Paulo Ricardo Silva Ferreira & Sander Machado

 

O futuro está no conhecimento


"As máquinas trabalham, muitas vezes melhor do que qualquer
ser humano poderia trabalhar, mas não criam."
Thomas A. Stewat, editor da revista Fortune

A crença de que a repetição leva o homem a ser um super-operário felizmente morreu. Com ela também foi enterrada a convicção de que processos e habilidades são únicos. As teorias dos engenheiros Taylor e Fayol têm mais de 80 anos, fizeram escola e deixaram herdeiros. Foi a indústria que primeiro percebeu que simplesmente treinar pessoas não resolve o problema. Organizações humanas estão sujeitas a variáveis muito mais complexas.

O velho capitalista, proprietário das máquinas e todo-poderoso sobre os operários, é figura em extinção. A concepção tradicional de empreendedor, com pleno domínio sobre a empresa, mudou nas últimas décadas. Hoje, as instituições tendem a dividir lucros, riscos e responsabilidades. Empresas montadas nos moldes antigos, centradas no simples aprimoramento de processos, tornam-se inviáveis.

A Microsoft é o melhor exemplo dos novos tempos. Sem possuir fábricas, é a maior produtora mundial de programas para computador. Sua estrutura baseia-se no conhecimento, no capital humano. Seu produto é fruto do poder criativo da mente humana. É resultado da imaginação, do talento e do trabalho de pessoas que ignoram o impossível e ousam enxergar além do horizonte.

Assim, a empresa do futuro tende a repensar a relação que possui com seus empregados. Paradoxalmente, a flexibilização das relações de trabalho cria uma situação que coloca em risco a vida das instituições. No caso da Microsoft, se acontecer uma migração de seus parceiros para outras empresas, segue junto a matéria-prima que a diferencia dos concorrentes. Está criada uma situação nova, válida para qualquer organização que consiga olhar um pouco além da próxima esquina.

Novos tempos
Vivemos num tempo de escassez. Faltam recursos econômicos, materiais, energéticos e humanos. Por outro lado, crescem as necessidades e exigências da sociedade. A única maneira de resolver essa equação e superar as barreiras é trabalhar com valores diferenciais, que apenas o ser humano possui. Assim, o futuro das empresas só estará garantido se possuir pensadores criativos, que consigam dar respostas inovadoras para situações criadas no cotidiano da humanidade.

Essas pessoas criativas não brotam do nada. São como pedras preciosas que precisam ser achadas, lapidadas, estimuladas e valorizadas. Cultivar e incentivar talentos é uma importante habilidade gerencial que precisa ser despertada nos novos empreendedores. Hoje, não basta ter o capital e uma idéia. É preciso parceiros competentes, engajados e inovadores. Pessoas que divirjam, contestem, questionem e acrescentem valor real ao produto final, seja lá o que for.

Também não basta contratar, aleatoriamente, pessoas capazes. Gênios não nascem ou crescem em ambientes solitários. É fundamental o trabalho em grupo, pois há maior possibilidade de troca, de aprendizado complementar e compartilhado. A inteligência é um patrimônio que deve ser cultivado no local de trabalho, onde as ações acontecem. É preciso desenvolver ambientes propícios à criação. Assim, as pessoas provarão a liberdade de pensamento, terão suas necessidades fisiológicas satisfeitas, podendo desenvolver a sensualidade e o amor por aquilo que são e fazem. A empresa do futuro passará por uma mudança profunda em seu âmago.

Para que isso aconteça, as instituições também terão que esquecer as técnicas que desmotivam, modificar as práticas que frustram as pessoas e geram emoções negativas, além de desativar máquinas que poluem ou colocam em risco qualquer ser vivo. Em breve chegará o tempo da empresa virtual, que terá seu capital social formado por valores intelectuais e afetivos. Ou seja, o patrimônio será o grupo de parceiros que conseguem desenvolver, criar e recriar alternativas para a empresa, a sociedade e o homem.

 
 O colunista

Paulo Ricardo Silva Ferreira é Doutorando em Ciências Empresariais pela Universidade de Leon/ Espanha, administrador de empresas, curso de psicologia, pós-graduado em administração
hospitalar. Professor universitário. Consultor em estratégia empresarial, desenvolvimento organizacional (DO), comportamento, mudança intervencionista e inteligência empresarial da Eckart Consultorias. Presidente da Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul. Criador e Diretor
Presidente do Instituto Eckart Desenvolvimento Humano e Organizacional.

Com ajuda de Sander Machado
Profissional de comunicação, redator. Coordenador do Núcleo Celebração do Instituto Eckart. Diretor Criativo da ILê Comunicação.

Contados com o colunista abaixo

Bom Senso x Senso Comum

Real-Ização

Desenvelopar

Controladores de Vôo

Lista de Prioridades

Consultor, o psicanalista de empresas

Ações Construtivas

A máxima MAS SE... e o vôo 3054

Selva e Mercado: Ética e Sobrevivência

Comunicação Transparente

Síndrome do Caracol

Administração Ecológica

Terceirização Outsourcing

Entrevista

Defender ou Preervar?

Decisão: a hora do espanto

Adversidade ou Diversidade

Diversidade e Comportamento

Diversidade, pensamento estratégico e comportamento inovador