Estava
pela manhã me preparando para mais um dia de
trabalho e lembro, ao deparar com a manchete do jornal
da liberação das candidaturas de candidatos
com ficha criminal, que esqueço um adereço
importante que todo cidadão e contribuinte brasileiro
deveria usar no dia de hoje, especialmente: o nariz
de palhaço.
Não
sou criminalista, não sou cientista político,
mas o senso crítico e lógico de qualquer
brasileiro é afrontado por mais uma decisão
corporativista que marca um distanciamento das instâncias
de poder da voz e da opinião das ruas e da lógica
da civilização. Para qualquer concurso
público, é necessário o atestado
de bons antecedentes. Para orientar politicamente o
servidor público e ordenar despesa e investimentos
públicos, não há limitações.
O
que se disse, em meias palavras e detrás de subterfúgios
técnicos, é que a criminalidade não
é um item que iniba um candidato a apresentar-se
ao povo para ser seu representante, para governar, legislar,
gerir as finanças públicas em meio a uma
carga tributária cada vez mais asfixiante. Ou
seja, está tudo liberado. Tecnicidades à
parte, politicamente é isso que se passou ao
povo brasileiro.
Restaria
ao eleitor pesquisar um pouco mais a fundo o que faz
e fez o seu candidato até hoje e escolher muitas
vezes o “menos ruim”, aos cidadãos
decentes e honestos se distanciarem ainda mais e se
desgostarem da política, aos políticos
decentes e honestos serem desqualificados por se igualarem
e estarem ombro a ombro, em suas atividades e na busca
eleitoral, com bandidos- e o nome é esse- muitas
vezes comprovados e descarados. A melhor escolha só
virá a partir de melhor oferta de candidatos.
Assim
é difícil combater o abuso do poder econômico
(sabe-se lá com que fontes), as promessas impossíveis,
o assistencialismo, o fisiologismo e o baixo nível
que transforma nossas câmaras, prefeituras, palácios,
assembléias e até o Senado em um plantão
de polícia. Pior ainda, joga no ridículo
quem tenta passar à população uma
mensagem de crédito no trabalho, no mérito
e na educação.
Perde
muito o Brasil e os cidadãos honestos, maioria
absoluta desse País. E, mais uma vez, uma instância
importante de poder demonstra claramente de que lado
está. É perdida mais uma oportunidade
de avanço institucional. É uma pena que
o nosso processo eleitoral, se não bastasse o
assistencialismo, clientelismo e o baixo discernimento
ao votar, sirva também para uma reprodução
de constrangimentos - difíceis de explicar, difíceis
de justificar.