Ano 1 - N° VIII

A Vaia de Ipanema

Essa típica cena ipanemenha não saiu em nenhuma coluna de jornal da segunda-feira. Mas meninos, eu vi. Domingo, uma da tarde, auge do movimento: um caminhão de som tamanho mastodonte pára na praia em frente ao Country Club, e o locutor começa com uma cantilena pró-Lulística empolgadíssima. Talvez pela harmonia do domingo quebrado pela ladainha eleitoral, talvez por haver algo de novo no Reino da Baviera. Alguém puxou e logo, como no Ponteio de Edu Lobo e Capinam, era um, era dois, era cem; a vaia, uníssona e crescente, entremeada por adjetivos pouco lisonjeiros. Mais rápido que um corisco, o motorista acelerou e o locutor silenciou enquanto o caminhão já sumia pelo Jardim de Alah. Ipanema não perdeu toda a sua irreverência. Para o bem ou para o mal, começou a campanha eleitoral no domingo carioca.

As manchetes nas bancas de revista

Para quem duvida que o poder de formação de opinião está nas manchetes, e não no detalhe das linhas e comentários, vale observar as bancas das manhãs cariocas e a legítima televisão de cachorro cultural. Quem não compra jornal todo dia se aglomera para ler as manchetes nas bancas, às vezes às dezenas. Faz seu briefing diário, sem frescuras. Bom aprendizado para declarações radicais e dogmáticas do tipo “Brasileiro não lê.....”. O Rio cenário está nas ruas, nas pessoas e traz uma iluminação única. Basta filmar.

A Charge que Disse Tudo
Que me permita o Chico Caruso e o Globo. A charge desse domingo foi genial, mesmo que seja daquelas que trazem mais tristeza do que riso.

ENCONTRO DE AMIGOS

- E então, dr. Ulysses, o nosso velho PMDB
ganhou os Correios?
- Qual PMDB, caro Dante? Não o meu, nem o seu, nem o nosso...


(Chico Caruso, O Globo, domingo, 09/07/06)