Um
pouco de Carlinhos de Oliveira....para redimir o Leblon
Há
pouco o que se dizer com tanta distorção nas tais Páginas
da Vida da Globo sobre o pobre Leblon, que é um feliz e folclórico
bairro de classe média, com restaurantes e comércio simples
e bons, e não o pastiche artificial, irreal e forçado
que nos empurram todos os dias pela tela. Chamo o Carlinhos de Oliveira,
o mais preciso cronista que o Rio já teve, para reparar parte
do problema, definindo o bairro com a sutileza que falta à “Grobo”:
“Há
também uma loja de roupas na qual nunca ninguém entrou.
Muita gente passando, dá uma espiada na vitrine, mas entrar ninguém
entra.”
“Temos
também um senhor muito velho, mas muito velho mesmo, com os cabelos
todos brancos e tão magrinho, coitado. Ele aparece na porta do
prédio com aquelas calças pretas que caberiam dois velhinhos.E
o velhinho vai caminhando assim,feito bonequinho de corda, cumprimenta
o jornaleiro, e volta”.
“Os
homens de terno e gravata vão chegando da cidade (obs.é
como os cariocas chamam o centro do Rio). `A cidade está um inferno`,
diz um deles. E pedem uísque. E telefonam para aquelas antigas
mulheres que já nem se lembram deles, aquelas mulheres para as
quais a gente telefona em desespero de causa”.
In: José
Carlos Oliveira, O Rio é Assim – Crônicas de uma
Cidade (1953-1984).
O
Prinz e a melhor maionese do mundo
Os
amantes da Porto Alegre ao estilo clássico sabem que nos altos
da Protásio Alves encontra-se o Bar Prinz, apertado, construído
em um apartamento com puxadinho e tudo, não aceita cartão
de crédito, para estacionar é um inferno. Mas é
um dos dois ou três lugares que, para mim, define o melhor de
Porto Alegre. O sanduíche aberto é uma instituição,
os filés dispensam comentários, além de sempre
encontrar por lá gente conhecida ou folclórica, além
dos garçons figuraças. A maionese do Prinz, porém,
é a maior preciosidade. A melhor do mundo. Vou explicar como.
Corre aqui
no Rio de Janeiro a lenda de que o Sérgio Cabral (pai do nobre
governador recém-eleito), jornalista conhecido, andou pela Alemanha
inteira tentando experimentar uma maionese melhor do que a do legendário
Bar Luiz (foto), no centro do Rio. E não encontrou....sendo assim,
coroou o Bar Luiz como dono da melhor maionese do mundo. Pois bem...já
estive lá duas vezes para tirar a prova e vou dizer: Maiô
do Prinz 10 x 0 Maiô do Luiz. Logo, nós gaúchos
que gostamos tanto de ser os melhores, podemos nos orgulhar. Segundo
o método de Cabral, que não conhece o Prinz, concluí
que temos em Porto Alegre a melhor maionese de restaurante do mundo.
Os
Cataventos de Osório
Estive
há pouco tempo com um grupo de amigos cariocas e baianos que
cometeram a sandice de passar o feriado conhecendo o.....litoral gaúcho.
Em meio a vento e tempestade de areia digna de competir com o Saara,
água tépida como no Alasca, uma belíssima imagem
do melhor turismo que o Rio Grande pode oferecer, e tomara que ofereça
cada vez mais, cresça e apareça: os cataventos da Ventos
do Sul, as centrais de energia eólica próximas de Osório.
São essas coisas do progresso gaúcho que constituem o
melhor cartão de visitas que podemos apresentar. No dia que acordarmos
de vez para o desenvolvimento..sai da frente. Dá até esperança
de que os Ares do Mundo um dia chegarão ao Rio Grande, sacudirão
nossa mesmice e podemos virar um “tigrinho”, como a Espanha,
Portugal ou o Chile.