Ano 3 - N° V

O sábado pós-Fausto Wolff

O Fausto real no antigo restaurante
Lucas da Av.Atlântica

Pois sexta-feira à noite o Brasil ficou menos inteligente. Perdemos o escritor, cronista e iconoclasta Fausto Wolff, um dos últimos a falar o que pensa nesse País, mesmo quando equivocado em seu comunismo ranheta.

Fausto é muito conhecido por sua personalidade de beberrão irascível, teimoso e voluntarioso. Mas quem acompanhou um pouco do seu trabalho descobriu um finíssimo escritor, que escreve ao mesmo tempo com virulência e estilo. Se Ruy Castro declarou que “houve uma época no Rio de Janeiro que todos queriam ser Fausto Wolff”, tenho certeza que todos gostariam, inclusive eu, de poder escrever como Fausto Wolff. Ou, em determinados momentos, viver as aventuras do seu personagem, ou do próprio.

O seu texto sempre carregou uma fina ironia subliminar, sabia dar o seu recado intelectual, fazer pensar, sem ser pedante. O nome do personagem principal do seu romance “À Mão Esquerda” era Pérsio Traurig, que, em alemão, significa Pérsio “Triste”.

A lenda, que virou até desenho animado

Nesse romance, vencedor do Prêmio Jabuti e uma espécie de “rat pack” politizado por escrito, estão lá algumas pérolas sobre o pensamento do típico colono gaúcho misturado com o clima de uma meia-água da travessa Saint Roman com castelos de nobres europeus arruinados. Há alusões a figuras porto-alegrenses como Ibsen Pinheiro e Glênio Peres. Mistura o Rio Grande, o Rio de Janeiro e o mundo magistralmente.

Mas o melhor era o próprio personagem, ou lenda Fausto. Suas histórias, verdadeiras ou não, corriam o Rio de Janeiro. Como sua não-aceitação histórica no Clube Marimbas, em Copacabana, ou a a história do troféu da Brahma pelos 54 chopes consumidos. Bares como o Lucas e o Aboim se vangloriavam do ilustre freqüentador. Fausto aparece até em um desenho animado, contracenando com Jaguar.

Pois no sábado encontro em um velho restaurante de Copacabana uma mesa comandada pelo cartunista Chico Caruso com amigos e parentes do escritor falando exatamente de ...Fausto Wolff. Chico chegou a conversar por telefone com Luis Fernando Veríssimo e sua esposa, entre uma e outra história do barão vonTraurigzeit.

Veja obituário completo no site da Associação Brasileira de Imprensa
http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=2736