima
é enorme. A Varig está na boca do povo, e nunca saiu.
___@@@@___
Endereços Clássicos
- O PATO LOUCO da Barata Ribeiro, Copacabana
O Pato Louco é um típico botecão
de vizinhança, em plena Barata Ribeiro,com um letreiro
enorme,das antigas, com caricatura do Pato e tudo, jogos eletrônicos,
mesa improvisada na calçada pelas comerciárias da
região, gaiatos e pinguços de plantão como
não poderia deixar de ser. Ali se comenta de tudo, e parece
que a qualquer momento irá surgir aquele ator escroto de
filme brasileiro da década de 60/70, trepidando de ressaca:
-Ô Pato Louco, bota um Ovomaltine!!
|
Gustavo
Grisa, do Rio de Janeiro