Ano 1 - N° IX

Crônicas da alma lavada

I) Osh coloradosh

E o Rio.....virou colorado. Desde o meio da semana, na época do jogo do Ah Ahly uma enorme bandeira colorada já cobria uma fachada de prédio na Av. Delfim Moreira, no Leblon, deixando apavoradas as mofentas damas do “high society”. Na Avenida Atlântica, em Copacabana, idem. Na rua, guris “coloradosh” de sete, oito anos de idade exibiam a camisa do Inter, adotado diante do mico que são hoje Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco. Na segunda-feira o jornal “Lance”com o pôster do Inter esgotou no centro do Rio às 11 horas da manhã. O Jornal dos Sports trazia um Papai Noel colorado enorme na capa.

Nunca fui tão popular por ser colorado. Aos amigos cariocas, não pude deixar de dizer: olha, em 2002 a gente era tão “mané” quanto vocês.Trabalhando direito, as coisas mudam.

II)Deixem o Grêmio em Paz !

Sim, senhores, agora estamos quites. E não adianta ser radical ou imbecil a ponto de disputar se o troféu FIFA vale mais que a Copa Toyota,etc. A realidade é que o título do Inter de 2006 equivale ao do Grêmio de 1983. Em vez da babaquice de querer diminuir o título deles de 1983, os colorados deveriam valorizar o momento, o fato de que agora, hoje, com a diferença financeira entre o futebol brasileiro e europeu é enorme, esse título é nosso. Ou seja, por um ano o Inter canta de galo no futebol mundial. Outro argumento que pode ser usado é que a vitória deu-se contra uma equipe que é tida como a melhor do mundo, o que não era o caso do Hamburgo, da Alemanha, por exemplo,na época. Mas vamos deixar o Grêmio em paz com essa discussão babaca de FIFA/Taça Toyota. Se é para rir de algo, é melhor rir do DVD da série B “Inacreditável: A Batalha dos Aflitos”, lançado com estardalhaço no ano passado...

Mas o que interessa é que hoje o Inter está no mesmo nível de prestígio internacional que já tinham Flamengo, o próprio Grêmio e o São Paulo. Com a vantagem de ter ganho de um time com grande exposição e ter tido enorme cobertura de mídia, em todo o mundo. Uma bela oportunidade para ganharmos algumas centenas de milhares de novos torcedores pelo Brasil inteiro e respeito pelo mundo afora.

III) O Taxista do Salgado Filho - 1996

Dez anos atrás, aeroporto Salgado Filho, terminal antigo – aquele da “Conquista do Espaço”, do Locatelli. Estava eu chegando no aeroporto no dia em que o Grêmio estava retornando com a Taça Libertadores daquele ano. As hordas gremistas podiam ser vistas de longe. Eu, engolindo em seco, e pensando “oh, Senhor, por que nos abandonastes?”. O taxista que me levou dali, com o olho embaçado de emoção, dizia: “Ah, guri (eu era na época), já imaginou o povo colorado num dia de festa dessas?Eu não aguentaria de emoção”.

Pois é, meu amigo que na época dirigia um valente Fusquinha: isso aconteceu ontem (terça-feira). E aquilo que a gente viu aquele dia era quermesse comparado com a catarse de quem tanto sofreu em silêncio por tanto tempo.....como que um time enorme desses podia ter ficado tão pequeninho? Não ficou. Por isso espero que o amigo do táxi tenha chorado de felicidade ontem tanto quanto eu chorei quando vi a tela de encerramento do jogo no domingo. A vitória é da raça e da honra do povo colorado.

Com dois campeões mundiais e três Libertadores, Felipão, Dunga, Ronaldinho, Falcão e tantos outros, que bom seria se o Rio Grande fosse tão bom em outras coisas quanto é no mundo do futebol.

Feliz 2007 a todos. A luta continua.

Gustavo Grisa, do Rio de Janeiro