Rio
pra Inglês Ver
Fãs
ingleses de corridas de cavalo, todos na Terceira Idade, vieram atrás
de emoções fortes no Rio. Mas não esperavam tanto.
Ms.
Harriett de Chevy Chase que depois de viúva virou moderninha
e até assistiu Cidade de Deus, achou que era um teatrinho, uma
performance dos nativos que atacavam de arma em punho o ônibus
que vinha do Galeão para o Copabacabana Palace e acabou ficando
sem câmera digital, dinheiro e o broche que o falecido havia ganho
há algumas décadas. Agora nossos amigos do nariz rosado
vão gastar suas libras até no Timbuktu, mas não
mais no Brasil. Houve gente por aqui que justificou que isso acontece
com os gringos por que são muito espalhafatosos, descuidados,
otários mesmo. E nós, por sermos malandros, estaríamos
menos vulneráveis. Sim, somos muito malandros. Só falta
o kichute para não escorregar na malandragem. A grana
de Ms. Harriett, nunca mais. Depois nos param na Alfândega, nos
tratam como república das bananas e achamos ruim. Esses gringos
não têm jogo de cintura mesmo. Menos mal que na Copa do
Mundo a gente se vinga deles.
Paula
D’Além Mar
Os
mais exaltados diriam que ela nem precisava ser tão inteligente.
Paula Moura Pinheiro não é exatamente
uma novidade em Portugal, já há algum tempo vem ocupando
espaço na mídia. Para quem não pode vê-la
na TV, há o consolo de artigos nas revistas Grande Reportagem
ou Volta ao Mundo. Tem uma crônica viva, atual e que não
é bobinha nem superficial. Gera arroubos dramáticos e
fãs carregados. No Brasil das menininhas “show de bola”
e apresentadores fabricadas em série ela causaria estrago –
se eliminarmos o sotaque, é claro. Admirável que aqui
seja tão desconhecida, logo ela que gosta tanto da gente. E a
gente gosta de Big Bródi, revistas de “celebdades”
e de apresentadoras com cara de azia. Tanta incompreensão daria
até um fado ou canção de Mafalda
Veiga. Mas chorem menos, alfacinhas. Paula existe. E pensa.
Regenerador
de Pâncreas do Manduca
Em
Ipanema, na Visconde de Pirajá entre Joana Angélica e
Vinícius, se não me engano, encontra-se uma das maiores
descobertas da ciência moderna: o legítimo Regenerador
de Pâncreas do Manduca, feito com beterraba, couve-flor, colza,
mel, vagem e outros seis ou sete ingredientes . O anúncio não
deixa dúvida: “se é bom para seu pâncreas,
é bom para a saúde”. Entre as dezenas de lojas de
suco cariocas, o Manduca já conseguiu firmar sua fama junto aos
mais afeitos a maltratar seu aparelho digestivo, principalmente os pés-de-cana
que têm medo da pancreatite. Não pude deixar de prová-lo-
o sabor é de xingar a família do Manduca até a
quinta geração, mas deve fazer bem para saúde.
Quem sabe uma hora dessas o Manduca não ganha o Prêmio
Nobel?