Ano 1 - N° VII

Roteiro de Mandrake
Duas “casas” na Avenida Atlântica, na altura do Lido, me intrigam sobremaneira: um é o restaurante Chinese Palace, com seu jeito de antro seboso de conspirações, há muitos anos em um apartamento térreo com uma vitrine à beira-mar, palco perfeito para encontros furtivos. Outro, a Boite Holliday, ao lado do hotel Ouro Verde, hoje dedicada às moças de fino trato e seus gringos de gosto duvidoso, mas que no passado testemunhou shows como o dueto inédito de Janis Joplin e Serguei, o inimitável pansexual. Está aí um roteiro interessante. Digno do Mandrake do Rubem Fonseca que virou filme. Já a boate Night and Day, no centro, está fora: reformada, bonita, sem mofo,bem frequentada, mais parece o Dado Bier do que um point da decadente Cinelândia. A ver por quanto tempo.

Obituário de Clássicos Cariocas: Cabral 1500

Tanto exaltei os clássicos bares do Rio, guardiões da alma carioca, que assim que me mudei para cá eles têm falecido em série. Quem mandou casar com uma cidade que deveria ser apenas eterna namorada? Além do Caneco 70, que foi-se de vez, o clássico Cabral 1500, centro nevrálgico de Copacabana e mata-fome de respeito fechou suas portas na esquina da Bolívar com Atlântica, ainda não se sabe se em definitivo. O Cabral 1500 dava nota fiscal com a razão social “Boite Cabral 1500”, o que sempre gerava piadinhas na prestação de contas de viagens ao Rio. A seguir nesse ritmo, logo os melhores botecos clássicos cariocas serão as imitações que hoje são moda em São Paulo enquanto o Rio fica cada dia mais mauricinho por um lado, e selvagem do outro.

A Varig e as(verdadeiras) Perdas Internacionais
Nem o mais radical dos entreguistas neoliberais, como os pseudo-radicais de esquerda gostam de pechar seus desafetos, pensou nessa solução deslavada e de ótica pouco inteligente: pulverizar as linhas internacionais da Varig entre as diversas companhias internacionais, que oferecem aos brasileiros um tratamento condignamente cucaracha que bem merecemos, por nossa pasmaceira e arte de mal votar.E os empregos, o capital intelecutal, para onde vão? Para a Europa, Baltimore, Minnesota...e nós continuamos mais e mais pobrinhos e mal empregados, pois não temos capacidade de manter ou salvar uma companhia aérea decente.

Porto Alegre de altos e baixos
É interessante ver Porto Alegre com olhos de visitante, e constatar aquelas mudanças que no dia-a-dia não se nota: primeiro, notar que a cidade está bem mais limpa, caprichada. Novos empreendimentos surgem aqui e ali no meio da tradicional pasmaceira. A nota triste é o centro de Porto Alegre, onde nada se faz: por que raios o Prefeito Fogaça (que pelo jeito tem feito uma administração competente) ainda não colocou o bloco na rua? A melhor coisa da nossa Capital Gaúcha, além do irrepreensível Copacabana, é ligar o rádio e daqui há pouco ouvir o Nei Lisboa...