Ano 1 - N° IV

O Céu e o Inferno de Cada Um - (Primeira Parte)

Cada um de nós tem seu céu e inferno particular, ou a idéia que fazem do que seria o seu Jardim do Éden ou a convivência nos domínios do Demo himself. Aqui vão algumas dicas do que espero de cada um deles...

Céu
Bares e Restaurantes- os velhos bares e restaurantes não fechariam nem mudariam nunca. Também não ficariam lotados nem às moscas, sempre no meio termo.Já dizia o Carlinhos de Oliveira, habitué de bar ou restaurante é como gato velho- odeia mudança. O garçom eterno seria a dinastia Bekeio do Copacabana com a ajuda de comparsas folclóricos. E serviriam tudo o que não está no cardápio, como todo lugar que merece seu nome.

Inferno
Governo- O Presidente do Inferno seria o Rapazinho, esse gordinho que habita a terris carioquis (como dizia o Mussum) e faz a barba com óleo de peroba. O governador, o Bigode (hic!), nosso velho conhecido, que trataria de expulsar qualquer empresa melhorzinha que quisesse se instalar na trevas. Ministro da Fazenda, vitalício, o Severino. O Legislativo talvez não demandasse muitas alterações....

p.s.aguardo sugestões de mais “céus” e “infernos”...preservo a fonte...não se preocupem.

A Vovó do Elevador

Edifício austero, suntuoso e com pintura descascando, típico do Centro da cidade. Pego o elevador de madeira, a simpática ascensorista conta para uma colega enquanto escuta seu walkman como é a sua NETINHA, recém nascida. Como a voz não me soa tipicamente avuncular, presto atenção e comprovo: a vovó em questão, sorridente e feliz, deve ter se muito seus trinta anos. Aparenta menos. Tem gente fazendo quatro gerações em tempo de duas....

A pensar: o jornal “O Globo” de alguns domingos atrás indicava que para cada 1 brasileiro das classe A/B existem 5,5 brasileiros das classes econômicas D/E. Para cada 1 criança que nasce na classe A/B, 10 crianças nascem nas classes D/E.

Carnaval pela Janela e Stones

Quem estava a 20 metros do show dos Rolling Stones -logo atrás do palco- e não ouviu bulhufas não tem uma descrição tão vibrante como fez a Rede Globo durante todo o domingo. O que o Brizola diria dessas versões? Sobraria para o Roberto Marinho ou para as perdas internacionais...que não têm nada a ver com os empates do Internacional, a não ser o fato de que ajudam a angustiar a gente.

Para compensar o IPTU aviltante, os moradores do Leblon ouvem pela janela blocos de carnaval do bairro com as clássicas marchinhas. E tudo acaba obrigatoriamente com “Cidade Maravilhosa”, que já foi até hino da antiga Guanabara. Já se um dia rolar axé pela janela, goodbye Ruby Tuesday. Nem blindando. Melhor mudar para o Lami, onda a praia pelo o menos é balneável.