*Por Vininha F.Carvalho
A
bióloga brasileira Neiva Guedes, recebeu
nesta sexta-feira, 7 de maio, do Príncipe Bernhard,
da República dos Países Baixos, o título
de dama integrante da Ordem da Arca Dourada (Golden
Ark Knighthood), em cerimônia no palácio de
Soestdijk. Ela recebe o título em econhecimento ao trabalho
de conservação da arara-azul grande (Anodorynchus
hyacinthinus), desenvolvido há 14 anosno Pantanal em Mato
Grosso do Sul e Mato Grosso.
A Ordem dos Cavaleiros da Arca Dourada foi criada
em 1971, por sua alteza real Príncipe Bernhard, para reconhecer
os esforços de ambientalistas e cientistas na conservação
dos recursos naturais em todo o mundo. Até hoje, mais de
350 pessoas de todos os continentes receberam a honraria, considerada
o maior prêmio ambiental da Holanda. Neiva Guedes é
a primeira mulher brasileira a recebê-la. Ela foi indicada
para obter à distinção pelo WWF-Holanda,
que financia o projeto de conservação desenvolvido
em parceria com o WWF-Brasil no Pantanal.
Atualmente o número estimado de araras-azuis
na natureza é de 6.500 indivíduos. Graças
ao trabalho do Projeto Arara Azul, hoje são 4.800 no Pantanal
brasileiro e estima-se que existam entre 150 e 200 nas porções
boliviana e paraguaia do Pantanal. Na região conhecida
como Gerais - Piauí, Maranhão, Bahia e Tocantins
-
os cientistas estimam a existência de 800 a 1.000 araras-azuis.
Na região Norte, a previsão é de que apenas
500 permaneçam livres.
Nos anos 80, porém, havia apenas 1.500
araras-azuis no Pantanal. A situação na natureza
só começou a mudar em 1990,quando tiveram início
os primeiros estudos da espécie por Neiva Guedes no Pantanal
Sul-Matogrossense. Desde então, o projeto Arara Azul monitorou
mais de cinco mil indivíduos e anilhou cerca de 850 filhotes
a partir da sua sede, na Fazenda Caiman(Miranda, MS).
Além disso, mais de 485 ninhos artificiais
e naturais são monitorados periodicamente pela equipe do
projeto em 42 fazendas - uma área de 400 mil hectares.
Isso representa uma possibilidade concreta de conservação
da espécie.
"Receber este título é uma
grande honra para mim, pois representa o reconhecimento de que
acertei em uma decisão de vida: a de fazer todos os esforços
ao meu alcance para preservar as araras-azuis na natureza, como
elas devem ficar", revelou Neiva.
A bióloga permanece na Europa até
o final do mês de maio, efetuando palestras sobre o Projeto
Arara-azul e sobre a produção científica
a respeito da espécie.
Além do WWF-Brasil, são parceiros
financiadores do projeto a Universidade para o Desenvolvimento
do Estado e Região do Pantanal(Uniderp), o Refúgio
Ecológico Caiman e a Toyota do Brasil. Eventualmente o
projeto recebe apoio financeiro de empresas, tais como a Brasil
Telecom e Vanzin Escapamentos.
Fonte: WWF
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Vininha F.Carvalho é editora
da Revista Ecotour
email: vininha@uol.com.br
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