Ano 1 - N° VI

O Faquir Gordinho

Já vem desde a Idade Média o gosto da população por tipos exóticos. Nas antigas feiras européias, era comum exibir seres humanos com características bizarras, dentro de aquários ou jaulas. O que não é comum é ser levado a sério numa convenção de um Partido de grande porte, ter intenções de voto para Presidente ou ser eleito governador de alguma coisa.

Sim,respeitável público, fui conferir pessoalmente o espetáculo do nosso gorducho Rapazinho, que em vez de isolar-se no alto padrão de serviço do Kur Hotel ou similares resolveu servir de espetáculo por trás duma vitrine de vidro num escritório abafado do centro da Cidade. No meio da ladainha interminável de correligionários mais espontâneos que a compridona da novela das 8 e o xingamento da grande maioria dos populares e moradores do edifício onde se deu tal teatrinho, colhi os resultados da seguinte enquête:

63% dos entrevistados acham que o Rapazinho tinha um estoque de biscoitos de polvilho muito bem escondido para as horas certas;
58% acham que o que houve foi desculpa para não precisar dividir o leito matrimonial com sua cara-metade (de pau);
53% (e 70% das mulheres) acham que o moçoilo também economizou água e sabonete durante o período;
38% (infelizmente, poucos) acham que o Partido que leva uma figura dessas a sério merece uma gargalhada; é o ponto mais baixo da sua história.
26% acharam que esse faquir não era de nada; muito pesado para levitar.
94% juraram não ter votado nele de jeito nenhum, apesar do Mocinho e família terem vencido duas eleições majoritárias...

Na saída, consegui fugir dos ônibus que trancavam o trânsito e dos pobres-diabos que estavam lá em troca de 5 merréis e uma dose de papo furado. Tristes tempos para os humoristas. Não conseguem superar a realidade, por mais que tentem. A parte sem graça desse picadeiro de sanguessugas, silvinhos e mártires é que os Palhaços no Salão somos nós: eu, você, nós dois, aqui nesse terraço à beira-mar...

Rio Grande para o Mundo Ver

Não é segredo para ninguém o quanto critico a pasmaceira do nosso RS. Mas tem algumas coisas que deveriam servir de exemplo do que podemos e sabemos fazer: a última edição da revista portuguesa Volta ao Mundo traz na capa uma civilizadíssima Serra Gaúcha com texto primoroso do escritor Francisco Viegas. Para mostrar que trabalho bem feito e empreendorismo qualificado geram resultados. Viva o Rio Grande que dá certo!!!!