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E o COPOM manteve a Selic em 13,75%, após uma reunião na qual seus membros, após analisarem a possibilidade de um corte, optaram unanimemente pelo status quo. Já que divergir de nada adianta, sigamos a receita da ex-prefeita de São Paulo. Num artigo publicado no jornal Valor, a professora Eliana Cardoso, que prima pela agradável mescla do rigor científico com divertidas incursões em outros domínios, conclui: "Por enquanto vale a aplicação de botox na Selic, mesmo sabendo que paralisá-la temporariamente não será suficiente para curar a recessão originada no coração do mundo." Os "filósofos" do PT já decretaram ter sido a crise atual causada pelo neoliberalismo de FHC - para não cometer injustiças, é importante dizer que, de acordo com esses teóricos, a "herança maldita" foi culpada apenas pela "marolinha". Foi atribuído, dessa maneira, à octaetéride fernandista um acréscimo de 6 anos, admitindo-se, todavia, não ter sido ela responsável pela degringolada mundial, essa de responsabilidade exclusiva do demonizado neoliberalismo. A postura nada tem de surpreendente, uma vez que o lema "eu acertei, eles erraram, mas eu de nada sabia" parece fazer parte integrante do modo petista de governar. No campo das metáforas, parece que, muito mais que um botox, a Selic precisaria de um lifting - lifting para baixo tem cheiro de oximoro, mas parece mais energético. Vá lá, um peeling, talvez. Enquanto forem usando uma série histórica de mais de 3 meses no modelo- seja lá qual for - será impossível aos integrantes do COPOM captar a nova realidade. Um modelo, prospectivo que tenha um mínimo de utilidade deveria valer-se de parâmetros relevantes. Dessa forma, deveria haver uma severa ponderação para baixo do desempenho da economia até setembro de 2008. Considerar o crescimento do terceiro trimestre de 2008 como ameaça ao cumprimento da meta inflacionária parece encerrar um excesso de prudência, aliada a uma dose de nefelibatismo pânico. Não vale a pena discutir a meta de 4,5%, seu surgimento e sua validade. Dizem os cínicos que, um dia, Sua Majestade Econômica atirou um dardo numa parede cheia de números aleatórios. Os cortesãos saíram em desabalada correria e, em torno da flechinha real, traçaram um círculo, logo apelidado de banda. Assim nasceu a obsessão. Longe de criticá-la, é melhor curvar-se a ela. Uma vez determinada a meta, é fundamental o esforço em atingi-la, devendo ser banido o discurso de "um pouco de inflação a mais não faz mal". De qualquer maneira, os leitores de entrelinhas já identificaram, no comunicado do COPOM, a manutenção do advérbio ambíguo "tempestivamente' mas comemoram o surgimento do alvissareiro advérbio "ainda", interpretado pelos arúspices de plantão como indicação de uma iminente alteração de rumos. O BC introduziu o viés de baixa implícito! Alvíssaras.
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