| |
|||||||
|
|
Ano 1 - N° VII São Paulo Bagdá : a face irônica Enquanto tem gente que parece estar comemorando em silêncio o fato trágico que teria devastado a Lavoura de Chuchu (será?), persistem dois traços irônicos. Um deles é a revelação de um astro de filmes de terror em rede nacional capaz de contracenar com o antigo Bela Lugosi; outro, a secreta perversão dos cariocas ao ver o "entrevero" lá do outro lado do campo, em uma São Paulo que tanto enxovalhou e adora enxovalhar o Rio. Quem diria que as duas grandes capitais nacionais estariam disputando qual a mais trash.... Caneco
70: Reforma ou Despedida? Não existe mais por que essa semana o Caneco 70 amanheceu fechado. Teria sido vendido para um novo empreendimento imobiliário, ou apenas reformado para a Copa? Tenho medo de ir lá perguntar. O Leblon e Ipanema são uns dos poucos lugares no Brasil onde ainda há bom comércio e lazer na rua e onde se encontram as pessoas- que é o segredo de qualquer bairro ou cidade que mantém a urbanidade. As vezes a Ataulfo de Paiva lembra para mim a antiga Rua Grande de São Leopoldo. Deve lembrar outras ruas para tantos outros cariocas por assimilação. Mas há um shopping sendo construído próximo ao Jardim de Alá que gera controvérsias e dúvidas se há demanda na região para o comércio de rua se manter. Perdido o comércio de rua, não há revitalização que salve. Está morto o bairro. Quem achar um shopping center de grande porte na região central de Nova York, Paris ou Roma ganha um prêmio. E nessas cidades ninguém da ponto sem nó: por algum motivo, será. Quem te ouviu, quem te ouve Ouvir o último CD do Chico Buarque trouxe uma sensação próxima de ver o Falcão jogando a Copa de 86: tristeza em notar que um craque já não consegue fazer o que já fez com maestria. É óbvio que quem escuta as inéditas de Chico já as qualifica em um nível acima da média da MPB de hoje - todo fora de série tem um nível mínimo de qualidade. Mas é muito ralinho para quem sintetizou obras-primas como “Flor da Idade” (quem ainda não ouviu, ouça por favor) e tantas outras. O Chico,
dizem, é uma figuraça com quem mostra ter mais de três
neurônios, escreve bem (Budapeste é muito bem escrito,
apesar de xarope) e demonstra ter bom gosto nas escolhas gastronômicas.
Mas, craque em seu ofício, volta e meia se atrapalha quando resolve
falar de sociedade e política. E como. |
|
|||||