Ano 1 - N° IX

Polícia e Bandido, Dimensão Épica

O espetacular sambão “Polícia e Ladrão”, interpretado por Leandro Sapucahy e MarceloD2 trata da promiscuidade, da dificuldade de conviver na mesma exclusão e estar em “lados opostos”da mesma desorganização. Grande parte da população foi historicamente tratada como cachorro sarnento por aqui, jogada embaixo do tapete, até o momento em que o tapete ficou pequeno demais para tanta gente. Morando longe ou empoleirado, sem orientação, trabalho, saúde ou educação, é de se esperar que os poderes paralelos se criem, onde essa mesma população é a maior vítima, instaurando o medo e o preconceito terrível de associação entre pobres e bandidos. Não há muitos bandidos, e sim bandidos que agem livremente muitas vezes. Do outro lado, um sistema judiciário e policial arcaico e mal administrado – no Rio, há muito menos policiamento na rua do que em Porto Alegre ou Brasília, além de sofrermos com uma boa dose de distorção da mídia. Nos dias anteriores ao réveillon, enquanto os restaurantes, bares e ruas da Zona Sul estavam lotados de gente, um telejornal mostrava uma rua vazia e dizia “o Rio está deserto hoje à noite”. Devem ter filmado às quatro da manhã. É um quadro complexo. Muitas vezes exagerado, outras tantas negligenciado. Por isso é saudável ouvir ao sambão “Polícia e Ladrão”. Obra-prima. Desagradável ao extremo. Acertaram na mosca.

A Era dos Sofrenildos ...

Com atraso em aeroportos virando coisa comum, criminalidade urbana, estradas ruins, aumentos de deputados caras-de-pau, manutenção dos privilégios aos “marajás” do setor público...hoje somos todos um pouco Sofrenildos, e não perdemos o bom humor.
Saravá, Sampaulo, aonde você estiver, a saudade é grande.


e a Falta que Ela nos Faz.

O caos aéreo, o voar feito sardinhas em lata torna a falta que ela faz a todos os brasileiros uma dor pungente. A torcida pela volta por cima é enorme. A Varig está na boca do povo, e nunca saiu.

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Endereços Clássicos - O PATO LOUCO da Barata Ribeiro, Copacabana

O Pato Louco é um típico botecão de vizinhança, em plena Barata Ribeiro,com um letreiro enorme,das antigas, com caricatura do Pato e tudo, jogos eletrônicos, mesa improvisada na calçada pelas comerciárias da região, gaiatos e pinguços de plantão como não poderia deixar de ser. Ali se comenta de tudo, e parece que a qualquer momento irá surgir aquele ator escroto de filme brasileiro da década de 60/70, trepidando de ressaca:
-Ô Pato Louco, bota um Ovomaltine!!

Gustavo Grisa, do Rio de Janeiro