Paulo Ricardo Silva Ferreira

 

5ª função da emoção - Comunicação

Os primeiros hominídeos, os Autralopithecines, dos quais a espécie humana descende surgiram sobre a face da terra conforme indicam os registros fósseis há aproximadamente seis ou sete milhões de anos atrás no continente africano. Nessa caminhada evolutiva da espécie humana e do nosso desenvolvimento em relação aos processos de se comunicar, mais que um acessório a comunicação sempre foi essencial para o nosso curso. Graças às novas formas, traços e desenhos da comunicação, cada era tem um estilo de vida e muda radicalmente e significativamente conforme a transformação do próprio processo com que os indivíduos se comunicam. Podemos pensar que as emoções estão no quarto e a linguagem (seja ela falada, escrita, gestual, enfim...) é a chave para que os indivíduos abram o quarto (suas emoções) e as comuniquem.

A quinta função da emoção é uma comunicação rápida e efetiva. Lá atrás tivemos o tempo da Era dos Símbolos e Sinais, Era da Fala que se iniciou cerca de 40 mil anos passados, Era da Escrita onde passamos a criar significados padronizados para representações pictóricas, a Era da Impressão, Era da Comunicação de Massa e atualmente estudiosos chamam essa a Era em que vivemos a Era da Informação. Pouco nos damos conta que ao ir ver uma peça de teatro lá está uma história milenar e a própria ancestralidade da espécie humana e a sua ferramenta mais possante no que diz respeito à transferência de conhecimento e manifestação do seu ser. O mesmo se dá ao ler um livro, ver um filme, escutar uma música, nas artes plásticas, um eternizar e eternizar-se. A comunicação cria os laços emocionais (familiares e amigos) que podem ter claras conseqüências de êxito de sobrevivência biológica ou social.

O pai da idéia de Aldeia Global, Marshal Mcluhan, introduziu o pensar que o meio é a mensagem, quer dizer, os meios de comunicação (telex, carta, televisão, rádio, enfim) são uma extensão do próprio ser humano. Em outras palavras, a forma como nos comunicamos e o que utilizamos para produzir e reproduzir essa comunicação relata nossas percepções instauradas pelas tecnologias da informação. Nesse sentido podemos entender de várias formas os novos seres humanos que vão se desenvolvendo num novo tear que se passa na comunicação virtual. Das redes sociais, dos aparelhos telefônicos, dos emails, dos chats instantâneos, do fragmento e completude, da descoberta do mundo a partir de bibliotecas mundiais, do ensino a distância, do consumo, a descentralização do saber que era um privilégio das universidades e escolas, do papel do professor, do novo aprendiz, tudo isso tem manifestado incríveis impactos na construção de um novo ser.

O antagonismo da nova comunicação eletrônica é abismal nesse primeiro momento. Não apenas por gerar excluídos digitais, tanto no que diz respeito a uma gama de palavras e expressões, bem como, ao acesso e suas tecnologias. Da mesma forma que a comunicação virtual se tornou uma grande facilitadora para que estivéssemos mais próximos, ela tem se mostrado como um grande monstro de isolamento. Na Era da Informação temos esquecido que comunicar-se é uma função emocional e que como função emocional é necessário compartilhar.

Nunca a informação caminhou tão velozmente, da mesma forma que nunca a solidão foi tão atroz. Nunca tivemos tantos projetos de comunicação interna como Feedback, avaliação 360º, endomarketing, da mesma forma que nunca se viu uma falta de compromisso com o que foi dito, expressado e realizado. Ao invés de uma dinâmica das emoções expressa pela linguagem, nós temos percebido uma mecanização fortalecida pela distração do ilusório. Há um comércio fraudulento da fantasia. Pessoas escondidas por detrás de outras personalidades vão criando seus substitutos perfeitos. Nesse mundo com freqüentação apenas do imaginário os feios podem se tornar belos, os covardes em valentes, os tímidos se transformarem em extrovertidos, empresas fantasmas em corporações sólidas com profissionais que se denominam presidentes sabe-se lá do que. Uma excitação em dar mais valor ao que nos parece o ideal do mundo que nos cerca, esquivando-se assim de assumir a grande e maravilhosa responsabilidade de sermos o que nós somos, com nossos acertos e os nossos erros.

A função de número cinco das emoções é a nossa marca. Se desenharmos uma árvore, não será a árvore que Van Gogh teria feito, é a nossa. Um abraço e um beijo, não será o que sua santidade o Dalai Lama ou o Papa dariam, será o nosso abraço e o nosso beijo. Três linhas escritas por nós para o colega valem um milhão de vezes mais que uma frase profunda do Kotler sobre comprometimento. O silêncio é uma voz que deve ser escutada. Viva todas as possibilidades que a indústria da beleza tem garantido, mas um rosto que não expressa sentimento, ele é um coração que não fala. Comunicar é emocionar-se.

 
 O colunista

Paulo Ricardo Silva Ferreira é Doutorando em Ciências Empresariais pela Universidade de Leon/ Espanha, administrador de empresas, curso de psicologia, pós-graduado em administração
hospitalar. Professor universitário. Consultor em estratégia empresarial, desenvolvimento organizacional (DO), comportamento, mudança intervencionista e inteligência empresarial da Eckart Consultorias. Presidente da Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul. Criador e Diretor
Presidente do Instituto Eckart Desenvolvimento Humano e Organizacional.

Com ajuda de Sander Machado
Profissional de comunicação, redator. Coordenador do Núcleo Celebração do Instituto Eckart. Diretor Criativo da ILê Comunicação.

Contados com o colunista abaixo

4ª Função da Emoção - Curiosidade

3ª Função da Emoção - Inteireza

2ª Função da Emoção -A Conduta

1ª Função da Emoção - Defesa dos estímulos nocivos

A importância da 3ª opinião

Por este caminho ou aquele?

O que você faz com os seus sonhos?

Ser Par e não Ímpar

Extremistas

Já Ganhou!

Visão Estratégica - O Entendimento

A sua empresa é um castelo de areia?

Situação da Visão Estratégica

Gestão do sorrir na gestão das pessoas

As pessoas a sua empresa, aprendem como?

Bullying Empresarial

Reputação Corporativa

Dar um Dia para a Vida

O Futuro está no conhecimento

Bom Senso x Senso Comum

Real-Ização

Desenvelopar

Controladores de Vôo

Lista de Prioridades

Consultor, o psicanalista de empresas

Ações Construtivas

A máxima MAS SE... e o vôo 3054

Selva e Mercado: Ética e Sobrevivência

Comunicação Transparente

Síndrome do Caracol

Administração Ecológica

Terceirização Outsourcing

Entrevista

Defender ou Preervar?

Decisão: a hora do espanto

Adversidade ou Diversidade

Diversidade e Comportamento

Diversidade, pensamento estratégico e comportamento inovador