Ano 1 - N° III

Rio pra Inglês Ver

Fãs ingleses de corridas de cavalo, todos na Terceira Idade, vieram atrás de emoções fortes no Rio. Mas não esperavam tanto. Ms. Harriett de Chevy Chase que depois de viúva virou moderninha e até assistiu Cidade de Deus, achou que era um teatrinho, uma performance dos nativos que atacavam de arma em punho o ônibus que vinha do Galeão para o Copabacabana Palace e acabou ficando sem câmera digital, dinheiro e o broche que o falecido havia ganho há algumas décadas. Agora nossos amigos do nariz rosado vão gastar suas libras até no Timbuktu, mas não mais no Brasil. Houve gente por aqui que justificou que isso acontece com os gringos por que são muito espalhafatosos, descuidados, otários mesmo. E nós, por sermos malandros, estaríamos menos vulneráveis. Sim, somos muito malandros. Só falta o kichute para não escorregar na malandragem. A grana de Ms. Harriett, nunca mais. Depois nos param na Alfândega, nos tratam como república das bananas e achamos ruim. Esses gringos não têm jogo de cintura mesmo. Menos mal que na Copa do Mundo a gente se vinga deles.

Paula D’Além Mar

Os mais exaltados diriam que ela nem precisava ser tão inteligente. Paula Moura Pinheiro não é exatamente uma novidade em Portugal, já há algum tempo vem ocupando espaço na mídia. Para quem não pode vê-la na TV, há o consolo de artigos nas revistas Grande Reportagem ou Volta ao Mundo. Tem uma crônica viva, atual e que não é bobinha nem superficial. Gera arroubos dramáticos e fãs carregados. No Brasil das menininhas “show de bola” e apresentadores fabricadas em série ela causaria estrago – se eliminarmos o sotaque, é claro. Admirável que aqui seja tão desconhecida, logo ela que gosta tanto da gente. E a gente gosta de Big Bródi, revistas de “celebdades” e de apresentadoras com cara de azia. Tanta incompreensão daria até um fado ou canção de Mafalda Veiga. Mas chorem menos, alfacinhas. Paula existe. E pensa.

Regenerador de Pâncreas do Manduca

Em Ipanema, na Visconde de Pirajá entre Joana Angélica e Vinícius, se não me engano, encontra-se uma das maiores descobertas da ciência moderna: o legítimo Regenerador de Pâncreas do Manduca, feito com beterraba, couve-flor, colza, mel, vagem e outros seis ou sete ingredientes . O anúncio não deixa dúvida: “se é bom para seu pâncreas, é bom para a saúde”. Entre as dezenas de lojas de suco cariocas, o Manduca já conseguiu firmar sua fama junto aos mais afeitos a maltratar seu aparelho digestivo, principalmente os pés-de-cana que têm medo da pancreatite. Não pude deixar de prová-lo- o sabor é de xingar a família do Manduca até a quinta geração, mas deve fazer bem para saúde. Quem sabe uma hora dessas o Manduca não ganha o Prêmio Nobel?