*Por Vininha F.Carvalho
O Brasil tem em seu território entre 15%
e 20% da biodiversidade do planeta e, ainda assim, tem apenas
4% destinado a áreas de proteção, menos do
que os 5% da média mundial. Com base nesses dados, o professor
do Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Uniderp
- Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região
do Pantanal e consultor de biodiversidade do MMA
- Ministério do Meio Ambiente, José Sabino,
destaca a importância de utilizar o ecoturismo para conscientizar
a população para a importância da natureza
e da preservação.
Sabino e a professora de Fisiologia Animal na Uniderp,
Luciana Paes de Andrade, expuseram o resultado
de seus trabalhos na mesa-redonda Ecoturismo e Conservação
da Biodiversidade, realizada na manhã de 10/2, na
UnB - Universidade de Brasília, no XXV
Congresso Brasileiro de Zoologia, que foi até
6ª feira (13/2).
Sabino afirma que o ecoturismo é apontado
como a principal forma para conseguir alcançar o desenvolvimento
sustentável em regiões de turismo alternativo e
permitir aproximação com o meio ambiente de forma
diferente dos hábitos diários das pessoas.
`Apesar de importante, essa atividade precisa ser
planejada e responsável do ponto de vista ambiental`, destaca.
Ele e Luciana trabalharam em Bonito (MS) por três anos,
onde desenvolveram pesquisas sobre o impacto do turismo na natureza
da região.
O especialista aponta que só o Pantanal Mato-grossense
recebe entre 500 mil a 600 mil turistas por ano. Luciana mostrou
aos presentes que nem sempre a atividade dos biólogos é
bem vista.
Contratada por uma empresa que trabalha com ecoturismo
em Bonito (com cerca de 20 mil habitantes), ela concluiu que 200
visitantes por dia nos parques aquáticos da região
causavam impacto muito grande no meio ambiente e sugeriu a redução
para 160. Os donos não gostaram porque deixariam de ganhar
R$ 4 mil diariamente.
Resultado: `Fomos ameaçados e algumas pessoas
na cidade passaram a nos olhar de modo diferente, achando que
queríamos boicotar o turismo. A pior parte foi quando nossa
casa foi atingida com tiros no meio da noite`. Mesmo assim, os
zoólogos não desistiram. Fizeram denúncia
ambiental ao Ministério Público e se demitiram.
Assim, voltaram à sede da Uniderp, em Campo Grande (MS).
Depois da ação dos pesquisadores,
Bonito ganhou um protocolo de monitoramento ambiental para ambientes
aquáticos - modelo para outras regiões do país.
Mesmo morando em Campo Grande, Luciana visita a cidade, pelo menos,
uma vez por mês e ganhou reconhecimento e respeito da população
e de parte do empresariado local.
Sabino ressalta que esse é um caso típico
de necessidade de elaboração de códigos de
conduta específicos para cada área que receberá
o ecoturismo.
`Cada região tem sua peculiaridade que precisa
ser detalhadamente estudada para saber a capacidade de receber
turistas. Senão, o patrimônio ambiental será
destruído`, concordam.
Ecoturismo no Brasil
1994 - R$ 2,2 bilhões 1995 - R$ 3 bilhões
Previsão para 2005 - R$ 10,8 bilhões
Atividade no país foi 36% maior que a média
mundial na década de 90
País tem potencial 20% maior que o mundial
para o setor.
Fonte: AssCom UnB
Vininha F.Carvalho é editora
da Revista Ecotour
email: vininha@uol.com.br
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