Roteiro
de Mandrake
Duas
“casas” na Avenida Atlântica, na altura do Lido, me
intrigam sobremaneira: um é o restaurante Chinese Palace, com
seu jeito de antro seboso de conspirações, há muitos
anos em um apartamento térreo com uma vitrine à beira-mar,
palco perfeito para encontros furtivos. Outro, a Boite Holliday, ao
lado do hotel Ouro Verde, hoje dedicada às moças de fino
trato e seus gringos de gosto duvidoso, mas que no passado testemunhou
shows como o dueto inédito de Janis Joplin e Serguei, o inimitável
pansexual. Está aí um roteiro interessante. Digno do Mandrake
do Rubem Fonseca que virou filme. Já a boate Night and Day, no
centro, está fora: reformada, bonita, sem mofo,bem frequentada,
mais parece o Dado Bier do que um point da decadente Cinelândia.
A ver por quanto tempo.
Obituário
de Clássicos Cariocas: Cabral 1500
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Tanto exaltei os clássicos bares do Rio, guardiões da
alma carioca, que assim que me mudei para cá eles têm falecido
em série. Quem mandou casar com uma cidade que deveria ser apenas
eterna namorada? Além do Caneco 70, que foi-se de vez, o clássico
Cabral 1500, centro nevrálgico de Copacabana e mata-fome de respeito
fechou suas portas na esquina da Bolívar com Atlântica,
ainda não se sabe se em definitivo. O Cabral 1500 dava nota fiscal
com a razão social “Boite Cabral 1500”, o que sempre
gerava piadinhas na prestação de contas de viagens ao
Rio. A seguir nesse ritmo, logo os melhores botecos clássicos
cariocas serão as imitações que hoje são
moda em São Paulo enquanto o Rio fica cada dia mais mauricinho
por um lado, e selvagem do outro.
A Varig e as(verdadeiras) Perdas Internacionais
Nem
o mais radical dos entreguistas neoliberais, como os pseudo-radicais
de esquerda gostam de pechar seus desafetos, pensou nessa solução
deslavada e de ótica pouco inteligente: pulverizar as linhas
internacionais da Varig entre as diversas companhias internacionais,
que oferecem aos brasileiros um tratamento condignamente cucaracha que
bem merecemos, por nossa pasmaceira e arte de mal votar.E os empregos,
o capital intelecutal, para onde vão? Para a Europa, Baltimore,
Minnesota...e nós continuamos mais e mais pobrinhos e mal empregados,
pois não temos capacidade de manter ou salvar uma companhia aérea
decente.
Porto
Alegre de altos e baixos
É
interessante ver Porto Alegre com olhos de visitante, e constatar aquelas
mudanças que no dia-a-dia não se nota: primeiro, notar
que a cidade está bem mais limpa, caprichada. Novos empreendimentos
surgem aqui e ali no meio da tradicional pasmaceira. A nota triste é
o centro de Porto Alegre, onde nada se faz: por que raios o Prefeito
Fogaça (que pelo jeito tem feito uma administração
competente) ainda não colocou o bloco na rua? A melhor coisa
da nossa Capital Gaúcha, além do irrepreensível
Copacabana, é ligar o rádio e daqui há pouco ouvir
o Nei Lisboa...